sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Diarios de NYC - 2 ("oh roofs of Chelsea")

Hoje o tempo já não está tão bom como ontem. Tenho uma função de troca de quarto no Hotel (absolutamente evitar de outras vezes o nono andar, lado do 929, 930, 931, eles dão para um telhado cheio de máquinas de refrigeração que fazem um barulho louco, constante, especialmente à noite, ontem pela inércia de trocar de quarto usei protetores de ouvido mas tenho medo de ficar surdo depois da viagem) que me mantem preso pelas redondezas até o meio-dia, assim deixo para a tarde o passeio pelas galerias de arte do Chelsea.
O Times Square, mesmo no tempo mais frio, está muito interessante, com o fechamento ao trânsito da Broadway nesta parte da cidade há uma humanização do local, com mesinhas, vasos de flores e ciclistas (poucos, na verdade, mas é outono).
New York é uma cidade que se renova, isso é indiscutível, o exemplo maior que tenho disso é a 42nd Street entre 6 e 7th Ave, que em minhas primeiras visitas era um local horrível, cheio de sex-shops, pessoas mal encaradas, roubos de turistas, prostituição feminina e masculina, tráfico de drogas às claras (um pouco disso ainda pode ser visto nos filmes do Andy Warhol, em especial quando o lindo Joe Dalessandro bate perna pela 42nd St na busca de fregueses para conseguir dolares para pagar o aborto da namorada).
E hoje esta região está linda, com prédios luxuosos, o maior símbolo para mim é o predio da Condé Nast, editora da Vanity Fair, erguido sobre sambaquis com os caminhos de milhares de michês, putas, drogados e outros. Uma investigação arqueológica depois da Hecatombe deve ser interessante, vão descobrir que os alicerces da Vanity Fair se apoiam em milhares de aparelhos de sex-shops e revistas pornôs dinamarquesas dos anos 1970.
Já o efeito contrário, renovação para pior, ao meu ver o exemplo é SoHo, de bairro operário no século XIX, foi sendo ocupado, em meados do seculo XX,  por artistas em busca de espacos amplos, aluguéis baratos e, em efeito cascata, vizinhanca intelectual. Nos anos 1970-80 estava em seu auge, com as melhores galerias de arte; mas os yuppies dos anos 1980 descobriram o filão e a especulação tomou conta, virou um lugar pretensamente "chique" e as boas galerias foram se instalar em novos espacos (Chelsea, principalmente), os artistas se mudaram (Brooklin, principalmente), de novo em busca de novos espacos, aluguéis baratos e criando nova vizinhanca intelectualizada.
Consegui a troca de quarto, e rumo para Chelsea.
Andar por Chelsea é muito fácil. Primeiro, esqueça o Chelsea Hotel; não, ele continua lá, ainda com as manchas de sangue de Sid and Nancy (e talvez alguém lembre a exposição de desenhos, em uma das suites, que marcou a carreira de Elizabeth Peyton), mas Chelsea, para as artes visuais, andou mais para o Oeste. Tracei um retaâgulo entre as 10th e 11st Avenues e a 20th e 27th Streets, e comecei por baixo, subindo na sequencia das ruas, e vendo tudo, ou quase tudo. Alguma coisa ficou de fora, mas, paciência, as que estão dentro do retângulo são as melhores; algumas bobagens e engodos, tambem, mas isso faz parte. A 6a.feira já estava curta para mim, pois só iniciei os trabalhos a 1 da tarde, após a mudança do quarto, a programação que queria começar às 10h da manhã; assim fiz só "meio" retângulo; e adiei, por puro cansaço, a ida ao MoMA que eu planejava para as 16h, para aproveitar a Free Friday Evening, das 16 as 20h.
Time Out e outros dão uma listagem da programação e fazem resenhas; mas é exatamente como os jornais brasileiros, não são listas extensivas, o limite de espaço deles faz com que muitas vezes exposições importantes não sejam incluídas; por isso esta minha abordagem "extensiva" (ou maratonistica). E galerias novas, ainda não badaladas, em um terceiro andar, subindo escada, podem apresentar boas surpresas, falarei disso depois.
Bem, por que comecei pela 21st St? Uma das Galerias Gagosian fica na 21th St, só que Blind Spot & Open Ended, exposição com 2 esculturas de Richard Serra, está em montagem, só abre na semana que vem, quando já estarei rumo ao Rio
A ordem do meu texto é a ordem peripatética, a ordem em que fiz as visitas, o que deixou para ultimo lugar o que foi talvez a melhor exposição das que vi hoje, criando, sem querer, um grand finale.
21st Street Galleries:
1- Anna Kustera Gallery: Loren Holland, The Virtues of Vice, sem muito interesse.
2- Kravets/Welby Gallery: The Edible Woman, coletiva, também sem muito interesse.
3- Tania Bonakdar Gallery: Duas exposições individuais de pinturas - Carla Klein (A Reconstruction of a Random Timeline, sao polípticos com paisagens como que vistas de um carro, poucas cores, grandes espaços, boas pinturas) e Rita Lundqvist (artista sueca, linguagem meio naif, se é que uma sueca pode ser naif, com cores escuras, clean, narrativas ocultas, bonitos trabalhos). E entre os catálogos à disposição dos visitantes da galeria, catálogos de Rivane N. e Ernesto Neto.
4- Washburn Gallery, uma vitrine apenas com três ou quatro telas e faz referência ao que parece uma Galeria virtual, www.washburngallery.com (a conferir)
5- Paula Cooper: Carl Andre, o artista minimalista, com instalações de chão, uma com lajotas de ardósia, a outra com toras de madeira, além de desenhos (também minimalistas, claro). Na outra Paula Cooper, no outro lado da mesma rua, Stripes/Solids, uma boa coletiva com trabalhos (não são múltiplos!) de Josef Albers (uma linda tela da série Homenagem ao Quadrado), Brice Marden, Ellsworth Kelly, Sol Lewitt e uma inacreditável Sherrie Levine (pintura sobre madeira, listas horizontais, dos anos 1980). Na terceira galeria da Paula Cooper, esta já fora do "meu quadrado" (abri uma exceção e fui ver, na 465 W 23rd St), esculturas de Marc di Suvero.
6- Gladstone Gallery, uma bonita e impactante instalação com tijolos, do artista mexicano Damián Ortega.
7- Art & Technology Center: parece interessante, dei uma rápida vista, mas estava sendo gravado um vídeo na Galeria, educadamente me pediram para retornar depois das 15h, o que não fiz, com tantas opções...
8- Galeria Yvon Lambert, com fotos conceituais do canadense Ian Wallace e uma instalação, Objetcs to be Handed Over or Destroyed, da artista holandesa Jill Magid (algo referente a consura interna para um trabalho encomendado à artista por um órgão governamental de segurança, servico secreto, pressões para alterar o trabalho, censura... um dever de casa para mim é fazer uma pesquisa maior sobre o trabalho)
9- 303 Gallery, com instalacoes, videos e pinturas/desenhos sobre folhas de aluminio de Nick Muss, um trabalho muito bonito, outro dever de casa, conhecer mais sobre o artista. E a galeria esta apresentando, em Roma, Frontier, instalação/performance de Doug Aitken (cuja instalação site -specific vi recentemente em Inhotim), com Ed Ruscha.
22nd Street:
10- Pace Wilderstein, Maya Lin, trabalho de impacto, instalações com visões da Terra, com uma estética de gráficos de computador, tridimensionais, bonita exposição.
11- Caroline Nitsch Project Room: Renaissance Unframed, pinturas com esculturas de Richard Tuttle. Muito bom, e uma boa surpresa, uma das exposições que não estavam citadas no Time Out, e sem indicação do artista na entrada, achei que fosse um artista jovem e me surpreendi com um trabalho fantástico; ao ver que é do artista já com muita estrada, fiquei mais impressionado ainda. As pinturas/desenhos são leves, sutis, poucas cores, traços de encáustica, sobre algodão dobrado, informalmente, solto de um prego na parede a meia altura; e a cada pintura corresponde, abaixo dela, como sua ancora, uma escultura em bronze, como uma tartaruga (turtle) ou uma miniatura de ferro de engomar dos antigos.
12- Sonnabend: New Hurricanes, fotos de Clifford Ross, enormes, preto e branco, nitidez absurda, mostram fortes ondas de mar que passa por ressaca ou furacão.
13- Friedrich Petzel Gallery: Pinturas de Sarah Morris, com as características geometrias e cores fortes e chapadas do trabalho da artista
14- Sim, e neste momento me toquei, lendo uma placa, que a região é palco de uma instalação do Joseph Beuys, 7000 Eichen (7000 Oaks), quando o artista alemão, por encomenda do DIA Center, projetou e executou/plantou uma sequencia de 7000 carvalhos, ladeados cada um por um duplo, um bloco de pedra de cerca de 1m de altura. Nestes 20 ou 30 anos, os carvalhos estão crescendo, estão bonitos em sua folhagem de outono, e muitos passantes não devem saber (ou se esqueceram, como eu), que se trata de um trabalho de um dos artistas mais importantes dos anos 1970-80.
15- Susan Sheeeham Gallery: Gravuras de Donald Judd, bonitas, minimalistas; perspectivas em preto e branco; e sequencias de cor
16- Yancey Richardson Gallery: Fotos de Helen Van Meene (artista holandesa,Tout Va Disparaitre, fotos de crianças, clima nostálgico) e de Esko Mannikko
17- Matthew Marks Gallery: Feelings, esculturas de Rebecca Warren (interessantes) e fotos de 1956-1958 de Peter Hujar (crianças, muitas com deficiência; clima doentio; grupos estranhos; preto e branco, uma estética que veio da Diane Arbus)
18- D'Amelio Terras: Pinturas de Joanne Greenbaum (Hollywood Squares, grandes pinturas, muito coloridas) e Elliott Green (Personified Abstraction, pinturas de tamanho médio com passagem entre figurações antropomórficas e abstrações); a segunda foi exposição recomendada pela Time Out em semana anterior, e são ambas pinturas bem bonitas, mas nada muito deferente do que se faz em pintura aqui no Parque Lage, por exemplo.
19- Ameringer/McEnery/Yohe: Nancy Graves, pequenas esculturas, coloridas
20- Não é uma galeria de arte, é a Comme Des Garcons, mas vale à pena entrar pelo túnel maluco incrustado em uma fachada de prédio industrial, seguir pelos labirintos e descobrir que uma camisa de patchwork de tecidos xadrez, muito semelhante à que estou usando, custa US$450. A minha, que custou quase 15 vezes menos, e uma criação do Marcos Pantera, do brechó De Salto Alto, em Copacabana, Rio, e isso só me reforça o que já sabia, como o Pantera é e continua muito antenado!
21- Max Protech Gallery: Tim Hide, fotos, How to Draw a Cathedral; e uma instalação, Murder In Teheran, de Siah Armajani, onde a política suplanta a estética.
22- Horton & Liu: Melanie Schiff, fotos, Mirror & Mastodon, para mim sem muito interesse.
23- Monya Rowe Gallery: Esta foi outra surpresa, um cartaz meio caseiro diz que a galeria recém abriu, e convida a subir, sem elevador, ao terceiro andar; uma coletiva; não conheço os nomes dos artistas. Eis a surpresa, é uma boa coletiva, em especial os trabalhos de pintura de Larissa Bates (pequenos quadros, miniaturas, com base em clássicos, lutas entre deuses e semi-deuses, mas com roupas, situações e personagens atualizados para algo com primeira metade do século XX, primorosamente pintados, um clima de uma nostalgia atemporal) e Paco Pomet (pinturas pequenas, monocromáticas, um emplastro muito forte e situações estranhas, um deles um Lênin de fotografia, em outro duas crianças em uma mesa, a menina tem um nariz de Pinóquio; belo trabalho). Valeu à pena a subida, e vale à pena navegar nos sites dos dois artistas para conhecer mais sobre os trabalhos.
23rd Street:
24- Von Lintel Gallery: Pinturas de Mark Sheinkman, poucas cores, formas como que de fitas flutuando no espaço, trabalho frio, decorativo.
25- Heidi Cho Gallery: Uma coletiva sobre a musica Lucy in The Sky with Diamonds, com pinturas e instalações, apresenta outra surpresa, uma boa instalação de parede, com apropriação de pinturas, imagens e outros objetos, transformados por um vocabulário visual de formas ovais e elípticas, do artista James Westwater, apresentado como nascido no Brasil. Outro dever de casa, saber mais sobre este brasileiro em NYC.
26- I-20 Gallery, Play All San Francisco, pinturas sobre papel de Sherry Woong, pequenas, com retratos da comunidade artística de San Francisco, imagens semelhantes a da dupla de pintores austríacos, Muntean and Rosenblum (que ainda consegui ver, em uma exposição no SoHo, com os trabalhos de 2009), mas sem a força/lirismo da dupla, pois fica mais como o registro de pessoas que não conheço
27- Leo Koening: Fotos/desenhos/videos de Naomi Fisher, The Brave Keep Undefiled Wisdom of Their Own, sao mulheres com roupas de padrões de feras performando cenas em paisagem de selva (na verdade deve ser a paisagem dos pântanos da Florida, o que faz sentido pois a artista é de Miami).
28- Leo Koening Projekte, em outro espaço ao lado, um trabalho bem interessante, Flying Pictures, fotos de Daniel Gordon que registram, sem manipulação digital ou truques (é dito no release, vamos acreditar) onde o artista "voava" sobre paisagens, as vezes de bem longe, quase imperceptível sobre um campo, em outras mais de perto; flutuando, no exato momento anterior a queda. Uma referencia ao The Void do Yves Klein (que só agora, no Met, soube que era um truque de fotografia), claro; em uma das fotos o artista cai/voa da janela de uma casa tipicamente americana, para marcar a relação com o YK; um trabalho forte, bonito, corajoso. Ainda pelo release, o artista fez as fotos ainda durante sua formação acadêmica, portanto bem jovem; e a escolha do ambiente é perfeita, são paisagens tipicamente americanas; ele não se coloca como o centro, em algumas fotos está na verdade bem pequeno em relação à paisagem, como uma gaivota perdida quando se fotografa um mar, como um coadjuvante apenas; e a escolha da roupa é perfeita, também, eu acho, com o peito nu e uma malha comprida que pode ser vista como uma ceroula, um jogging, neutro, mas que remete às primeiras experiências dos super-heróis das histórias em quadrinho em termos de definir seus trajes. Acompanhando a exposição há o lançamento de um livro com as fotos, bem interessante. No MoMA, fotos mais recentes do artista, já outro trabalho, de fotos de colagens refrotografadas, um trabalho talvez mais “adulto” do artista já formado, porém os voos tem o arroubo e a onipotência, o achar-se imortal, da juventude.
29- Margaret Thatcher Projects: Bill Thompson, Shift, objetos/pinturas em acrílico sobre poliuretano, são como se um Donald Judd se separasse em pedaços e cada pedaço se revolvesse com ódio do minimalismo. E, não, a galeria não é da antiga primeira Ministra inglesa, a galerista éuma homônima, o que tem causado confusões, como conversei com as atendentes (sou muito curioso); e, a meu pedido, fui apresentado à galerista, posso afirmar que não e nem parece nada com a Ministra.
30- Goff & Rosenthal: Ruled, instalações de Type A, dupla de artistas Adam Ames e Andrew Bordwin, interessante, instalações.
31- Daniel Reich Gallery: Entendment, instalações de Amir Mogharabi e Jeffrey Perkins.
32- Pavel Zoubok Gallery: Shooting Stars, são retratos feitos pela artista Barbara Sandler, pinturas muito gráficas, um toque da arte gráfica socialista.
33- Perry Rubenstein: The Law of Fives, instalações de 5 artistas, tendendo ao monumental e urbano. Coisas previsíveis, como um muro que um dos artistas trouxe de sua casa e instalou na galeria; uma instalação, interessante, é um banheiro; pela porta entreaberta (não se consegue abrir mais nem entrar no ambiente), vê-se uma pia; o espelho sobre a pia reflete a imagem de uma mulher no chuveiro; não se vê bem; clima de Psicose; barulho da água e impotência são as marcas.
34- Steven Kasher Gallery: Josh Gosfield, em Gigi The Black Flower, "inventa" toda uma história com personagens, sobre uma cantora, filha de ciganos, que conquista a fama e acaba por ter problemas policiais; em capas de revistas, de jornais, documentários, ate um filme de Godard sobre e estrelando a cantora, Gigi Gaston, e seu marido, barbaramente assassinado, o ator Giorgio Fortuna.O trabalho é muito interessante, faz sentido, as ampliações de capas de revistas são muito bem feitas, coerentes, envelhecidas como se viessem de arquivos da época, em dado momento até parece tudo muito real, uma exposição bem interessante. O “filme de Godard” aparece em uma TV antiga, a imagem preto e branco, sobre uma mesinha de mobiliário de hotel; as capas de revistas são ampliações pelas paredes da galeria; também ampliações das capas dos LPs da cantora Gigi; a cada momento o espectador se vê no dilema real/inventado, arte/cultura de massa, e o que seria “real” (as revistas da época) também mostram como se “inventa” um personagem a partir de algumas poucas características reais.
10th Ave
35- Jim Kempner, já na esquina da 23rd St com a 10th Ave, é uma galeria com um perfil mais de mercado. Apresenta gravuras de grandes nomes - Andy Warhol, claro; Barnett Newman (uma pechincha, eu acho, uma bonita gravura do artista por US$4000), Motherwell (outra pechincha, mesmo não muito grande, US$4500), Rauschenberg, Sol Lewitt, Mel Bochner (linda, mas cara, US$7000). E também esculturas hiperrealistas de banhistas, da artista Carole Feuerman.
36- Max Lang: Ainda o perfil de mercado, mas coisas de muita qualidade: um Sam Francis enorme, lindo; um Frank Stella, de Kooning, Kusama, um lindo Ross Bleckner, uma tela linda do Andy Warhol da série dos detalhes de pintura da Renascenca (detalhe do São Jorge e o Dragão, do Paolo Ucello), e, sendo desembrulhada (não um simples embrulho com plástico bolha, mas de uma caixa reforçadissima em compensado com estrutura de madeira), uma grande tela da Barbara Kruger.
37- DJT Fine Art, aí já é o perfil de mercado mesmo, eles vão comendo pelas beiradas, o SoHo começou com arte contemporânea e aos poucos o "mercadão" invadiu’; bem, espero que Chelsea resista. Grandes nomes são a âncora, e ajudam a veicular coisas sem qualidade. Exemplo: bons Andy Warhol; ao lado, com direito a folder/catalogo, Russell Young, com serigrafias em diamond dust, Marilyns, Mick Jaggers, Liz Taylor, até um Frank Sinatra jovem na estética do Most Wanted Men do Warhol. Perfeito, "meu vizinho tem um Warhol, não posso ter um mas dá pra comprar uma Marilyn do R.Y., de repente os vizinhos até acharão que...". Mas vale à pena olhar os autênticos (alem do A.W., Basquiat, Jim Dine, Keith Harring, Sol Lewitt...) e esquecer os demais.
24th St:
38- Mike Weiss Gallery: Yigal Ozeri, Desire for Anima, pinturas excessivamente realistas e estéticas, pessoas excessivamente bonitas, um kitsch com toques de moderno.
39- Susan Inglet: pinturas de Hope Gangloff, fracas.
40- Stellan Holm Gallery: pinturas/desenhos/colagens de William S. Burroughs. Sim, ele mesmo, o escritor, rebelde, drogado. Interessantes, mas valem mais como registro histórico.
41- Zach Feur Gallery: Sister Mary Corita, descrita como artista pop, professora e freira, o que não deixa de ser uma combinação curiosa. Morreu em 1986, e pelo que vi, descrevê-la como artista pop é forcação de barra, ela era mais uma artista gráfica ou designer avant-la-lettre, que utilizava a linguagem pop para cartazes/gravuras "com uma mensagem" (amor, Jesus, caridade...). Outro registro histórico, ou nem isso. Acho engraçado imaginar uma galeria brasileira recuperando os cartazes de quermesse de igreja de uma das freiras do Sacre-Coeur ou do Sion e tentando vender isso como arte...
42- Ramis Barquet Gallery: Rashaad Newsome, Standards, colagens, instalações e vídeo, uma estética semelhante ao "black-power-anos-2000" (não o black-power político dos Black Panther/Malcom X/Angela Davis, e sim o negro-rico-cantor de rap, do Black Eyed Peas e outros), usando Carl Orff na trilha sonora. Interessante. E uma das exposições recomendadas nesta semana pela revista Time Out.
43- Danziger Projects: Weston's Westons sao as fotos de Edgard Weston na versão de copias feitas por seu filho e assistente, Cole Weston. Muito bonitas. Um clássico, os nus, as conchas, as paisagens.
44- Fredericks & Freiser: The Skeleton in my Closet has Moved Back out to the Garden, pinturas de John Lurie. Sim, ele, musico, cult, dos Lounge Lizards dos 1970, dos filmes de Jim Jarmusch. E pinta, e pinta bem, o danado! Tamanhos pequenos, situações estranhas, jogos com palavras, bem interessantes. Valeu à pena conhecer.
45- Luhring Augustine Gallery: Já recomendada pela Time Out, "Up Against", da artista Janine Antoni (vi recentemente instalação da artista em Inhotim), tem fotos, vídeos, instalações, com uma temática feminina/feminista. Na entrada, uma foto de criança que parece se alimentar, com uma colher, diretamente da barriga da mãe (são Janine e a filha). E em outra sala, 6 objetos em metal, pequenas gárgulas, miniaturas das usadas em telhados de Manhattan para escoamento de água das chuvas; a chave está na foto seguinte: em um telhado de um prédio alto, a paisagem de NYC ao fundo, uma mulher (Janine) utiliza um dos objetos para mijar em pé. Na sala seguinte, uma bola enorme e pesada, destas utilizada por guindastes para demolições, está no chão; à frente, um vídeo, close-up de um olho (o da artista); o barulho é de uma demolição, no que é o golpe da bola sobre a estrutura demolida, ha um piscar do olho, uma sensação claustrofóbica, de expectativa, de violência; podemos ler como uma expectativa, pela mulher, da violência, a demolição também uma violência contra o Lar primordial. E na ultima sala, a artista "veste" pelas pernas uma casa de bonecas que lhe cobre o sexo e as coxas; como uma alpinista, está presa em cordas que a mantém flutuando, em um cenário de quarto de criança. Trabalhos bonitos, de muito impacto, uma bela exposição, uma grande artista, que, como vi em Inhotim, transcende a temática de gênero para questionamentos mais filosóficos e transcendentais sobre o que é comum a toda a Humanidade.
Ufa!

Um comentário:

João disse...

0la Jozias, muito bom o rotero que vc fez sobre as expo que vc viu ai em nova york