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quarta-feira, 10 de junho de 2009

The Rose, Cy Twombly





As imagens são lindas, mas esta exposição já se encerrou agora em maio. Na Gagosian de Londres, 5 pinturas monumentais do artista Cy Twombly, cada pintura composta de 4 painéis de 252x185cm, com três imensas rosas em cores vibrantes: laranja brilhante, violeta, ouro, vinho, carmim, escarlate, púrpura (e um preto que é também um azul escuro e um verde profundo), sobre um fundo turquesa; no último painel de cada pintura, versos de “Les Roses”, do poeta Rainer Maria Rilke, na caligrafia solta, um grafitti antes do grafitti, característica do trabalho de Cy Twombly.
As rosas, capturadas pelo artista no auge de sua breve vida, são trabalhadas com uma tinta espessa, escorrida, intensamente painterly; e o resultado grita, enche os olhos e os sentidos do espectador. A monumentalidade das obras de Twombly aqui está exacerbada ao extremo; e o ritmo repetido (rosa-rosa-rosa-poema...), onde a cor das rosas e as diferentes palavras marcam as variações, as dissonâncias, as harmonias, é como um mantra; como um gigantesco meta-poema sobre a vida e a morte, sobre a transcendência.

Nascido em abril de 1928, e portanto com seus 81 anos bem vividos, o artista dá um exemplo de vitalidade e força ao lançar trabalhos tão intensos, desafiantes fisicamente e também renovando sua trajetória. Com uma obra que foi bem além da base do expressionismo abstrato, ao incorporar outros elementos como os textos, os mitos gregos e a própria cultura européia (tão diferente, por exemplo, do tão americano e apenas 4 meses mais novo Andy Warhol), uma forte noção de transitoriedade (os trabalhos enormes desenhados com giz sobre lousa comum), o grafitti... Cy Twombly criou uma obra pessoal e inconfundível.
Como Monet, nas Ninféias, trabalhos monumentais que bem poderiam ser adquiridos, juntos, pela mesma instituição (só espero que não seja em Dubai pois aí é meio contra-mão para mim). Enquanto isso, resta-nos ver e rever as imagens pela internet. Há um catálogo, que pode ser comprado no site da Galeria por US$80 (pela Amazon só no mercado secundário, acima de US$100).

Alguns sites:
Cy Twombly na Wikipedia, com direito a foto de As Quatro Estações, obra prima que está no MOMA
Rainer Maria Rilke na Wikipedia
"Les Roses", de Rilke, em edição bilingue francês-inglês

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Viagens na internet: NYC, Tate Liverpool

Não estou lá, gostaria de estar, o tema é muito interessante. No New Museum, um seminário. Com Jan Verwoert, de 28 de fevereiro até 02 de março (datas que no Brasil ainda estão marcadas pelo final do Carnaval, nada acontece... )
Bom, o tema do seminário (isso me interessou muito) é: Why are conceptual artists painting again? Because they think it's a good idea.
Ou seja: Por que os artistas conceituais se voltaram à pintura? Por que eles acham que isso (a pintura) é uma boa ideia.
Um tema interessante, e que eu acho que está sendo muito discutido. A pintura, e suas mortes anunciadas, agora retomando ao mainstream, trazida exatamente por seus "penúltimos carrascos", os conceituais... dá samba...
Outras ideias que o seminario coloca (seguem sem tradução):
What is the future of medium-specific practices after Conceptualism? What is the future of Conceptual Art after the 1990s? How have the basic conditions of art practice changed and what words and models could we use to open up the potentials at the heart of these developments in art after Conceptualism?
Ainda, outra ideias, fortes e bem articuladas, são: The dominant models no longer satisfy. It makes no sense to melodramatically invoke the "end of painting" (or any other medium-specific practice for that part) when the continous emergence of fascinating work obviously proves apocalyptic endgame scenarios wrong. Yet, to pretend it were possible to go back to business as usual seems equally impossible because the radical expansion of artistic possibilities through the landslide changes of the 1960s leave medium-specific practices in the odd position of being one among many modes of artistic articulation, with no preset justification. How can we describe then what medium-specific practices like painting or sculpture can do today? Likewise, it seems, that we can still not quite convincingly describe to ourselves what Conceptual Art can be: An art of pure ideas? As if "pure" idea art were ever possible let alone desirable! An art of smart strategic moves and puns? We have advertising agencies for that. The social and political dimension of Conceptualism has been discussed, but often only in apodictic terms, not acknowledging the humour, the wit, the existential, emotional or erotic aspects, as well as the iconophile, not just iconoclast motives, that have always also been at play in the dialectics and politics of life-long conceptual practices.
Bom, enfim, vamos ler mais sobre estas novas ideias, que acho que estão no ar. Como exemplo, vemos o que acontece no outro lado do Atlântico: a Tate de Liverpool com uma individual do pintor Glenn Brown, uma festa de uma pintura contestadora, difícil, e totalmente baseada em ideias... o pintor traz à tona o kitsch, os problemas da pintura e da reprodução em si, ao se basear em pinturas da história da arte, mais ainda, em reproduções destas pinturas (com seus defeitos intrínsecos ao ato de reproduzir); re-pinta trechos de pinturas com fortes pinceladas; mas as pinceladas são recriadas em um tratamento liso, o que subverte a ideia da pintura expressionista e da pincelada única, a ideia do ato criador do pintor.
Com a internet, em uma 2a.feira de Carnaval, ao optar por ficar em casa, temos estas e outras, muitas outras, viagens ao alcance de um click do mouse...

Glenn Brown na Tate Liverpool