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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Viciado em Ópera


O que faz um viciado em ópera quando as duas cidades onde mora nos últimos tempos estão a zero em termos de programação operística? Dizem que a "opera-addiction" traz síndrome de abstinência com efeitos quase tão pesados como os da "heroin-addiction".
Brasília, além das eventuais "óperas para o povo", grátis, na Esplanada, tem uma sessão semanal de DVDs de ópera tradicionais do Met, em um dos cinemas da Academia de Tenis; é pouco, para uma capital que talvez tenha um público potencial, pelo menos nas Embaixadas. E o Rio, mesmo antes do Theatro Municipal entrar nesta reforma em ritmo de obra de igreja, já estava sem programação ou com uma programação raquítica. É pouco. Muito pouco.
O que fazer? Sonhar com Callas e acordar ouvindo Claudia Netto no rádio da vizinha? (quem é Claudia Netto?)
Uma coisa que tenho feito é matar meu vício a conta-gotas: ver trechos de óperas pelo Youtube. Internet é o máximo, e o Youtube tem tudo, ou quase tudo. E a partir destes meus prazeres solitários, trechos de máximo de 10 minutos na tela do notebok, sonho com a grandiosidade, a transcendência, o prazer sinestésico que somente a montagem ao vivo de uma ópera consegue me dar (sem drogas proibidas, claro).
Assim, me fixei em 3 óperas, das quais vejo pedaços, à exaustão. Esqueci Verdi, Mozart, Rossini. Ouço  Philip GlassAkhnaten e Satyagraha) e John Adams (Nixon in China). As duas primeiras fazem parte da Trilogia de óperas do compositor americano Philip Glass que abordam homens que mudaram o  mundo em que viveram a partir do poder de suas ideias (a terceira ópera da Trilogia é Einstein on the Beach, igualmente linda, mas que por algum motivo subjetivo não entrou em minha compulsão neste período).


Nixon in China, ópera de 1987, também fala sobre algo que mudou o mundo, a visita do Presidente dos USA Richard Nixon à China, em 1972 (descrita pelo próprio Nixon como "uma semana que mudou o mundo"), que marcou o processo de entrada daquele país na comunidade (e no comércio) internacional, possibilitando que, com a queda do Muro de Berlin e da URSS, a polarização USA x URSS dos anos de Guerra Fria tenha se deslocado para USA x China. A ópera do compositor John Adams, também americano, tem foco nos personagens do Presidente e da Primeira Dama Pat Nixon, do Comandante Mao e sua esposa Jiang Qing (líder da Gang dos Quatro, que detinham o poder e posteriormente seriam derrubados e condenados)e os dois assessores, Henry Kissinger e Chou En-lai. Nas primeiras cenas, a chegada da comitiva de Nixon (com um avião Air Force 1 no cenário), seguida pela visita a lugares da China rural, uma apresentação de uma peça de propaganda política (é a época do livro vermelho de Mao e da Revolução Cultural chinesa, de triste memória) com uma aparição espetacular de Jiang Qing cantando o que acho o ponto alto da ópera, a ária I am the Wife of Mao Zedong; uma aparição surpresa do próprio Mao; e a última noite na China, quando os personagens dançam um foxtrot enquanto avaliam a semana, seus passados e futuros políticos. A música é minimalista e ao mesmo tempo espetacular, e mesmo o que seriam temas "chineses" não caem no folclórico; o cenário na maior parte do tempo dominado por um gigantesco retrato de Mao que remete ao pop e ao Warhol; e a ópera toda tem um clima pop e irônico.


O Faraó Akhnaten foi o primeiro monoteísta da história, e a substituição, durante seu reinado no Egito, da religião politeísta pelo monoteísmo, foi uma das causas de sua violenta deposição. A ópera, escrita por Philip Glass em 1983, descreve a ascenção, o reinado e a queda do Faraó; e os duetos deste com sua esposa, a rainha Nefertiti, são os momentos altos da partitura, que abandona um pouco o "minimalismo pesado" de outras obras do compositor (inclusive das outras óperas da Trilogia) para chegar a harmonias que, embora sem deixar o minimalismo, são mais acessíveis.







Em Satyagraha (1980), o assunto é Mahatma Ghandi e o desenvolvimento de sua prática de protestos não-violentos como arma política; o título da ópera é uma palavra em sânscrito que significa "força verdadeira". Cada um dos atos é dominado por uma figura histórica, que não canta, mas desempenha papel de catalisador da ação: o poeta indiano Rabindranath Tagore, o escritor russo Leon Tolstoy e o líder americano Martin Luther King Jr. A ação é monumental, o tempo é lento, repetitivo; e a música minimalista, e lindíssima, envolve e domina o espectador como um mantra.







Com estes pedaços de óperas comecei, nos últimos meses de 2009, uma nova série de pinturas. Algumas delas estão aqui, "auto-retratos como Akhnaten"; nestas últimas aparecem, no cenário, outros elementos que utilizo em minhas pinturas: a vanitas do Philippe de Champaigne, as carpas. Não procuro nestas pequenas pinturas a monumentalidade da ópera, e sim um clima de fantástico, lisérgico, a musicalidade das cores, um certo kitsch, um tom nostálgico de um mundo perdido, pois o Akhnaten da ópera poderia muito bem ser eu, vestido de egípcio nos bailes do Theatro Municipal de um Carnaval onde eu ainda era uma criança.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Auto-retratos como Cardeal Richelieu


Nos primeiros meses de 2009, a imagem de uma pintura - a Natureza Morta com um Crânio, uma vanitas do pintor francês do Século XVII Philippe de Champaigne - me perseguiu, e com isso eu trabalhei em pinturas, estudos sobre aquela imagem, uma série que chegou esta semana a 53 telas, de diversas dimensões (de 30x40 a 80x100cm).
Há pouco mais de um mês, outra imagem do pintor começou a me perseguir: o Retrato Triplo do Cardeal Richelieu, de 1642, que está na National Gallery em Londres. Não é o único retrato-múltiplo da época, vários outros artistas usaram o retrato duplo, inclusive usando o recurso de reflexo da imagem em um espelho ou superfície espelhada, o que também dá margem para virtuosismo na pintura; e a Royal Art Collection, também em Londres, tem um lindo Retrato Triplo do Rei Carlos I, de Anton Van Dyck.
A função dos retratos triplos, provavelmente, era a de captar vários ângulos da mesma pessoa, juntando-os na mesma tela, para dar uma visão mais completa do retratado, em uma época onde a pintura, o desenho, eram os únicos instrumentos para o registro de imagens; este registro poderia ser utilizado, por exemplo, pelo próprio pintor para fazer novos retratos da pessoa, freguês habitual, claro, sem ter que submetê-lo a posar em novas e tediosas sessões. Com o cubismo, o futurismo, o expressionismo e outros movimentos modernos, estes duplos e triplos adquirem novos sentidos, pictóricos e psicológicos, que certamente não tinham ao serem pintados; penso nos retratos em trípticos do Francis Bacon, por exemplo. Por estes novos sentidos, além, é claro, da beleza do colorido, da sobriedade associada ao luxo, da composição concisa, e talvez por outros motivos inconscientes, o retrato do Cardeal Richelieu me colocou a compulsão de nova série de pinturas.
São os Tríplices Auto-retratos como Cardeal Richelieu, a série de pinturas que está apenas no início; e como nas minhas outras séries, uso o tema e a composição apenas como  um motivo, uma desculpa, para viajar: em cor, em novas formas, em pintura, em misturas com outras imagens de meu trabalho, da História da Arte ou de midia, da arte urbana... Principalmente, pinturas que me dão muito prazer ao fazer.
Estas séries de pintura estão completas em álbuns no meu Facebook, que podem ser vistos (mesmo por quem não tem FB) nos links:
Estudos sobre Vanitas de Philippe de Champaigne
Tríplices Auto-retratos como Cardeal Richelieu

domingo, 18 de outubro de 2009

Semana no Rio (uma maratona artística)

Dias chuvosos no Rio, perfeitos para me enfurnar no ateliê (após os muitos estudos sobre a vanitas do pintor francês Philippe de Champaigne, descobri outra pintura do artista, o Tríplice Retrato do Cardeal Richelieu, que é o tema para meu trabalho em nova série de pinturas), e também para visitar as galerias e espaços culturais, com uma programação de matar de inveja os não residentes... Uma semana que infelizmente termina em tragédia, com a terrível notícia do incêndio que destrói cerca de 90% da obra do artista Helio Oiticica em poder da família, uma perda irreparável.
Bom, sem contar com as exposições já comentadas antes aqui no blog, são duas dezenas de eventos, em um mês "normal", ou seja, está acontecendo muita coisa!

1- Quintal, exposição de Efrain Almeida na Galeria Anna Maria Niemeyer. O cubo branco da galeria, com a força do trabalho do artista, como que se transforma em um quintal de uma casa no interior do Nordeste brasileiro; mas esta transformação se faz sem recriar ambientes que se caracterizam pelo excesso, e sim ocupando, com rigor e concisão, o espaço com pequenas e preciosas peças.
Em revoada, 22 pequenas mariposas, entalhadas em madeira e laminado, ocupam uma das paredes; embora presas à parede branca, a sensação é de que voam no infinito; e cada uma delas é diferente das demais, tem suas características e personalidade diferenciadas pelo trabalho do artista, que não fez uma série repetitiva e sim criou 22 mariposas únicas e diferentes, indivíduos.
Ao lado, um pequeno galho solitário com algumas folhas, esculpido em madeira, também brota da parede como se brotasse de uma manhã, vencendo a seca e a adversidade para ser ele o quintal.
Abaixo, oito pintinhos em madeira (também cada um deles um indivíduo) fazem o que fazem pintinhos em um quintal: ciscam, se bicam, se agrupam, se separam correndo... Mais ao lado, dois pássaros (“assum preto”, tão característico do Nordeste, imortalizado na canção de Luiz Gonzaga que minha geração ouvia na límpida voz da Gal Costa), bicam um cordão de canutilhos de vidro vermelho, como se disputassem a mesma infinita minhoca viva e transcendente.
O todo é contado por suas partes, e destas cenas se faz o quintal, para onde viajamos, nos transportando mentalmente do Shopping da Gávea para o sertão nordestino. E o toque final a nos mostrar onde estamos nesta viagem mental, é a gravura feita pelo artista com xilogravadores populares nordestinos; cada gravador entalha seu auto-retrato, e um dos 14 auto-retratos é o do artista, Efrain, que assim mostra que sua arte, contemporânea e internacional, tem as raízes solidamente plantadas em um quintal nordestino e nas ricas tradições populares deste Brasil.

2- Claudio Paiva, O Multiplicador de Infinitos, na Galeria Artur Fidalgo, é uma exposição que poderia/deveria estar em um espaço institucional. Já comentei aqui sobre situações onde as galerias ditas comerciais assumem um papel diferenciado, ao patrocinar exposições que, por resgatar artistas ou obras importantes porém fora do circuito, estão trabalhando em uma lacuna que não é coberta pelas instituições culturais do Estado. Em duas situações recentes, Artur Fidalgo atuou desta forma, na exposição do artista Umberto Costa Barros, e agora ao recuperar a obra do artista Cláudio Paiva, em uma exposição importante não só pelo resgate da obra (apresentando trabalhos das décadas de 1970, 1980 junto a trabalhos recentes, uma mini-retrospectiva) mas pela qualidade, sutileza e força dos trabalhos expostos. Cláudio Paiva é da geração de Cildo, Barrio, Waltercio, Tunga, Umberto, Luiz Alphonsus, tantos outros, uma geração de artistas que apareceu logo após a Nova Figuração de Gerchman, Antonio Dias, Vergara, Roberto Magalhães... E que apareceu no período em que era mais negra a ditadura militar, a repressão e o milagre brasileiro eram as duas faces de um regime anti-cultura e anti-vida que combatia não só a contestação mas qualquer forma de vida pensante.
Em 1969, Cláudio recebe o primeiro prêmio no Salão de Verão do MAM-Rio, com desenhos que marcam para sempre a retina de quem os viu; nos anos 1980 cria obras com caixas de fósforos (as Instalações de Bolso), singelos objetos transubstanciados pela poesia dos títulos; mais recentes, desenhos também simples, concisos, ganham a força pelo título displicentemente escrito quase na borda do papel; alimento para o pensar, os objetos e desenhos tem uma seriedade e ao mesmo tempo um humor, uma ironia e uma visão de mundo de quem vê cada copo d’água como uma fonte em potencial de sabedoria e ensinamento. Imperdível.
Ah sim, sobre desenho, Claudio Paiva escreveu: “Há um pacto entre os meios, entre a linha e a cor: se, por um lado, o desenho quer ser cor, quer ser pintura, por outro lado, o desenho não quer ser nada além da linha”.

3- Paulo Pasta, na Galeria HAP, apresenta desenhos, com enfoque diferente, e é interessante comparar as frases dos artistas sobre o assunto: “Se a pintura manda em mim, parece que no desenho mando eu. Dizendo em outras palavras, o desenho funciona como um respiradouro. É um exercício mais rápido, e essa agilidade é necessária todas as vezes que estão ocorrendo mudanças no meu trabalho. O desenho se presta melhor a isso. Ele não é uma tradução mais rápida do que faço, mas me faz ver mais rapidamente as coisas”.
Paulo Pasta é um mago da cor, da sutileza; trabalha no limite entre a percepção e a cor que “entra” no observador, além da percepção; ao ver as grandes telas, com formas e estruturas simples e tantas vezes repetidas.
Nada é o que lhe parece; uma tela monocromática, a uma inspeção mais detalhada se revela em formas e cores sutilmente diferenciadas; em outras, um contraste entre dois campos na verdade é um escape para a dança de outras formas e cores sutis e ocultas.
Os desenhos, em óleo sobre papel, apresentam as questões da pintura do artista, mas não são simples estudos ou preparatórios para "a grande arte" da pintura, eles tem um pathos próprio, que pode ser equivalente ou até mais forte que o das grandes pinturas.
Bom de ver, de pensar sobre, de sentir, de viajar nas cores e nelas encontrar uma âncora, um porto, o respiradouro do artista que também é nosso; inspirar fundo; prender o fôlego; uma passagem para uma nova realidade, mais real que o real; expirar. É isso!
4- Turdus, de Ângelo Venosa, na Casa de Cultura Laura Alvim, com curadoria de Ligia Canongia, é uma exposição de impacto. O motivo dos trabalhos é um pequeno crânio de um pássaro, um sabiá, que o artista guardou em seu ateliê por uma década. O gênero das aves que inclui o sabiá, Turdus, é o nome da exposição; e a “dissecação” do pequeno crânio, a inspiração direta para as obras. O artista trabalhou a partir de uma ressonância magnética da caixa óssea do pássaro, criando duas obras na linha das pesquisas de serialidade e fatiamento características de seu trabalho. Em "Turdus 160", 170 placas de acrílico com os cortes transversais feitos a partir de uma ressonância magnética do pequeno crânio do pássaro. Unidas as placas, elas compõem uma caixa na qual se vê a estrutura translúcida de um crânio de sabiá. Já em "Turdus 21", uma escultura suspensa é formada por fatias de acrílico, baseadas nos cortes transversais do crânio, ampliados, como um móbile.
Duas visões do pássaro. O Assum Preto, do Efraim, é um pássaro quotidiano, esculpido na madeira mas leve, vivaz, o pássaro que habita os quintais e que poderia estar voando; o pássaro do Ângelo é dissecado, fatiado, seu crânio, fonte da vontade, é recomposto em esculturas feitas do espaço negativo.
Nas outras salas da exposição, o pássaro é visto como que sublimado: um dois três. Uma sala repleta do que pode ser visto como um ninho, a base para o voo do pássaro; depois, uma sala com trajetórias circulares cortadas em madeira (como a Baleia, escultura do artista, podem ser as circularidades do organismo do animal mas também as trajetórias de vôo do hipotético pássaro), contradição entre o leve do voar, da forma, e  o pesado da estrutura, do esqueleto; e na sala frontal, que se joga sobre o mar de Ipanema, “curadoria” imortal da "louca" Laura Alvim, uma enorme forquilha em madeira e metal é o bico do pássaro. Ele está pronto para voar, sobre a praia, além da praia, para o infinito.
E no Museu Chácara do Céu, na série dos Amigos da Gravura, Ângelo apresenta um múltiplo em papel recortado a laser e gravuras, baseados nas tomografias do corpo humano, bons trabalhos. E o múltiplo, 50 exemplares, um achado por R$550,00 (uma edição já quase esgotada).

5- Na Mercedes Viegas, complementando a grande exposição do Jorge Guinle no MAM, desenhos, pinturas sobre papel e duas pinturas sobre tela, do pintor carioca. Uma boa exposição, as pequenas pinturas pulsam e gritam, tem "a marca" do Jorginho, e os desenhos tem "a força" do artista. Duas boas telas complementam a visão de uma obra forte e que a cada vez que é mostrada nos traz novos significados.


6- No Paço Imperial, fotografias de Alair Gomes. Mas uma greve dos servidores da área da cultura fechou este e outros espaços, o que é uma pena. Alair é um fotógrafo, morto de forma violenta no auge de sua produção, cuja obra - séries de fotos de rapazes se exercitando na praia - sempre é revisitada com muito prazer. Desta vez são fotos e texto, de uma viagem a Europa, onde as esculturas clássicas de homens ganham o mesmo tratamento terno e apaixonado dado às imagens dos rapazes. Miguel Rio Branco editou as centenas de fotos em sequencias, dentro da linguagem de Alair. Um livro, A New Sentimental Journey, registra e acompanha a exposição. Uma dúvida que tenho, Alair desenvolveu seu trabalho de uma foram discreta, só expôs em 1984 (Galeria do Centro Cultural Candido Mendes), com retorno altamente favorável. Se fosse hoje, onde o politicamente correto comanda, ele não seria acusado de pedofilia, voyerismo,  apropriação da imagem das pessoas fotografadas à revelia? Talvez nossos dias e o futuro acabem com a possibilidade de trabalhos que, através da transgressão, chegam ao sublime.

7- Linha de Sombra, exposição da artista Regina Silveira, no CCBB. Com um trabalho desenvolvido ao longo de várias décadas e mostrado internacionalmente, a artista disseca a sombra - e a luz - traçando as distorções da sombra dos objetos sobre as superfícies. Interessante é ver, nos desenhos, o trabalho preparatório da artista, utilizando simples desenhos com quadradinhos para decompor as formas, trabalho que eu imaginava feito em computação gráfica, bom, mas na verdade trabalhos desenvolvidos antes da computação gráfica estar acessível. Na rotunda, uma projeção de pegadas, me lembra a monumentalidade dos insetos, na instalação que a artista apresentou no CCBB-BSB e que comentei, com fotos, aqui no blog. Um trabalho que fala por si, com imagens fortes, engenhosas, que desafiam a percepção do espectador e o colocam como criança, na descoberta de um mundo maravilhoso.

8- Ainda no CCBB, Argentina Hoy. Conhecemos tão pouco a arte dos países vizinhos, que eu sinceramente esperava mais, uma exposição maior, são apenas 63 obras de 33 artistas; mesmo assim, é um bom recorte da produção argentina atual. A curadoria é do brasileiro Franklin Espath Pedroso e da Argentina Adriana Rosenberg, e estão, entre outros, Jorge Macchi (que está tão bem representado na coleção de Inhotim), Marina de Caro, Leandro Erlich, Esteban Pastorino Diáz, Sandro Pereira e Flavia Da Rin. Gosto particularmente desta imagem, Bullfight, foto de Leonel Luna.
9- Ainda no CCBB, espalhadas pelo espaço esculturas de Abelardo da Hora. Vi a exposição do artista no CCBB de Brasilia, e comentei no blog.

10- No Centro Cultural da Justiça EleitoralMemórias Inventadas em Costuras Simples, exposição de Caroline Valansi. A artista trabalha como fotografias antigas, no estado (rasgadas, amassadas, deterioradas), fazendo intervenções - colagens de pedaços de fotos diferentes dão novo significado à imagem; costurando, com linha vermelha, para pontuar as uniões entre os personagens das fotos; componto um painel com o verso de várias fotos; montando em álbum diversas fotos/cartões-postais com suas dedicatórias, de lugares e personagens muito diferentes, mostrando que apesar das diversidades a emoção é comum a todos. Um trabalho limpo e bonito, que desperta no espectador fortes memórias afetivas.
11- Na Galeria Anna Maria Niemeyer da Praça Santos Dumont, uma individual do artista Luiz Alphonsus, uma boa chance de ver os trabalhos novos do artista.

Imagem aliada à palavra, com uma poética bem própria; e pinturas muito bonitas, usando do contraste entre cores e tintas metalizadas, pontuadas pelas palavras, trabalhos que dão prazer ao espectador em ler e navegar pelos significados.
12- Na Galeria Anita Schwartz, exposições de Germana Monte-Mór (belos trabalhos com uso do preto, asfalto, sobre papel, com forte carga emocional provocada pelos contrastes - branco/preto, forte/frágil, leve/pesado) e Everardo Miranda (estruturas em grade que provocam fortes sensações de perspectiva, inexistente, e de cor, por reflexo do verso da grade, branca, sobre a parede branca).

13- Coletiva na Amarelonegro, apresenta bons trabalhos dos artistas da galeria: Elvis Almeida (bonitos desenhos), Fernanda Junqueira, Geraldo Marcolini (intervenções sobre capas de discos de vinil), Gisele Camargo (bonitas obras da série Panavision), James Kudo (linda instalação sobre a parede), Louise D D, Marina Freire, Mônica Rubinho, Rafael Alonso (pintura!) e Raul Leal (gravuras clean mostradas na individual do artista).
14- Paisagem Ready-Made, na Galeria do Lago (Museu da República). Com curadoria de Armando Mattos, a exposição gira em torno de uma box-valise de Marcel Duchamp, e apresenta trabalhos de Taunay (do acervo do Museu), Daniel Buren, Daniel Toledo (intervenção sobre a cabeça de Getúlio Vargas, escultura-monstrengo que fica na Praça do Russell), Felipe Barbosa, Laura Lima, Roberto Cabot e Sophie Taueber-Arp, além da box-valise do Duchamp.
15- Coletiva de trabalhos sobre papel, na Galeria 90 Arte Contemporânea, Muro de Papel apresenta obras de Alex Gama, Ana Vitória Mussi, Chang Chi Chai, Evany Cardoso, Helena Freddi, Ileana Hochmann, Lena Bergstein, Leonor Décourt, Nelson Augusto e Neno del Castillo.

16- Pinturas de Kincas Caetano, pintor e designer brasileiro residente em Paris, na LGC Arte Contemporânea.
17- No Centro Cultural Candido Mendes de Ipanema, Marci Trotta, O Verdadeiro e o Falso, fotografias e pinturas digitais.
18- Na Galeria Toulouse, coletiva do acervo da galeria, destaco uma bonita tela grande do Augusto Herkenhoff, da  série chuva de rosas, uma bela tela do Enéas Valle e uma pintura enorme do Luiz Pizarro, da série dos Surfistas (anos 1980), uma preciosidade; além do vídeo e fotos da Brenda Valansi (A Filha de Jambo).
19- No Castelinho do Flamengo, Que segredos tem o Castelo?, coletiva com curadoria de Lucia Avancini, reunindo obras, de diversos artista, que tem como tema o belo prédio eclético do Castelinho - fotos, videos, instalações, pinturas...
20- No Espaço Clarabóia, exposição de obras que farão parte de um leilão agendado para 7 de novembro. Obras de artistas jovens ao lado de artistas já consagrados, um panorama eclético e com boas opções para um colecionador. Fiz uma rápida wish list...
Ufa!

domingo, 31 de maio de 2009

Novas telas (série das vanitas)






Pintei ontem, um sábado tranquilo em Brasília, estas cinco novas telas(50x60cm), da série dos estudos sobre a vanitas do pintor Philippe de Champaigne. São as de numeros XLII e XLIII, XLIV, XLV e XLVI. Este mês de maio, com a sequência de muitas viagens, passei um bom tempo sem pintar, e assim retomo a pintura com prazer renovado; hoje, domingo, já estou trabalhando em mais telas da série, que postarei ao terminar.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Detalhes









São apenas detalhes, de algumas das pinturas que fiz neste final de semana, e que já postei na íntegra neste blog, da série das vanitas. Nos detalhes, pinturas abstratas, sobreposições, escorridos, monotipias, tinta espessa ou aguada, dourados, os traços gestuais- o painterly que é tão gostoso de fazer na medida em que os exercícios, os estudos, me fazem gostar mais do meio utilizado, a pinta acrílica e o carvão.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Novas pequenas pinturas






Cinco novas pinturas, pequenas telas (30x40cm), da série dos estudos sobre a vanitas do pintor Philippe de Champaigne. Pintei estas ontem, um domingo tranquilo, de um só fôlego. São as de numeros XXXVII, XXXVIII, XXXIX, XL e XLI. É interessante fazer estas variações em escala: as telas 50x60cm, 70x100cm e agora estas menores apresentam questões diferentes, são novos desafios. E a série, chegando às casa das quarenta telas, está longe de se esgotar, do trabalho surgem as novas ideias, que geram outras...

domingo, 3 de maio de 2009

Novas pinturas






Continuando os estudos sobre a vanitas de Philippe de Champaigne, as minhas cinco últimas pinturas da série, feitas ontem. São as de número XXXII, XXXIII, XXXIV, XXXV e XXXVI, todas no tamanho 50x60cm. Ainda não coloquei no blog a imagem da XXXI, pintada em minha última ida ao atelier do Rio, que ainda não foi fotografada.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Novos estudos (Philippe de Champaigne)




Agora em Brasília, nos estudos sobre a vanitas , volto ao tamanho de 50x60cm, e termino estas 3 telas, iniciadas antes de minha última ida ao Rio, são as de número XXVIII, XXIX e XXX. Mais telas me esperam, muitas ideias. A cada nova tela, ao repetir a mesma estrutura da tela do Philippe de Champaigne não me sinto repetindo, não me sinto preso, pelo contrário; me sinto como o agricultor que traça no solo uma estrutura ancestral para sobre ela ver brotar o inesperado de novas vidas.

domingo, 29 de março de 2009

Mais 2 Estudos sobre vanitas



No Rio, no atelier no prédio art-decô da Praia do Russell, tenho mais (um pouco de) espaço, e posso fazer os estudos da vanitas de Philippe de Champaigne em tamanho maior: 1m x 80cm. A proporção entre altura e largura da tela também é mais favorável, e os objetos sobre a mesa de espalham mais. Há uns bons 6 meses que eu não ia a este atelier, e olhando as últimas telas inacabadas tenho vontade de queimá-las; realmente a pintura é uma coisa que se conquista no trabalho, a cada dia; e nestes últimos meses eu pintei muito, em Brasília, nas telas 50x60cm e, em 2009, nos estudos das vanitas; assim as últimas telas meio mal paradas do atelier do Rio ficaram lá atrás em uma estrada onde eu tanto caminhei. Não seja por isso, duas inacabadas (ou apenas iniciadas) são a base para os dois novos estudos, os de número XXVI e XXVII.

sexta-feira, 27 de março de 2009

As vanitas (mais Philippe de Champaigne)





Continuo nos estudos sobre aquela vanitas clássica do pintor Philippe de Champaigne, as ideias novas aparecem, a partir da pintura, a partir do conceito, e é facil ver as duas vertentes; minhas ideias me trazem ao formato dos quadrinhos, do cineminha de tantos desenhos; parti para anotar as ideias, antes em papeis soltos, em telas em branco, sobre elas pinto, enfim (essa vertente aparece nesta ultima tela que mostro aqui, e aparecerá em outras que ainda estão inacabadas). Por outro lado, a pintura, em si, me leva a outros desenrolares. É como o Ivan Serpa, ao dizer que sentiu o gosto do azul, eu sinto o gosto do magenta ao lado do vermelho, do azul ao lodo do verde com uma separação em laranja, enfim... O resultado são pinturas, que se acumulam em meu pequeno apartamento de Brasilia, que breve poderão estar ocupando todos os espaços deste apartamento e que não me deixarão descansar até tentar tudo, seguir pelo pictórico e/ou pelo racional, enfim, "para isso fomos feitos: para lembrar e ser lembrados, para chorar e fazer chorar, para enterrar os nossos mortos" como escreveu Vinícius de Moraes no Poema de Natal.
Estas então são as XXII, XXIII, XIV, XV, da sequencia... e muitas mais virão...