terça-feira, 1 de setembro de 2009

Rio, Zona Sul, exposições


No Rio, lindos dias de uma primavera precoce, e uma boa programação cultural.
Hoje, duas aberturas de exposições em galerias no eixo Ipanema-Leblon, além da festa de abertura da Casa Cor, na Gávea. Sim, decoração também é cultura, e além do mais a Galeria de Arte da Casa Cor deste ano está sendo produzida pela Belvedere, curadoria do artista e arquiteto Alessandro Sartore, com 7 programações diferentes durante o período do evento; na abertura, coletiva dos artistas João Magalhães, Daniel Lannes e Bruno Miguel, uma ótima escolha, artistas que tem em comum trabalhos de grande qualidade.

Na Galeria de Arte Ipanema, a artista paulista Célia Euvaldo expõe telas em grandes dimensões, monocromáticas, com texturas fortes e vigorosas. São as "manchas negras", telas recobertas de tinta negra com apenas pequenas partes do suporte branco à mostra; o ritmo é dado pelas texturas, pelo ato de "esfregar" a tinta em direções diferentes, criando diferenças na "tonalidade" das áreas pretas na medida em que elas refletem de forma diferente a luz ambiente. E as telas brancas, inclusive algumas pequenas, onde a tinta usada é branco sobre o suporte também branco, e a diferenciação das áreas de textura vem da sombra. Segundo Ronaldo Brito, que assina a apresentação do catálogo, "a obra de Celia Euvaldo é austera e casual. A artista varre a tinta espessa, o óleo preto ou branco, e raspa com o rodo certas áreas do quadro até deixá-las lisas e compactas. Duas e só duas operações resumem, portanto, o seu labor, a um tempo bem físico e ascético". Sim, ascticismo é bem a palavra para descrever a exposição, além de austeridade, vigor e precisão.

Já na exposição da artista Rosana Ricalde, na Galeria Arte em Dobro, uma das palavras também é certamente precisão, vinda de uma execução minuciosa, delicada, perfeita, precisa; porém a outra palavra é lirismo, uma visão holística de forças da natureza e do homem, uma visão poética em arte visual e uma poesia que é visual: as palavras são linhas que formam as ondas de mares azuis; e estas palavras, lidas, descrevem verbalmente os mares que visualmente desenham. É um trabalho de forte cunho conceitual, porém nada frio e sim impregnado do lirismo, da beleza, dos azuis; e onde o conceito é conceito e é também matéria; a palavra é o que significa e o que é visualmente. Os livros com mapas são "desidratados", e os mapas perdem os oceanos, que são recortados, e se transformam em terras compactas formadas por sobreposição das folhas dos diversos mapas; ou, pelo contrário, são as terras que são eliminadas, e a sobreposição dos oceanos das diversas folhas também forma ondas, chegando a uma representação tridimensional de um mar que é a soma, a síntese de todos os oceanos daquele mapa. Outra palavra seria sinestesia, a percepção do mar se torna mais completa pois "vemos" as ondas e "lemos" seus nomes; e neste ir e vir (como as ondas), o trabalho cresce ao dialogar com o espectador e lhe propor sempre novos significados.

Registros dos vernissages no site Só arte Contemporânea, do fotógrafo Odir Almeida

2 comentários:

aurora disse...

olá Jozias, adorei, eu texto realmente vem de encontro ao meu pensamento.abs e obrigada

ROSANE CHONCHOL disse...

o que me resta dizer? MUITO BOM, MUITO BOM MESMO ESSE BLOG