quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Ainda Jeff Koons no Roof Garden do Met...




Três ângulos da escultura de um coração embrulhado para presente, do Jeff Koons, que esteve no Roof Garden do Met em NYC até outubro. Uma resenha creditada ao NYTimes (recebi por email) bem interessante (abaixo) mostra alguns senões à mostra, porém focados na localização ingrata para as obras:
"NOVA YORK - Com uma vista de tirar o fôlego, traçando um panorama do Central Park e do horizonte de Manhattan, o jardim no telhado do Metropolitan de Nova York, denominado Cantor Roof Garden, poderá surpreender o visitante como um excelente lugar para abrigar uma exposição de esculturas ao ar livre, como acontece todos os anos. Na verdade, trata-se de um lugar inóspito para esculturas, como demonstrado pela exposição de 2008, aberta nesta terça-feira, 22: três belos e inéditos trabalhos do conceituado artista pop Jeff Koons.
"Cada uma das esculturas é uma representação ampliada de algo menor em aço inoxidável, polido e laqueado - um cão de brinquedo feito de balões, um coração do dia dos namorados embalado numa folha metálica e a silhueta do 'leitão', de um livro de colorir do 'Ursinho Puff', como se estivesse pintado ao acaso por uma criança pequena.
"São trabalhos expressivamente travessos. Com suas partes pneumáticas, em forma de salsicha, Balloon Dog (amarelo) é um astuto cavalo de tróia: parece inocente, mas é carregado de estética e perversidade erótica. Sacred Heart (vermelho/dourado) comenta de maneira incisiva a mudança comercial no significado de uma experiência emocional e religiosa. Coloring Book reflete a obsessão jovem e a infantilidade da cultura e sociedade moderna.
"Mas localizados num pátio sem definição arquitetônica, onde também se vêem áreas ocultadas pelos proprietários do Roof Garden Cafe, as esculturas se tornam acessórios decorativos. O maior problema é a escala. Visto numa galeria interna, o brilhante Balloon Dog metálico, que atinge cerca de 3 metros de altura em seu ponto mais alto, poderia ter uma imposição diferente. No teto, parece ter seu crescimento impedido pelo céu; no aberto, poderia se expandir para o espaço, no sul e oeste do museu.
"A intimidade das esculturas de Koons também é diminuída. A atenção perfeccionista aos detalhes é um dos aspectos mais convincentes de seus trabalhos: note o exato laço que serve como nariz para o cachorro em forma de balão, ou as marcas de dobras e pregas no coração embalado.
"O ambiente que causa distração, porém, impede um olhar mais cuidadoso.
"Devido ao fato de ser a maior e mais simples escultura, Coloring Book é o trabalho que menos sofre com a inferência do ambiente. Mas também é o menos interessante do ponto de vista formal, contornado irregularmente com cores transparentes e aquosas.
"Local à parte, as esculturas de Koons permanecem como objetos intelectualmente excitantes, que aguçam os sentidos - Balloon Dog é a obra-prima - e valem uma visita sob qualquer circunstância."

Mesmo reconhecendo a pertinência das críticas, eu continuo achando que foi uma exposição maravilhosa... e uma ótima happy-hour...

Cantareira


Da série "Thesouro da Juventude", foto de uma proposta de instalação para o evento do Grupo Pyrata nas Barcas Rio-Niterói em 2005. Até a realização do evento mudei muito a proposta, a instalação finalmente realizada se ampliou até se tornar uma "sala de leitura" no 2º andar da Barca, assim este trabalho que publico aqui ainda permanecia inédito.

A Difficuldade do Barqueiro (série “Thesouro da Juventude”)
Três livros, com interferências em desenho, de uma velha edição do Thesouro da Juventude, abertos em páginas com imagens das “Bellezas Architectonicas do Rio” e da “Praia de Icarahy (Bellas Praias perto das Grandes Cidades)”, mediadas por uma fábula sobre “A difficuldade do barqueiro”.
Os 3 livros são apresentados abertos, em seqüência, da esquerda para a direita:
a) Volume 17, pág. 5358-5359 - “Bellezas Architectonicas do Rio”
b) Volume 16, pág. 5210-5211 - “A difficuldade do barqueiro”.
c) Volume 14, pág. 4488-4489 – “Praia de Icarahy (Bellas Praias perto das Grandes Cidades)”
A única exigência em relação à montagem é que esta seqüência na posição horizontal seja obedecida, dependendo do espaço disponível será definida a melhor opção para a montagem final. Dimensões do trabalho: 90 cm x 24 cm (l x a)

Pelo amor de Deus...




Três imagens de "For The Love of God", escultura produzida pelo Damien Hirst em 2007, e que é talvez o "memento mori" mais famoso deste milênio. É um crânio de um homem europeu que viveu entre 1720 e 1810, inteiramente recoberto de platina (exceto os dentes, que são os originais) incrustado com 8.601 diamantes perfeitos, incluindo um diamante rosa em forma de pera que fica no fronte do crânio, no total de 1.106,18 quilates. É a obra de arte mais cara jamais criada, com um custo de produção de cerca de 14 milhões de libras esterlinas, e teria sido vendida, para um consórcio de compradores anônimos, por 50 milhões de libras (embora haja comentários de que esta venda nunca teria sido realizada, seria uma forma de aumentar os preços de todos os trabalhos do artista, com quem a obra permaneceria).
O título da obra teria sido inspirado em um comentário da mãe do artista: "Pelo amor de Deus, o que você vai fazer agora?"
E o crítico Richard Dorment, do Daily Telegraph, escreveu: "Se qualquer um exceto Hirst tivesse feito este curioso objeto, estaríamos atônitos ante sua vulgaridade. Parece o tipo de coisa que Asprey ou Harrods poderiam vender para crédulos visitantes vindo dos países produtores de petróleo, com ilimitadas quantias de dinheiro para gastar, pouco gosto e nenhum conhecimento de arte. Posso imaginá-lo enfeitando a sala de estar de algum ditador africano ou barão do tráfico de drogas colombiano. Mas não foi feito por qualquer um - Hirst o fez. Sabendo disso, olhamos para ele de uma maneira diferente, e compreendemos, na forma mais direta e brutal possível, que "For the Love of God" questiona alguma coisa sobre a moralidade da arte e do dinheiro." (clique aqui para a crítica completa, é bem interessante)

7 Habsburgos e Braganças


Pintura feita em novembro, 50x60cm. Parti dos losangos, e do verde-amarelo. O verde dos Bragança e o amarelo dos Habsburgo, que se juntaram na bandeira do Império Brasileiro e foram mantidos na bandeira positivista da República Brasileira.
Mesmo aqui, na Brasília modernista, o verde dos Bragança e o amarelo dos Habsburgo foram incluídos por Lucio Costa e Niemeyer na Praça dos Três Poderes, com o jardim de palmeiras imperiais e o jardim de ipês amarelos flaqueando o Congresso Nacional (ao que consta a partir de sugestão do Le Corbusier).
As 7 caveiras vieram das "vanitas".
O título, "Os sete Habsburgos e Braganças", surgiu depois da pintura terminada. Tive curiosidade de pesquisar sobre quem seriam os personagens que eu tinha retratado de forma meio inconsciente, e vi que o matrimônio imperial de D.Pedro I com a Arquiduquesa Leopoldina da Áustria gerou exatamente 7 filhos:
1) D. Maria II, rainha de Portugal (1819-1853), casada por procuração com seu tio, D. Miguel I, rei de Portugal, em primeiras núpcias com Augusto de Beauharnais, duque de Leuchtenberg, e em segundas núpcias com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, rei consorte de Portugal;
2) Infante D. Miguel de Bragança (1820), príncipe da Beira;
3) Infante D. João Carlos de Bragança (1821-1822), príncipe da Beira;
4) D. Januária Maria (1822-1901), princesa imperial do Brasil, casada com o príncipe Luís de Bourbon e Duas Sicílias, conde de Áquila;
5) D. Paula Mariana (1823-1833);
6) D. Francisca (1824-1898), princesa do Brasil, casada com o Francisco Fernando de Orléans, príncipe de Joinville;
7) D. Pedro II (1825-1891), imperador do Brasil, casado com D. Teresa Cristina de Bourbon e Duas Sicílias, princesa de Duas Sicílias.
...embora eu não tenha planejado, estes são, portanto, os 7 Habsburgos e Braganças...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Da série "A cidade modernista"






São 4 pequenas telas (20x20 e 30x30), de 2006, pintadas logo que cheguei em Brasília. Na época eu estava estudando sobre o modernismo, como movimento artístico e na arquitetura, e especificamente sobre o projeto de Brasília, uma Utopia modernista. As pinturas refletem isso, e o clima soturno o momento de solidão e recomeço de minha vida. Hoje, as telas da série (que continua) são mais coloridas, com tintas metálicas, e a atmosfera já é outra.

Um trabalho apenas iniciado


Parece pronto, por isso eu deixei de lado há algumas semanas a tela de 50x60. Bonito, as cores falam entre si. Olho para a tela, e sei que isso é apenas o começo: os retângulos traçados, a carvão, com informalidade; as cores; as manchas, pingos e escorridos de tinta... Vou retomar a tela, e quem sabe quando eu poderia dizer "está pronto..." ? Ou não, e o trabalho apenas iniciado já está pronto mesmo.

Um quarteto (e um dois de ouros)


Pintura de novembro/2008, o quarteto podem ser os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, a Gang of Four, os Beatles, ou os 4 Seasons... tela 50x60, e os naipes aparecem comedidos, como um dois de ouros invertido, apenas um pretexto para aparecerem os ubíquos losangos...

Os trigêmeos Habsburgos


São trigêmeos, ou apenas três irmãos mesmo. A linhagem está explícita no losango amarelo, a cor dos Habsburgos que continua na bandeira da república brasileira. Meu analista talvez dissesse que há algo meio óbvio, já que eu sou um de três irmãos (tenho duas irmãs). O tamanho é o básico 50x60, e é de outubro/novembro/2008.

Outra foto de NYC


A data é setembro/2008. O local, uma das galerias novas e poderosas no Chelsea, NYC. O trabalho é de um artista chinês (todos para mim com os nomes muito parecidos). Devo ter tudo anotado, acho eu, e fico devendo: nome da Galeria e do artista, e o outro dever de casa meu é ver se este artista esteve nas duas exposições de artistas contemporâneos chineses no Brasil (CCBB e MASP, veja post abaixo). Provavelmente não. Minha suspeita é que o mercado internacional de arte descobriu na China um estoque imenso de artistas que produz a preços relativamente baratos e que, com divulgação, podem estourar nos leilões internacionais, algo muito semelhante à produção chinesa de camisas, brinquedos ou outros produtos que, usando insumos baratos, um pouco de trabalho escravo, fraco controle de qualidade etc. etc. etc. inundam as lojas de 1.99 do mundo globalizado inteiro. O pulo do gato do mercado de arte é que os produtos artísticos chineses, a partir da apropriação por este circuito de arte, deixam as lojas de 1.99 e caem na Sotheby's ou na Christie's, se transformam em "luxury goods", com lucros exponencialmente maiores do que as pobres camisas e brinquedos. Bom, mas de qualquer forma o resultado que se é muito melhor que a arte do camarada Mao (não o Mao do Andy Warhol, claro, o do livrinho vermelho).

Jeff Koons e eu...


Meu reflexo em umas das esculturas monumentais do Jeff Koons, no rooftop do Met, em NYC, no setembro passado. Uma tarde de sol, a bolsa caíndo na maior recessão desde 1929, um setembro negro, mas NYC ferve, como sempre, e as esculturas do Jeff Koons parecem dominar a cidade.
Melhor que esta "pequena" exposição, só o Jeff Koons em Versailles, que eu adoraria ir ver, é meu sonho de consumo mas... acaba dia 4 de janeiro de 2009... então só vendo no site... O catálogo ainda não saiu, a previsão é março 2009, mas eu já encomendei na Amazon (US$ 53.55 em pré-venda). Jeff Koons e Versailles são a combinação perfeita, um casamento "made in heaven" como o de Jeff K. e Cicciolina...

Uma pintura recente


Uma tela no meu atual tamanho básico (50x60), de novembro. O título é "Tu (pisavas os astros distraído)". Os losangos cedem a cena para as esferas douradas, que são planetas, com direito aos anéis de um pequeno Saturno. As caveiras das vanitas se alinham como os quatro pontos que marcam uma cruz (ou como a marcaçao original do Lúcio Costa ao criar o Plano Piloto). E o "personagem oculto" (o "Tu") é masculino mesmo, o "distraído" não é um erro de digitação.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Antonio, expondo em São Paulo


Meu amigo de São Paulo, Antonio Sobral, artista visual e cineasta e uma pessoa fantástica, está abrindo uma exposição esta semana. O trabalho dele é muito bonito, não conheço estes últimos mas certamente vale à pena ver. Boa sorte, Antonio.

Exposições em São Paulo

Em 21 e 22 de novembro fui a São Paulo, para a maratona de exposições.

O MASP, cuja programação raramente compensa os R$15,00 da entrada, desta vez estava valendo: além de outra exposição temática sobre o acervo (desta vez auto-retratos) - sempre é bom rever e sonhar com um tempo em que o mecenato brasileiro podia comprar Van Gogh, Rembrandt, Rafael, Gauguin, Monet, diga um nome... Mas o que valeu a entrada é uma exposição sobre arte contemporânea chinesa (China: Construção – Desconstrução), com um bom catálogo. Um dever de casa que ainda não fiz é uma comparação entre os nomes desta exposição (16 artistas) e os da exposição de alguns anos atrás no CCBB. Os artistas desta exposição são: Wang Qingsong, Yin Zhaoyang, Chen Bo, Wang Chengyun, Ma Jawei, Qiu Xiaofei, Ai Weiwei, Yin Xiuzhen, Xiong Yu, Zhou Wenzhong, Mao Yan e Liu Ding.
Na OCA (Parque Ibirapuera), uma exposição comemorativa dos 60 anos de MAM-SP. Excelente exposição, embora o andar térreo esteja com uma distribuição meio confusa, a qualidade das obras expostas é enorme. Muita coisa boa, mais de 500 obras em exposição, além do aspecto documental. Ao meu ver um dos pontos altos da exposição é rever a série trágica, do Flávio de Carvalho (que na verdade não está mais com o MAM e faz parte das obras do MAM doadas pelo Cecílio Matarazzo à USP, na manobra até hoje mal explicada que quase acabou com o Museu, que só a muito custo conseguiu, depois, se reerguer). Destaco também uma sala linda, em volta de vários trabalhos do Leonilson, perto de outra sala com várias Mira Schendel. Como se não bastasse, no subsolo um magistral ambiente do Frans Krajcberg, com várias esculturas enormes de madeira queimada e fotos contra a destruição do meio ambiente.

MAM-SP Depois de ver a exposição dos 60 anos do MAM, o próprio MAM ainda oferece coisas surpreendentes: o Projeto Parede, desta vez um belo mural do Barrio. Uma "exposição de curador" - "Cover = Reencenação + Repetição" (interessante, bom catálogo). E uma retrospectiva, com um bom catálogo, do músico suíço Walter Smetak (1913-1984), que se radicou na Bahia, foi citado por Caetano Veloso, Arto Lindsay (um dos curadores da mostra, com Jasmin Pinho), influenciou vários grupos musicais. Para mim uma surpresa ver que além de importante como músico, ele era um escultor, produzindo instrumentos musicais com sons diferentes e que funcionam como escultura, onde o espaço é conquistado pelo visual e pelo auditivo. Algo na linha do que hoje é feito pelo Chelpa Ferro, Paulo Vivacqua, Paulo Nenflidio e outros. E, na lojinha, uma barganha: "Abdias Pequeno", um múltiplo em resina do Sérgio Romagnolo (pequeno sim, cerca de 20cm de altura), com tiragem de 150 exemplares, por incríveis R$95,00.

28ª Bienal de São Paulo, a Bienal do Vazio. Bom, realmente, a visão do vazio do 2º andar é impressionante. Porém no final da visita fica muito pouco. Para mim, que amo pintura, é pouco ver apenas uma pintura (a pintura do chão da Dora Longo Bahia), bonita, e feita para ser pisada...

No CCBB, uma exposição, "Sobrevivência", de Eduardo Srur, na verdade espalhada por diversos monumentos públicos na cidade (um deles eu vi de perto, no Parque Trianon em frente ao MASP). São vinte e cinco esculturas “vestidas” com coletes e bóias salva-vidas, produzidos em escala proporcional a cada uma delas. E Brasil Brasileiro, que procura "festejar o conceito de brasilidade". Uma instalação do Nelson Leirner, no vão central, mostra uma "praia", com bananas e guardas-sol... Uma trilha sonora agradável, com músicas brasileiras, e é bom ver ou rever os Volpi, Guignard, Leonilson, Bonadei, Gerchman, Tarsila... pena: não tinha (ainda?) catálogo.

Na Pinacoteca de São Paulo uma retrospectiva da Maria Bonomi ("Gravura Peregrina"), muito bonita. Um trabalho forte, monumental. Ainda: instalações da artista espanhola Cristina Iglesias, "Eliseu Visconti: Arte e Design" e uma retrospectiva do (para mim desconhecido) modernista paulista Leopoldo Raimo.

Na Estação Pinacoteca, a razão maior de minha ida a SP, a exposição da Beatriz Milhazes. Um colírio para os olhos, um refrigério para a alma... A instalação nas janelas da sala do meio são vitrais de uma catedral pós-moderna, brasileira, universal. Um excelente catálogo. Além da Beatriz e do bom acervo (coleção José e Paulina Nemirovsky), uma boa exposição sobre artistas mexicanos ("A Era da divergência: Arte e cultura visual no México 1968 – 1997")

Paralela 08 nos galpões do Liceu de Artes e Ofícios, um espaço incrível, correndo em paralelo com a Bienal, com curadoria de Rodrigo Moura e organizada por 11 galerias paulistanas. É a quarta edição do evento e reúne obras de 61 artistas. Batizada pelo curador com o nome “De Perto e de Longe”, título emprestado de um livro de Claude Lévi Strauss, a “Paralela” conta com obras produzidas desde a década de 1970 e investiga o interesse dos artistas pela idéia de “lugar”. Uma excelente exposição, trabalhos com altíssima qualidade, difícil destacar alguns poucos sem cometer injustiças mas vamos lá: a instalação do Nuno Ramos (um trágico Goeldi ampliado - algo para uns 2x3m - cavado no chão e cheio de óleo queimado). O ambiente penetrável do Ernesto Neto. A cascata de garrafas PET da Márcia Xavier (na minha visita, um violento e inesperado temporal, entrando nos galpões em alguns lugares, ecoava a cascata). Um ambiente monumental, imenso vazio, com esculturas do Efraim Almeida. As "vanitas" do Saint Clair Cemin. Os quadros-letreiros do Rodrigo Matheus. Um cisne-escultura da Erika Verzutti. As pipocas de cerâmica espalhadas pelo chão, pisadas, presenças discretas, da Débora Bolsoni. A Paralela, ao contrário da Bienal, mostra como bem preencher um vazio, com trabalhos de qualidade, montagem sobria e uma proposta instigante.

Vanitas


Um dos temas que persigo (ou que me persegue) é o da "Vanitas", as vaidades, as caveiras e outros símbolos a nos lembrar sempre que tudo é vaidade e só a morte é a permanência. Este trabalho é de setembro/2008, 40x50cm, chamado "Vanitas (com um quatro de ouros)", e os naipes de cartas são uma referência ao acaso, que também conduz nossas vidas. Uso muito estes naipes, o losango "em pé" do naipe de ouros. Em diversos trabalhos os losangos se transformam em outros elementos, como: as colunas do Palácio da Alvorada; balões meio Volpi meio Guignard; os losangos dos Habsburgos (que continuam na bandeira da República brasileira); diamantes; os losangos da roupa do Arlequim, que aparecem em Picasso e Bracque, e outros elementos.

domingo, 30 de novembro de 2008

O segundo cigano esbofeteado (o cenário)


Retomando o tema do cigano esbofeteado, agora em uma cenário noturno, com estrelas, uma meia lua e as colunas do Palácio da Alvorada. As referências são (acho) bem claras, ao modernismo, Volpi, Guignard, Athos Bulcão... A tela está assim, pouco mais que iniciada, as cores fortes do iníco já foram rebaixadas com uma velatura de cinzas, as estrelas e as colunas já traçadas em branco bem aguado, à espera do Cigano que hoje, daqui a pouco, começará a habitar seu cenário.

Cancion del Gitano Apaleado


"O Cigano Esbofeteado", 50x60, set-out/2008. Estou trabalhando atualmente em outro cigano esbofeteado, desta vez um noturno. A inspiração para a imagem do cigano esbofeteado é um poema de Federico Garcia Lorca:

Cancion del Gitano Apaleado

Veinticuatro bofetadas.
Veinticinco bofetadas;
después, mi madre, a la noche,
me pondrá en papel de plata.

Guardia civil caminera,
dadme unos sorbitos de agua.
Agua con peces y barcos.
Agua, agua, agua, agua.

!Ay, mandor de los civiles
que estás arriba en tu sala!
!No habrá peñuelos de seda
para limpiarme la cara!

Série Calendário


Uma pintura da série "Calendário", como estava ontem, 29/11. Ainda não pintei o quadrado de hoje. Iniciei este calendário em 13/10, e não há regra para os dias - apenas registro os dias que quero registrar. O plano é acabar em meados de dezembro. O tamanho é 50x60, que é meu tamanho padrão aqui em Brasília - o espaço no Planalto é amplo, mas meu espaço para pintar é bem reduzido...

sábado, 6 de outubro de 2007

Ponte JK

Somente estes dias eu descobri que a Ponte JK, em Brasília, não é um projeto do Niemeyer (que alias faz críticas a este projeto) e sim do arquiteto Alexandre Chan, também autor do projeto do Piscinão de Ramos...
A Ponte é monumental, e domina a paisagem deste trecho do Lago Paranoá. Minha primeira sensação ao vê-la foi a de que as pontes sempre foram tradicionalmente estruturas quase bidimensionais, "chatas", e que esta era a primeira ponte pensada tridimensionalmente, como uma escultura...
Foi inaugurada no final de 2002, portanto a mais nova das três pontes sobre o Lago Paranoá, o que faz com que os moradores a chamem também de Terceira Ponte (isto me causou uma gafe, logo que cheguei em Brasília, quando fui visitar um amigo, Léo, que me deu por telefone a indicação de que, de onde eu estava, deveria pegar a L4 e a Terceira Ponte. Para mim o conceito de terceira não seria nunca um conceito cronológico, afinal eu não havia visto a construção da primeira, da segunda e da terceira... e sim um conceito espacial, e lá fui eu pela L4 contando: primeira, segunda, terceira... e fui parar no extremo oposto do Lago, exatamente na chamada "primeira" - cronologicamente - ponte, a Ponte das Garças, ou Ponte Presidente Médici. Entre JK e Médici está a Ponte Presidente Costa e Silva - homônima da Ponte Rio-Niterói - esta sim um discreto projeto do Niemeyer).
É hoje um cartão-postal e um dos símbolos de Brasília, miniaturizado em lembranças de lojas de turistas ao lado de bibelôs de outras obras criadas pelos modernistas Niemeyer (Catedral, cúpulas do Congresso, colunas do Alvorada...), Lúcio Costa (o traço de avião do Plano Piloto), Bruno Giorgi (os Candangos, o Meteoro)... E o fato de Brasília ter este novo símbolo não mais modernista mas ao meu ver totalmente pós-moderno, uma apropriação do traço livre do Niemeyer, tão coerentemente Niemeyer que me enganou... isso mostra que Brasília cresceu além do modernismo, para o bem ou para o mal (para desgosto dos puristas) e adquiriu uma personalidade própria, diferente do planejado... Além disso, a Ponte JK possibilita o acesso a uma nova Brasília que, tembém além do planejado, vem introduzindo uma nova forma de morar para a classe média, os condomínios irregulares ou em fase de legalização, mas isso já é outra história...

terça-feira, 29 de maio de 2007

Fotos do Jardim do Poder, no CCBB/BSB




A instalação de Regina Silveira (Mundus Admirabilis) no Pavilhão de Vidro, Sergio Romagnollo e eu, e uma foto ruim da maravilhosa instalação da Laura Lima (Galinhas de Gala, que ao meu ver é a obra que melhor capta as "razões por que Brasília foi historicamente comparada a Versalhes"...)

Jardim do Poder, no CCBB/BSB



A exposição, segundo seu curador, Felipe Chaimovich, "está ordenada como um jardim simétrico, consagrado como 'jardim à francesa' a partir do século XVII. O principal exemplo dessa espécie de paisagismo é o parque de Versalhes. O Eixo Monumental de Brasília espelha a mesma concepção paisagística do jardim à francesa, uma das razões por que Brasília foi historicamente comparada a Versalhes". Participam da exposição: Chelpa Ferro, Gê Orthof, Iran do Espírito Santo, Laura Lima, Lia Chiara, Marcelo Cidade, Marepe, Paulo Bruscky, Regina Silveira (com uma instalação no Pavilhão de Vidro) e Sérgio Romagnollo. O projeto expográfico é de Felipe Tassara. Uma boa exposição. Na foto, o casal entra no espaço da instalação de Gê Orthof.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Em Brasília


Em Brasília, exposição da coleção de Lily de Carvalho, no Museu Nacional, os quadros meio perdidos na arquitetura majestosa do Niemeyer. Um lindo Mabe.
No Museu de Brasília, parte do excelente acervo confinada em uma sala pequena, enquanto os artistas de Brasília ocupam a maior parte do espaço com instalações etc.
No CCBB, que faz a diferença em BSB, rever o Jardim do Poder.
Lindo sábado, sol, temperatura amena, ainda não tão seco. Acredito que haja algum movimento de artes visuais nesta cidade, talvez ligado à UNB, mas ainda não consegui descobrir, um dia talvez eu ache.
Um lindo Museu, o do Niemeyer, porém sem nenhum acervo e de difícil adequação a exposições.
Um simpático Museu, o de Brasília, pouquíssima visitação, excelente acervo, instalações mal conservadas e prováveis falhas em segurança. Tremo de pensar que a linda tela de Iberê Camargo deve dormir no prédio mal viagiado e com infiltrações. A tela da Beatriz Milhazes tem um decascado justo em um campo cor de rosa forte.
Enfim.

domingo, 13 de maio de 2007

No Rio...

Fim de semana no Rio.
Exposições: Nelson Leiner na Silvia Cintra, Cinthia Marcelle na Box 4, Mollica (Ressonâncias) na Galeria 90, Gastão Manoel Henrique na Anna Maria Niemeyer, acervo na Filial da Anna Maria Niemeyer da Praça Santos Dumont (o destaque é para uma pintura óleo sobre tela, grande, do Rodrigo Andrade, O Cubo Preto) e Marcos Veloso na Mercedes Viegas.
No MAM, Caetano de Almeida e as novas aquisições da Coleção Gilberto Chateubriand.
Espero ter tempo, depois, de escrever um pouco sobre cada uma delas.
E... lindos dias, frio, sol, como só o Rio de Janeiro (que continua lindo) tem...

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Virada Cultural e outros

Um bom final de semana em SP. A Virada Cultural, sem dúvida um sucesso, mesmo com o quebra-quebra do show dos Racionais (não sei o que está na cabeça de organizadores de eventos que imaginam que show dos Racionais possa transcorrer sem problemas...). O Centro de SP cheio de gente de todas as tribos, policiamento na medida, tudo muito civilizado... Vi os shows da Praça da Sé (Alceu Valença, Andrey Tosh e Nação Zumbi) e nos intervalos belisquei os DJs do Pátio do Colégio. Domingo fiz uma programação mais light, mas a programação continuou, espalhada pela cidade, bem diversificada e com ótima audiência. Um sucesso. Ainda na programação da Virada Cultural, uma exposição no SESC Cultural sobre Mulheres e a abertura, na Pinacoteca, de uma retrospectiva da Niobe Xandó, com a presença simpática da artista, bem velhinha mas sorridente e amável... No por-de-sol do domingo, subi ao teto de um prédio altissimo nos Jardins, e de lá ficamos vendo a cidade até o horizonte, até onde a vista alcança, como se não houvesse mais natureza que não o Ibirapuera ou o paisagismo dos prédios, como se toda a natureza do mundo fosse "construída" e não "natural".

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Em Sampa novamente

Ontem, Campinas, à noite, a impressão que me deixou foi a de uma São Paulo - viadutos, auto-estradas, só que sem a verticalidade de Sampa.
Reunião em um Hotel com Centro de Convenções que parecia Dubai ou uma espaçonave. E após a reunião conversar sobre Jack The Stripper com um especialista, entre outras coisas, exatamente em Jack... e sair de Campinas e voltar a SP me sentindo precisamente como a 9ª vítima do Stripper...
Hoje, ao entrar no Metrô Consolação para ir trabalhar perto da Estação da Luz, me sentir como um morador... e também me sentir como no Metrô de New York, e pensar que estar em SP é como estar en NYC só que com a vantagem de não precisar obrigatoriamente de falar em inglês...
E assim mais um fim de semana em Sampa, com vasta programação cultural a fazer.
A Virada Cultural, shows em vários lugares do Centro na madrugada de sábado para domingo. O CCBB que ficará (com o Antonio Manuel) aberto durante toda a madrugada acompanhando a Virada. Como uma "movida" madrileña, ou como estar em NYC, mas aqui, ao alcance de uma ponte aérea, uma cidade cosmopolita e que conserva algumas coisas que o Rio está perdendo.
Em SP, de novo.
Depois conto o que vi.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Na Gentil Carioca




Em 2006 estive em uma coletiva de desenho "A Educação!" na galeria A Gentil Carioca, no Rio, com este desenho sobre folhas do Thesouro da Juventude. Os desenhos foram mostrados de uma maneira bem informal, presos na parede sem molduras, e a exposição foi bastante representativa.

Leo 50 anos



A mostra “Leo, 50” apresenta 96 desenhos de Leonilson originalmente publicados na Folha de S. Paulo, entre 1991 e 1993, na coluna de Barbara Gancia. Há ainda rascunhos, esboços, objetos, pequenas maquetes e notas do diário do artista. A mostra ocorre no momento em que Leonilson completaria 50 anos. Ele nasceu em Fortaleza (CE) em 1º de março de 1957 e morreu em São Paulo (SP) em 1993. Curadoria de Ivo Mesquita (de 31/03/07, às 11h, a 03/06/07).
Leonilson 50 anos...
Incrível, o Leonilson faria 50 anos agora... os sobreviventes da Geração 80 hoje estão nesta faixa de idade, e nos anos 1980 eramos tão jovens, achamos que íamos conquistar o mundo...
Leonilson morreu muito jovem, mas o trabalho está aí, como um testemunho da fragilidade do ser humano, dos relacionamentos, da própria vida... e o trabalho frágil, feito em material tênue como o voal, como a vida, permanece, forte, como as verdades, todas as verdades...A exposição é bonita sim mas o Leonilson merece mais, uma grande retrospectiva, que não se limitasse aos desenhos feitos para ilustração da coluna da Folha de São Paulo e dos pequenos formatos e mostrasse as grandes lonas pintadas, os bordados e bordados, as instalações, o conjunto todo...
Grande Leo, de longe continua nos ensinando...

segunda-feira, 30 de abril de 2007

A Serpente





A Serpente, o trabalho apresentado como instalação e vídeo no Parque Lage em 2006... aqui o início e o final da serpente, desenhada sobre um velho exemplar do Thesouro da Juventude... A serpente que come o próprio rabo, o horus-borus, na verdade é a mesma idéia de renovação que postei outro dia com o horóscopo... é preciso sempre se renovar, com base no acumulado no passado, e sempre do velho descobrir o novo, fazer nascer das cinzas frágeis do passado que se esvai, o novo que o icorpora e o transfigura...

Itaú Contemporâneo

O Itaú Cultural, na Av. Paulista 149 (metrô Estação Brigadeiro) é um espaço imponente, instalações modernas e uma programação cultural importante. A única ressalva que eu faço (especialmente para um viajante que chegou direto do Aeroporto com uma valise no peso máximo para bagagem de mão e uma pasta cheia de papéis) é não ter um guarda-volumes. “Nem um lugar onde deixar as bagagens? Nem mesmo para clientes 5 estrelas (eu sou) ?” Não, não tinha. E o principal problema em relação a isso, ao meu ver, não é nem a comodidade do viajante, e sim o fato de que, nos dias de hoje, entrar com bolsas, sacolas e bagagens em salas de exposição vai contra todas as normas museológicas. Enfim. A exposição Itaú Contemporâneo: Arte no Brasil 1981-2006 apresenta as obras do acervo do Banco Itaú, com curadoria de Teixeira Coelho, crítico de arte e curador-coordenador do Masp, e projeto cenográfico de Bia Lessa. Bom, mais uma exposição cenográfica.
O acervo tem obras de peso, que estão apresentadas com um foco sobre a produção contemporânea. Em cada núcleo, um vídeo onde o curador fala sobre as obras exibidas e a concepção do conjunto, de forma bem didática, muito interessante. Como é interessante pensar na importância que assumiu no circuito de arte esta figura relativamente recente, o curador, que nesta exposição sai da obscuridade da coxia para se mostrar como uma obra exposta, o vídeo não apenas comenta mas está em pé de igualdade com o Tunga, o Senise, o Beatriz Milhazes, o...
Em um dos núcleos, uma surpresa que causou polêmica: as obras, em sua maioria pinturas sobre telas, estão expostas não nas paredes mas no chão. Do chão ou sobre “pontes” montadas na sala o espectador passearia entre as obras, apreendendo-as com uma visão nova, diferente da janela renascentista. O fato cenográfico teria desagradado aos artistas. É interessante sim, mas é como aquela coisa da Grande Tela na Bienal de SP de 1980 e antigamente, que reduziu as grandes telas da Geração 80 a um corredor onde estaria uma Grande Tela, esta sim obra da curadora. Claro que os artistas reagem. Ao domínio da cenografia e da curadoria. O grande público aparentemente gosta, como gosta da arte-espetáculo, como faz fila na Oca ou na Bienal o que não parece ser muito diferente do Salão do Automóvel ou da UD. E seria diferente? Difícil entender esta polêmica, pensando no "fim da arte" e em outras análises.
Polêmicas e pirotecnias cenográficas a parte, a exposição é importante e vale à pena ser vista e curtida. Um bom acervo, o do Itaú, e mostrado de uma maneira inovadora. Mas o que eu realmente registrei, em minhas pupilas cansadas após uma Ponte Aérea como sempre atrasada (e também carregando minhas bagagens como uma instalação em toda a exposição) foi uma tela, pequena, do Jorge Guinle. Sei que a exposição teve outras coisas, talvez melhores, mas, meu Deus, onde estava o Jorginho quando pintou aquela pequena tela? em que céu de Matisses, de Delacroixes, onde? um acervo que tem esta tela, e tem também um lindo João Câmara, uma linda Milhazes, um bom Tunga, uma forte Nazarteh, Varejão e outros... Bom, talvez em uma visão conservadora minha o acervo possa falar por si só...

sábado, 28 de abril de 2007

Vendo meu horóscopo

Data estelar: Vênus e Júpiter em oposição, Marte e Urano em conjunção, Lua vazia das 16h15 às 18h46, horário de Brasília.
Escorpião:
Nada voltará a ser como antes, e apesar de isso evocar uma ponta de saudade, porque você desconhece o futuro, chegará o momento, que não durará muito a vir, em que sua alma perceberá ter sido muito melhor superar o passado.
(Oscar Quiroga, www.quiroga.net)
Vale para mim e meus colegas escorpianos, mas na verdade a mensagem de se despojar do passado e entrar sem medo no futuro vale para todos os humanos...

sexta-feira, 27 de abril de 2007

O Diário Paulistano de Jürgen Partenheimer

Exposição de desenhos de J.P., artista alemão nascido em 1947, na Pinacoteca. Em 2005 o artista foi convidado para uma permanência de um mês em SP, e instalou seu ateliê no Edifício Copan. O Diário Paulistano expressa, com os desenhos e textos produzidos neste local, a angústia causada no artista pela vivência no prédio, uma obra-prima modernista, com seus 32 andares e 5000 habitantes, bem no centro da metrópole.
Os desenhos são muito bonitos e poéticos e os textos interagem bem com o visual. A angústia de habitar o Copan, de ver a paisagem entrecortada pelos detalhes arquitetônicos, da folha de papel em branco... estão lá, não como ilustrações mas como registros de uma vivência.
Uma bela exposição.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Gonçalo Ivo em Sampa


Vernissage da exposição do Gonçalo Ivo em São Paulo, na Galeria Dan, 14 de abril. Na foto, Gonçalo e eu. A tela grande ao fundo foi vendida, juntamente com outras, já no dia do vernissage. A exposição está muito bonita, o trabalho do Gonçalo se aprimora a cada dia, é um prazer acompanhar sua carreira (e ser seu amigo) desde a década de 80.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

SP ferve!

São Paulo ferve!
Fim de semana de 14-15/abril: Estive lá na abertura da exposição do Gonçalo Ivo na Galeria Dan (http://www.dangaleria.com.br/), e ainda: abertura da expo do Luiz Zerbini na Galeria Fortes Vilaça (http://www.fortesvilaca.com.br/) . Curti muito a Feira de Antiguidades da Praça Benedito Calixto (http://www.pracabeneditocalixto.com.br/). No vernissage do Gonçalo conheci pessoas interessantes, ligadas a cinema (http://www.vaziodelicado.nu/)
Fim de semana de 21-22 de abril: Centro Cultural Itaú, mostra Itaú Contemporâneo, muito boa, bom trabalho de curadoria, com a polêmica de quadros expostos no chão (http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2132&cd_materia=2255), Pinacoteca e Estação Pinacoteca, no CCBB a abertura da exposição do Antonio Manoel. E a SP-arte, ótima, onipresente, todos e todas... (http://www.sp-arte.com/) Vale à pena ver, a cada edição fica melhor, mais organizada, mais abrangente. Uma tirada, meio chocante, meio gozação, meio verdade: "vir à SP-arte é melhor do que vir à Bienal..."
Enfim, SP ferve!

terça-feira, 21 de março de 2006

Instalação "A Serpente"


Minha amiga Sra.V. vendo "A Serpente" , instalação da série "Thesouro da Juventude" na exposição A.H. no Parque Lage. São xerox de desenhos e pinturas feitas sobre um velho exemplar do livro, formando uma serpente ou dragão que se estende pelas paredes da sala.

Instalação



Meu amigo Sr.M. vendo minha instalação "A Serpente" (série "Thesouro da Juventude") na exposição A.H. no Parque Lage.

Vídeo

Exibição do meu vídeo "A Serpente" na exposição A.H. no Parque Lage

domingo, 12 de março de 2006

Arte Hoje A.H.!

Exposição A.H.


Este é o convite da exposição Arte Hoje A.H.! no Parque Lage. Participo, com um vídeo e uma instalação: o Thesouro da Juventude, volume II, A Serpente.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

999 dias 999 desenhos

Ainda os 999 desenhos em 999 dias
O de hoje, número 893, é uma homenagem ao São Sebastião, Santo de hoje, padroeiro do meu querido Rio de Janeiro.
Um lindo feriado de sol!

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Thesouro da Juventude



Técnica mista sobre páginas do Thesouro da Juventude (Vol. I). A foto do olho é um trabalho da artista Deborah Engel.

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Thesouro da Juventude

Ele fez a minha cabeça, quando criança, e também a cabeça de milhares de "baby-boomers": o Thesouro da Juventude. Uma enciclopédia ilustrada que apresentava ciência, arte, religião, história, literatura, diversão, e principalmente muita ideologia e moral da época, com muitas ilustrações e um estilo fácil e agradável. Para as crianças pré-internet ele era tudo, a fonte do saber, o companheiro, o mestre.
Os meus (capa azul) eu já perdi nas muitas mudanças e altos e baixos pelos quais minha família passou. Mas há uns 10 anos comprei em um ambulante de livros uma coleção, mais antiga que a minha (de capa marrom). O objetivo: um pouco a madeleine de Proust, relê-lo, reviver minha infância... Mas não fiz nada, pouco tempo, a informação defasada e o estilo que agora me parecia ridículo, reduziram a coleção a um trambolho em uma estante em meu quarto.
Até que agora eu me encantei de novo por ele. Estou abordando-o, de outras formas. Uma delas é o BLOG que abri, com trechos dele. Um a cada dia. Iniciando com a pergunta filosófica básica: "Por que morremos?" (do "Livro dos Porquês"). E apresentando: transcendência, boas intenções, literatices, racismo, otimismo, machismo, tudo o que fez o pano de fundo ou a super-estrutura dos anos 1950, 1960...
Hoje anacrônico, ele nos mostra um século que se acabou mas que de certa forma está presente no novo século marcado pela queda das torres gêmeas. E ver este mundo no microscópio que pretende ser este BLOG é de certa forma relativizar as certezas deste século em que estamos e que é tão cheio de certezas.
Endereço do BLOG:
http://thesouro.blogspot.com/

domingo, 17 de julho de 2005

Outro Quiz... Deuses Gregos...

Take the quiz: "In ancient greek mythology, who are you related to?"

Posieden
You're the god of water and hate it when people get in your way. Revenge is your thing

Que Deus sou eu?

Take the quiz: "Which God or Goddess are you?"

God of Emotions
Bipolar. You are the master of mood swings. You have trouble making up your mind though you are often mistaken for a normal teenager. Most of the time you are of good nature, but when that nasty mood hits, you'll take it out on the nearest person. You are the one who created emotions and you got more than anyone else.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

Um poema de Mario Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2004

Artistas

Os artistas são os guardiões das fronteiras de um reino situado além da sociedade administrada, em paragens não mais alcançadas pelo poder interpretativo das instâncias política e econômica.(...)
Os artistas criam um território livre de dominação e, com isso, um mundo contraposto ao mundo real: um mundo do vazio, do silêncio, da parada reflexiva, na qual o delírio que nos circunda é suspendido por um instante.
(Alfons Hug, curador da 26ª Bienal de São Paulo)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

São São Paulo

Neste final de semana que passou, finalmente fui a São Paulo para ver a 26ª. Bienal.
O que destaco: de longe a melhor coisa da Bienal, o ateliê do Paulo Bruscky.
Em pintura: Beatriz Milhazes, Neo Rauch, Albert Oehlen (Alemanha), o belga Luc Tuymans, a dupla austríaca "climática" Muntean e Rosenblum. O pós-comunista Pavel Pepperstein é interessante mas como pintura deixa a desejar. Os retratos duplos (pintor pinta camponês, camponês pinta pintor) do chinês Chen Shaofeng são interessantes (alguns trabalhos de camponeses são "melhores" como pintura que os realistas trabalhos do pintor). Alguma coisa de um trio de artistas da República Eslováquia que pintam em conjunto ("Three of a nice pair" – Ivan Csudai, Stanislav Diviš e Laco Teren).
Uma vídeoinstalação apenas me prendeu a atenção, do francês Melik Ohanian, uma sucessão de desastres impressionantes, em nove projeções simultâneas.
A performance/instalação dos portugueses Rui Chafes e Vera Mantero (em vídeo pois a performance mesmo aconteceu apenas nos primerios dias da Bienal).
A proposta do norte-americano Mark Dion, revendo a viagem do Thomas Ender pelo Brasil, as fotos do alemão Thomas Struth e as instalações de Ieda de Oliveira, Laura Vinci e Ivens Machado, além do Chelpa Ferro que eu já havia visto no MAM do Rio.
Em São Paulo vi também a exposição Fashion Passion, na OCA, uma exposição linda, bem montada, com um clima realmente fantástico. Uma oportunidade única de ver de perto, reais, vestidos de Paul Poiret, Coco Chanel, Dior, Pucci, John Galliano, Christian Lacroix, Viktor & Rolf (destaque para o smoking-esqueleto), Elsa Schiaparelli (o manteau Arlequim e os vidros de perfumes são algo que eu queria muito ver ao vivo), Yves Saint Laurent, Balenciaga, Courrèges, Vivienne Westwood, Jean Paul Gaultier (lindíssimo o vestido que se inicia no decote como uma simples malha listrada de marinheiro, na cintura começa a receber pequenas plumas listradas e se encerra na barra com a profusão de plumas)... além de um final com uma parada de criadores brasileiros... O site é interessante, clicando em "Veja o Hot Site" há uma viagem pela exposição.

terça-feira, 9 de novembro de 2004

"Uma Faca Bem Afiada", tinta acrílica sobre tela de 70x70cm. Vou estar com ela em uma coletiva de alunos do Zé Maria Dias da Cruz, que abre no Parque Lage na semana que vem. Posted by Hello

sábado, 2 de outubro de 2004

Deserto

Se agosto foi um deserto de notícias neste blog, setembro continuou o deserto. Mas isto não significa que não tenha havido movimento: teve, e muito. Muitas noites no "atelier de desenho", muitas leituras, muitas visitas a exposições. Tenho trabalhado pouco em aquarela, e me jogado muito na pintura, com alguns resultados, maior fluência, maior domínio do meio. A minha visão da cor passando por uma revolução, a partir dos estudos com o José Maria Dias da Cruz. A principal leitura, o fundamental Rudolf Arnheim, "Art and Visual Perception", indicado pelo John Nicholson. Volto a escrever.

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

"Atelier de desenho"

Meu novo espaço para desenhos, aquarelas e também pequenas telas. Posted by Hello

Agosto

O mês de agosto, aqui neste blog, foi um deserto de notícias... Não que eu não tenha tido nada para contar, e sim que estou de férias e com isto as atividades mais de rotina ficaram prejudicadas. Reinicio já em setembro contando da arrumação que estou fazendo em casa e na qual consegui (pelo menos pretendo) deixar de utilizar a mesa da sala de jantar para desenhar (sempre coberta por um plástico, com papéis e outros materiais se acumulando nas cadeiras a sua volta, o eterno medo de manchas indeléveis, o jantar vendo televisão no quarto e o transtorno em meu trabalho ocasionado por uma simples visita de alguém para jantar). Vou postar foto do novo "atelier de desenho". Para pinturas, como a mesa é pequena (75x75cm), dá para utilizar em telas menores e continuar trabalhando nas telas maiores em outro local, mas o ideal será juntar tudo em um só espaço.

sexta-feira, 30 de julho de 2004

Macacos Longevos, uma aquarela Posted by Hello

quarta-feira, 14 de julho de 2004

Os Macacos Longevos

O conceito original é do evolucionista Julian Huxley, irmão do escritor Adous Huxley, e foi retomado por outros autores como Richard Dawkins. Em defesa do conceito de que a vida poderia surgir por acaso, Huxley argumentava que, desde que dispondo de tempo suficiente, um grupo de macacos datilografando aleatóriamente poderia eventualmente produzir como resultado as obras completas de Shakespeare.
Um conceito semelhante está em Borges: a Biblioteca de Babel, infinita, com volumes onde as letras se dispõem aleatóriamente. Por ser infinita, esta Biblioteca contém livros com todas as combinações possíveis de letras e, portanto, contém todos os livros que foram ou que podem vir a ser escritos.
(A Biblioteca de Borges me remete diretamente a trabalhos da pintora Maria Helena Vieira da Silva e também a uma tela de Miguel Barceló. E hoje este conceito é visto como uma "premonição" de Borges sobre a Internet, que seria a verdadeira Biblioteca-infinita).
E o tema dos "macacos longevos" ficou em minha cabeça até que apareceu em uma série de desenhos que estou fazendo, em técnica mista (pastel oleoso, nanquim e aquarela), em meus caderninhos: escritas, garatujas, cores em interação e formas aleatórias se combinam e neste caos se vê sugestões de uma ordem.

quinta-feira, 8 de julho de 2004

Revendo "Cantando na Chuva"

A Festa (Do bolo saiu uma dançarina) Posted by Hello

Do bolo saiu uma dançarina

Sábado passado revi, em DVD, "Cantando na Chuva". Uma cena, a da Debbie Reynolds em uma festa na casa do produtor de cinema saindo de dentro de um bolo, dançando e cantando "All I Do is Dream of You" à frente de um grupo de coristas me prendeu visualmente, pela combinação de rosa e dourado em movimento, pelas fitas esvoaçantes, pelo kitsch suave e alegre. Mais tarde fiz algumas aquarelas sobre o tema, abstratas, bem coloridas com rosas, lilazes e ouro. Os títulos das aquarelas fazem referência à cena do filme. Estou também estou desenvolvendo o tema em uma pequena tela, e o desafio do abstrato está me fazendo deixar um pouco a figura de lado.
(veja mais fotos das demais aquarelas em meu Fotolog )

quarta-feira, 7 de julho de 2004

Exposição do Chico Cunha

Inauguração ontem da exposição do Chico Cunha, meu colega de Parque Lage nos idos dos anos 1980 e hoje meu professor de pintura no mesmo Parque Lage, na Galeria Anna Maria Niemeyer. Uma boa exposição: 8 telas grandes (fotos das telas estão no "site" da Galeria), quase monocromáticas, com algumas figuras fantasmagóricas como que saídas de velhas fotos preto&branco ou de memórias desvanecidas, vagando entre formas dúbias magistralmente contruídas com texturas e pinceladas de óleo e encáustica. E alguns desenhos, de pequeno formato: silhuetas sobre restos de antigos mapas.

terça-feira, 6 de julho de 2004

999dias/999desenhos

Desenho #330 da série 999dias/999desenhos Posted by Hello