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domingo, 22 de novembro de 2009

No Rio (exposições)

Final de semana no Rio, ampliado pelo feriado do Dia da Consciência Negra em uma 6a.feira, eu sabia que tinha "algumas" exposições para ver; para minha surpresa, estas "algumas" foram tantas, que deixei várias para visitar apenas na próxima ida ao Rio (sem contar as que estão abrindo nesta semana corrente).
Isso com um sol e um calor que convidavam a mergulhos na praia ou na piscina, com uma arrumação nos vinhos há muito tempo na adega, com rever amigos e muitas tarefas do quotidiano.
As exposições que visitei:


1- Na Galeria Artur FidalgoRetratos, de Marcos Chaves. O artista trabalha buscando novos sentidos para cenas do quotidiano, com um humor sutil e inteligente. Nestas fotos, Marcos brinca com uma característica da percepção humana, que busca sentido em formas abstratas, que vê rostos onde há manchas. Um esfregão, destes comuns de chão, virado com o cabo para baixo, encostado em uma parede; a foto é vertical, nas dimensões que a pintura clássica estabeleceu como portrait; a moldura sóbria e a disposição das diversas fotos como uma galeria de retratos clássica; e pronto: o espectador  cabelos no que são os pelos do esfregão,  nariz e boca em detalhes do centro do esfregão, onde se encaixa o cabo; e vê olhos nas formas simétricas à linha central. Um rosto, outro rosto, vários rostos; e a contraposição de tantos rostos diferentes faz com que cada um deles imediatamente adquira personalidade própria. Incrível, a "contaminação" do espectador a partir do momento em que vê o primeiro rosto é intensa; até uma das fotos onde a simetria é destruída com os pelos do esfregão cobrindo uma das metades da "face", é vista como um retrato (algo como uma Veronica Lake com o cabelo em ondas cobrindo todo um lado do rosto). E a "contaminação" máxima é a foto onde só se vê o cabo e os pelos do objeto: entendida imediatamente pelo espectador como a cabeça de uma pessoa de costas, não se consegue mais vê-lo simplesmente como um esfregão encostado em uma parede. Witty, sim, mas profundo, ao questionar os limites da percepção de forma simples e criativa.


2- Na Galeria AmarelonegroHome... sweet home... sweet home... sweet home, exposição de Rogério Degaki. São 7 esculturas do artista paulista, em resina, agrupadas como uma instalação, um lar, com direito a "tijolinhos aparentes" brilhantes, em uma parede; segundo o artista, como disse Dorothy de “O Mágico de Oz”: “Não há lugar melhor do que a nossa casa!” E os personagens-esculturas, coloridos, estranhos e simpáticos, incrivelmente simpáticos, estão espalhados neste espaço que não é mais o Cubo Branco da galeria e sim um lar. Penso no "quero voltar para casa", do ET do Spilberg, e penso em como eu queria ter algum deles comigo em meu lar intergalático...



3- Na Caixa Cultural, gravuras de Wifredo Lam. Uma exposição importante, raramente vemos trabalhos do artista cubano, que faleceu em 1982: . A pintura certamente é o forte de seu trabalho (vi talvez duas pinturas grandes na exposição de artistas cubanos do CCBB, e alguma coisa no acervo do MoMA), mas a obra gráfica absolutamente não fica atrás. São monstros, seres alados, dentes e garras, um clima weird todo especial; gravuras formalmente bem resolvidas, com utilização perfeita dos espaços negativos e do contraste de tratamento de diversas técnicas.



4- Esculturas de Artur Pereira, no Instituto Moreira Salles. Ao entrar na Nova Galeria do IMS, um impacto: as esculturas de madeira espalhadas, acumuladas, no Cubo Branco, como uma arca de um louco Noé. Artur Pereira é um chamado "artista popular", autodidata, de origem humilde, e com temática ligada a sua região e camada social: animais, caçadores, um presépio cercado por uma cornucópia de animais de Mata Atlântica, um homem que agoniza tendo como espectadores seus animais domésticos, seu rebanho... Mas as soluções estéticas são perfeitas, precisas; com poucos traços marcados no cedro, seu Artur define uma fisionomia de um animal com uma personalidade própria - uma jibóia irônica, um cachorro amigável, outros cachorros ferozes que perseguem onças, o medo estampado no rosto das onças perseguidas... Não "arte popular" e sim Arte.



5- Na Galeria Arte em Dobro, “A Coleção 2”, dá continuidade à proposta de venda de "pacote" com múltiplos de artistas contemporâneos em ascensão, por preços bem acessíveis. Se a primeira edição, A Coleção 1, lançada no início de 2009 (comentei aqui no blog), teve uma boa acolhida, esta segunda edição, com múltiplos de Marcelo Solá, Graziela Pinto, Felipe Barbosa, Daniel Toledo e Julio Callado, foi um sucesso estrondoso: ao chegar na Galeria a exposição já estava sendo desmontada, pois em menos de uma semana toda a edição já havia sido vendida. Sendo que os múltiplos do Marcelo Solá, por problema no transporte, nem haviam chegado ao Rio (serão entregues depois aos compradores). Como na edição anterior, boa escolha de artistas e trabalhos interessantes; o globo terrestre murcho em uma caixa de acrílico, do Daniel Toledo, é um achado! E um exemplo de como há um mercado de arte ansioso por novidades de qualidade a um bom preço.


6- O Mundo Mágico de Chagall, no MNBA, é apresentada como a maior exposição do artista no Brasil, comemorando o Ano França-Brasil, porém na realidade não é uma mega-exposição. As 309 obras apresentadas, em sua grande maioria, são gravuras, de séries como A BíbliaAs Almas MortasDafne e CloéFábulas de La Fointaine... bonitas, mas em geral em preto e branco ou com pouca cor (para mim o colorido é o ponto forte de Chagall), e forte conotação ilustrativa. Nas pinturas, onde o esplendor da arte de Chagall se mostra todo, vemos coisas boas, porém não são muitas - e a maioria de coleções particulares brasileiras. Vale à pena ver, sim, uma boa exposição mas, da mesma forma que a exposição do Matisse apresentada na Pinacoteca de São Paulo, sem acreditar muito na grandiosidade indicada pela midia.

7 - No Instituto Moreira Salles, exposição Maureen Bisilliat: fotografias, com mais de 250 imagens da fotógrafa inglesa radicada no Brasil, trazendo fotos das séries mais conhecidas da artista, como as que retratam o universo de Guimarães Rosa, os índios do Xingu, os sertões de Euclides e as viagens ao altiplano boliviano, à China e ao Japão. Complementam a exposição objetos e documentos pessoais da fotógrafa, como o sensível caderno feito durante os meses da doença do pai de Maureen: a cada dia, a artista buscava um livro na estante, abria o livro e fazia uma xerox do trecho ao qual chegara aleatoriamente; e todos os textos e o caderno como um todo traziam uma relação com o momento de agonia que viviam pai e filha.


8- Na Galeria Márcia Barroso do Amaral, novas gravuras de Tomie Othake. Muito bonitas, impecáveis, e é bom ver o trabalho coerente da artista nos seus 96 anos.

9 - Exposição coletiva no Crânio, simpático espaço de artes e cultura na Rua Pacheco Leão, no Jardim Botânico, são pinturas, fotografias e objetos dos artistas Bianca MadrugaCláudio MontagnaLetícia TandetaMárcia de AlmeidaRicardo FerreiraUrsula Tautz e Vlad da Hora.


10 - Multiplo Coletivo, na Galeria Inox, uma coletiva dos artistas Afonso TostesAlê SoutoAlexandre OrionCarlos ContenteJosé TannuriMarcelo LagoMarcos CardosoMaurício BentesSmael  Toyota. São múltiplos, bem interessantes, e o acervo da Galeria, que abriu recentemente, também apresenta coisas muitos boas, em destaque a linda gravura da Beatriz Milhazes feita para o número especial da Parkett Magazine, que já comentei aqui no blog.


11 - Minha visita ao Paço Imperial, logo após a abertura das exposições, foi prejudicada pela greve dos servidores da cultura. Assim, desta vez, pude retornar ao Paço e ver: Ícones do Design Francês (bonita exposição, além dos ícones do design francês, alguns ícones do design brasileiro, um contraponto entre a Caneta Bic e a Sandálias Havaianas, less is more), Julio Villani (o artista trabalha com reprodução, em tamanho grande, de fotografias antigas, interferindo nas mesmas com formas geométricas em cores fortes, em tinta a óleo, bem espessa, o óleo da tinta se espalha como sombras pelo papel e as formas criam novas realidades para as fotografias; e também as formas geométricas a óleo sobre manuscritos antigos; além de um vídeo em díptico, com papagaios que brincam com objetos como uma reprodução da Monalisa; gosto do trabalho do artista) e as fotografias de Alair Gomes, A New Sentimental Journey, com fotos de estátuas greco-romanas e a renascentistas com o mesmo olhar lançado pelo fotógrafo sobre os meninos do Rio.
Transcrevo aqui o comentário que já fiz no blog sobre o trabalho do artista: Alair é um fotógrafo, morto de forma violenta no auge de sua produção, cuja obra - séries de fotos de rapazes se exercitando na praia - sempre é revisitada com muito prazer. Desta vez são fotos e texto, de uma viagem a Europa, onde as esculturas clássicas de homens ganham o mesmo tratamento terno e apaixonado dado às imagens dos rapazes. Miguel Rio Branco editou as centenas de fotos em sequencias, dentro da linguagem de Alair. Um livro, A New Sentimental Journey, registra e acompanha a exposição. Uma dúvida que tenho, Alair desenvolveu seu trabalho de uma foram discreta, só expôs em 1984 (Galeria do Centro Cultural Candido Mendes), com retorno altamente favorável. Se fosse hoje, onde o politicamente correto comanda, ele não seria acusado de pedofilia, voyerismo,  apropriação da imagem das pessoas fotografadas à revelia? Talvez nossos dias e o futuro acabem com a possibilidade de trabalhos que, através da transgressão, chegam ao sublime.


12- Na Casa França-Brasil, uma grandiosa instalação da artista Iole de Freitas, cujo trabalho vimos recentemente também na Galeria Laura Marsiaj. Se no espaço da Galeria a artista usa o peso, uma instalação que como que "voa baixo", ocupando todo o cubo branco, no espaço generoso da Casa França-Brasil a artista prefere voar alto, sutil, silenciosa, não interferindo e sim realçando a arquitetura e os detalhes de ornamentação do prédio. 

13- Galeria Paulo Figueiredo, com gravuras em madeira do artista Fernando Mendonça. São pequenas matrizes e xilogravuras, em traços rústicos, de cenas de quotidiano.

14- Galeria Movimento, No Risco do Traço de
Mateu Velasco, são pinturas ancoradas no grafite e no design, figuras humanas com cabelos que se transformam em tentáculos, forte lembrança de uma estética art-nouveau atualizada para o contemporâneo.


15- Margaret Mee, 100 anos de vida e obra, no Centro Cultural dos Correios, é a mesma exposição que vi na Pinacoteca de SP e que comentei, talvez de forma um tanto crítica, aqui no blog (veja o comentário).

16-
Bandeira de Mello, Eu existo assim, na Caixa Cultural. O artista, nascido em 1929 e com uma atuação voltada para a arte acadêmica, para o ensino e para obras em lugares públicos (os murais no próprio espaço da Caixa Cultural complementam a exposição) está sendo redescoberto nesta exposição.

17 -
J Bosco Renaud, na Galeria de Arte Maria de Lourdes Mendes de Almeida (Centro Cultural Cândido Mendes), objetos, desenhos e técnica mista, sob o tema de plungers (desentupidores de pia): no espaço, na Lua, invadindo paisagens, ampliados...



18-
Pierre et Gilles, A Apoteose do Sublime, no OI Futuro, curadoria de Marcos Lontra, design do Alvaro Seixas. A dupla de artistas franceses monta os cenários, fotografa, pinta sobre as fotos, seleciona molduras que acentuam o caráter kitsch-fantástico-hype dos retratos, de modelos desconhecidos (e belos) ou de famosos (Madonna...). Como escreve o curador, "O trabalho de Pierre et Gilles, cheio de vitalidade, é próximo do espírito brasileiro, especialmente da cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista sua exuberância, intensidade cromática, sensualidade e mistura tipicamente Kitsch, nos fazendo remeter às alegorias e fantasias dos desfiles de escolas de samba brasileiras (…) o mundo contemporâneo está saturado de imagens, elas estão em toda a parte. Um dos papéis mais importantes da ação artística é selecionar dentre essas imagens, proporcionando-lhes novas direções e conceitos. Todas as imagens são, portanto, passíveis de manipulação artística, e é isso o que fazem, de forma singular, Pierre e Gilles." Vale à pena ver.




19 e 20 - E ainda duas exposições de Leilões: Bolsa de Arte e Soraya Cals, com ótimos catálogos (o da Soraya Cals, um livro muito bem editado, com texto do Frederico Morais, não é vendido, e o da Bolsa de Arte, mantem o bom padrão e é vendido por R$25,00 com renda revertida para obras beneficientes). Vale a pena circular por estas exposições de Leilões; normalmente são muito heterogêneas, mas sempre se encontra surpresas; e os catálogos são boa fonte de consulta, inclusive pelas estimativas de preço que trazem. Na Soraya Cals, uma surpresa para mim: 4 aquarelas de um artista dos anos 1970 que aparentemente havia "desaparecido", Luiz Gonzaga Beltrame, as aquarelas são dos anos 1970 e o catálogo tem uma pequena nota biográfica. Vi uma exposição individual do artista em 1974 na Galeria Real, no Rio, e também em alguns salões, o trabalho dele era um cult em meio à descobertas do Oriente ("Se Oriente, rapaz..." cantávamos como Gal e Gil), pequenas e delicadas aquarelas com espaços místicos e estranhos; depois, nos anos 1980, não vi mais nada sobre o artista; que agora aparece no leilão, está registrado no Catálogo e, logo depois, podemos já ler sobre ele na internet.

Algumas fotos dos vernissages destas exposições estão no site Só Arte Contemporânea

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Do caos e do vazio, tramas e paisagens fantásticas





Ao entrar no Espaço ECCO, em pleno Setor Comercial Norte de Brasília, sensações contraditórias: de um caos e de um vazio. Fui encontrar meus amigos, os artistas Pedro Varela e Carolina Ponte que, vindos do México, estão montando sua exposição naquele espaço cultural.
Por que estas sensações?
O caos faz parte da montagem de uma exposição, como do ensaio geral de uma ópera ou da entrega final de um trabalho. Aqui são papéis amassados, embrulhos, fitas adesivas, tesouras, xícaras de café, balas de leite da Kopenhagen, linhas e agulhas de tricô; destes materiais heterogêneos como que emergem, aos poucos, os trabalhos, as obras de arte.
E o vazio, pois o espaço é tão grande, enorme, pé direito bem alto, paredes tão brancas, chão de cimento, que parece que nunca será ocupado devidamente pelos trabalhos que emergem, aos poucos, ainda descansando nas mesas ou em rolos de plástico pelo chão, prontos para se espalhar pelas paredes e pelo chão ou cair do teto, mas ainda parecendo pequenos, poucos, tímidos, crianças ante o gigantesco vazio a ser ocupado.
Mas é isso mesmo, hoje é só 5a.feira, a abertura da exposição é na semana que vem, até lá este caos e este vazio terão dado lugar a tramas, paisagens fantásticas, redes, lagos, seres misteriosos, cores e padrões que são música para os olhos; um mundo.
Para o espectador que não acompanhou a montagem, é como se tudo sempre estivesse lá desde o início de tudo, um dado de realidade como é nosso planeta. Para mim, espectador privilegiado que pude acompanhar momentos da montagem da exposição e conversar com os artistas sobre o processo, será visitar um mundo que, afinal, foi "criado", surgiu a partir do nada.
Porém para os criadores deste mundo, Pedro e Carol, será o momento de refletir sobre o mundo criado e que já não é mais deles, passou a pertencer à humanidade, ao patrimônio cultural universal. E, de uma forma natural, voltar seu pensamento e sua motivação, sua inspiração, para a criação de novos mundos, novos espaços, novas dimensões, superar o já criado, mais, mais...
Afinal, este é o destino do artista.
(O Espaço Cultural ECCO fica em Brasília, no SCN - Q 3 - Bl C, e está aberto de 3a. a domingo das 9 às 19h. A abertura da exposição de Pedro Varela e Carolina Ponte será no dia 09 de junho, próxima 3a.feira, e neste mesmo dia abre, também no ECCO, uma coletiva com um recorte do Rumos, que vi no Itaú Cultural em SP. As exposições ficam até agosto, e são excelente indicação para uma visita)

sábado, 4 de abril de 2009

Em Brasília


Fim de semana em Brasília. Uma bem-vinda chuva, para assentar a poeira vermelha e dar uma folga à minha agora onipresente rinite alérgica. Todos dizem que serão as últimas chuvas antes do período de secas, eu espero que não; e curto o friozinho e o visual do Paranoá enevoado que vejo de minha janela.
Procurando, se acha (cultura, arte da boa que é o que eu preciso, injetada na veia): no Espaço ECCO (um galpão em cimento queimado e estrutura metálica que poderia estar em Chelsea NYC, numa localização bem central, mas que poucos nativos conhecem), duas boas exposições:
1- Uma coletiva, focando as aquisições para o acervo do Espaço ECCO viabilizadas pelo Prêmio Funarte Marcantonio Vilaça. São 6 artistas de primeira linha: Nelson Felix, Gabriela Machado, Paulo Pasta, José Spaniol, Hilal Sami Hilal e Claudia Jaguaribe. E é muito bom ver, com vagar, assistir o vídeo do Nelson Felix (pena que os da Gabriela e do Spaniol não estavam sendo exibidos por problemas técnicos), conversar com os simpáticos e bem informados monitores que realmente dão explicações sobre as obras... Além das obras adquiridas (um bom acervo, portanto), há mais obras de cada artista, formando como 6 mini-individuais, bem distribuídas pelo espaço. As pinturas da Gabriela Machado são simplesmente maravilhosas, e a artista muda a escala sem medo de errar a mão: pequenos dípticos e grandes telas; as cores pulsam, se misturam, sugestões de flores, de cascas de frutas, tangerinas, de formas orgânicas, mas isso não importa, importa é o diálogo entre as massas de tinta e o fundo neutro, a explosão... Em outro extremo, as pinturas sobre papel do Paulo Pasta, são sutis, zen, mostram até onde pode chegar a transcendência do ser humano a partir do diálogo de um azul e um alaranjado. Outro zen, claro, não fosse um budista, o Nélson Felix; os cubos vazados de mármore de carrara (bom ver o vídeo, nele Nélson explica que o uso do carrara também é uma referência à história da arte, aos gregos, à grande tradição) pendurados em equilíbrio instável pelas ponteiras de bronze (outra referência à grande arte) com textos, gravados, da poeta Sophia de Mello Breyner Andresen; desenhos, a pedra em si captada com traços nervosos e aguadas; e a obra que estará agora no acervo do Espaço Ecco, as duas metades de um cubo de mármore rosso se abrem, deixam ver o azul ultramar profundo, e nas metades, unindo-as, separando-as, uma aliança de ouro...
Ainda: as fotos da Claudia Jaguaribe nos Lençóis maranhenses, modificando a escala de formações naturais e transformando-as em gigantescas ruínas; os móveis impossíveis do José Spaniol; e os livros impossíveis, a biblioteca de Babel, a leitura que não se lê mas se entende, entra pelos sentidos e domina a razão, do Hilal Sami Hilal.

2- Uma exposição individual do artista goiano Marcelo Solá, com desenhos-pinturas-monotipias sobre papel, em diversos tamanhos, de uns pequenos, quase esboços, a outros enormes, quase murais. Gosto do trabalho do artista, tenho visto em exposições como o Nova Arte Nova, e no Rio na Galeria Arte em Dobro; e ver uma individual bem montada, com os desenhos nas diversas dimensões, é muito bom. Impossível deixar de lembrar de Basquiat, em algumas obras, e do Leonilson, na utilização acertada de textos; mas como influências e não como escravidão. A vertente gráfica e a linguagem do grafitti do artista goiano é muito forte; mas em alguns trabalhos as camadas de tinta se acercam de uma pintura sobre papel, e o gráfico coexiste em harmonia com o painterly. A cor é concisa: pretos, brancos, traços vermelhos, verdes; e um dourado, em spray ou tinta, que dá leves traços de opulência barroca a um desenho tão urbano e tão contemporâneo.
Ainda, na Caixa Cultural, outro bom espaço em Brasília:
1- A Linha e o Sujeito, exposição contrapondo obras do acervo (uma linda tela de lencóis com vermelhos, da Maria Leontina; dois lindos Abelardo Zaluar, duas Fayga, um Krajcberg...) a trabalhos interativos do artista Chico Amaral, com curadoria de Graça Ramos.
2- Mulheres em Luta, com videos de artistas mulheres polonesas e brasileiras, destaque para o Menarca, que não me canso de rever, de minha mestra Katie van Scherpenberg; e Cheerleader, irônico video de 2006 da polonesa Katarzyna Kazyra. Ainda: Bagna Burska, Zuzanna Janin, Katia Maciel, Marta Daskur, Simone Michelin e Tina Velho.
3- A Máscara Teatral na arte dos Sartori, uma exposição bem interessante sobre máscaras teatrais, com instalações, desenhos e máscaras da família Sartori, importante família italiana cuja pesquisa sobre máscaras extrapola o cenográfico.
4- Fauna e Flora Brasileira, aquarelas de Álvaro Nunes. Rever meu post sobre Margaret Mee; tenho que reconhecer que a inglesa consegue em suas aquarelas uma leveza que a maioria dos aquerelistas de natureza não consegue. Destaque para os selos feitos a partir de aquarelas do Álvaro Ramos, que tem um lúdico que não desaparece, na verdade aumenta, nesta era de e-mail e de msn; e que me remete à Arte Postal (Mail Art) e à minha época de colecionador de selos, e também à obsessão, que é um dos temas recorrentes deste blog...

terça-feira, 3 de março de 2009

Em SP (4) - Aquarelas de Margaret Mee


Ainda na Pinacoteca, uma exposição comemora os 100 anos de vida da ilustradora botânica inglesa Margaret Mee, com cerca de 100 obras, sendo 59 aquarelas dedicadas à espécie das Bromeliáceas, e ainda 17 obras da coleção Roberto Burle Marx e desenhos inspirados na caatinga brasileira, além de folhas de cadernos que Margaret usava durante as viagens que fez ao Brasil, com anotações que registram detalhes de cor, textura e aspecto de cada flor.
Mas não pude deixar de fazer algumas reflexões sobre a ilustração botânica após o advento da fotografia.
Se a invenção da fotografia representou uma ameaça (e depois uma libertação) para a pintura, para o gênero da ilustração científica deve ter sido muitas vezes mais fatal; e é curioso que dos sub-gêneros da ilustração científica, me parece que apenas a ilustração botânica tenha sobrevivido ao século, e esteja em pleno Século XXI com espaço no circuito cultural e de mercado. Talvez também alguns outros tipos de ilustrações de fauna bem específicos: beija-flores, borboletas...
Qual a relevância de enfrentar viagens para registrar, com pincéis e aquarelas, bromélias, orquídeas... quando a parafernália tecnológica disponível em fotografia e vídeo consegue resultados muito mais precisos e de disseminação mais universal? (haja visto o National Geographic Channel, 24 horas por dia de "ilustração científica" em movimento e em cores)
Suspeito que esta sobrevida se deve a dois fatores.
O primeiro, intrínseco ao gênero, é a capacidade da ilustração em apresentar o icônico, o geral; enquanto que a fotografia tende a apresentar o indivíduo, o particular. (No National Geographic, cada suricata do documentário tem um nome, uma relação de parentesco com as demais; já nas aquarelas de Margaret Mee, cada bromélia, soberana em um fundo em branco, com seus detalhes destacados ao pé da página juntamente com o título em latim, é "A Bromélia" daquela espécie).
E o outro fator é a capacidade deste tipo de ilustração em "resvalar" para o campo da Arte, com A maíusculo. Elas se apresentam como arte, e são entendidas como tal pela massa, até por que isto atende a interesses do mercado, porém nada mais diferente de uma exposição de ilustrações em aquerela de uma outra exposição de aquarelas de, por exemplo, Fayga Ostrower, Pedro Varela, Xul Solar, Gonçalo Ivo...
Margaret Mee, em minha opinião, utiliza com maestria, além dos recursos da aquarela, estes dois fatores: a capacidade de uma visão icônica (herança da tradição inglesa dos aquarelistas botânicos) e a capacidade de se colocar como arte. E, o que eu acho importante ressaltar: dentro de uma tradição e de uma visão inglesa, européia, herdeira dos colonizadores. A temperatura que se sente em suas bromélias é a de Kew Gardens, não a da Amazônia: onde estão o calor, a umidade, a selva? as bromélias foram retiradas do seu habitat e estão, ícones da espécie, em um gabinete de curiosidades europeu qualquer. Isto para mim é tão mais evidente como em ilustrações de alguns membros da Missão Francesa do início do Século XIX, por exemplo Rugendas e Von Martius, podemos "sentir" o peso da foresta tropical, o calor, a grandeza da paisagem, mesmo quando eles destacam icônicamente os objetos de seu registro.

Na exposição, a única aquarela que tenta mostrar a bromélia em seu ambiente demonstra bem esta contradição: o fundo em branco é substituído pela imagem da Floresta Amazônica, o Rio Negro está visível... mas o tratamento desta paisagem é desfocado, monocromático, esmaecido... de novo a bromélia poderia estar em Kew Gardens e não no Rio Negro... Na verdade eu acho que esta é a obra mais fraca; quando Maragret se atém ao repertório e à linguagem do seu gênero, consegue soluções bem interessantes e esteticamente agradáveis; quando tenta entrar no campo da paisagem, porém, o resultado fica em um meio-termo que não convence.
Mas é uma exposição agradável de ver, e os objetos de viagens, presentes recebidos por tribos indígenas, pequenos troncos, bússola, material de pintura, expostos, dão uma visão humana da Margaret, qie afinal deve ter sido uma pessoa muito interessante e dedicada a seu ofício, com bons resultados dentro de sua proposta!
Ah, sim, e em 2009 (outubro) se comemora os 100 anos, também, do pintor irlandês Francis Bacon.

domingo, 1 de março de 2009

Em SP (2) - Josef e Anni Albers


Na Pinacoteca e no Instituto Tomie Othake, exposições complementares sobre o trabalho de Josef e Anni Albers.
No ITO, a ênfase é na obra-prima, a mais característica, de Josef Albers, a série Homenagem ao Quadrado. São mostradas 45 pinturas da série, além de alguns estudos (me impressiona, como pintor, ver as tirinhas de papel com as anotações do artista, utilizadas para a testar a mistura das tintas na busca da cor perfeita, exatamente como ainda fazemos todos os pintores). A montagem é sóbria, não precisava de mais, bastam as pinturas, em sequencias, sempre as mesmas formas (três ou quatro quadrados uns dentro dos outros, com os centros deslocados para a base inferior) com as inúmeras variações nas cores, brilhantes, vivas; mesmo os pretos e cinzas são vivos; as cores que interagem umas com as outras, se modificam a partir da presença das outras. Até mesmo uma pintura com os quadrados em vermelhos sutilmente diferenciados: à primeira vista, uma pintura monocromática; mas à medida em que o olhar se detem, percebe-se leve diferenciação nas bordas, e os quadrados aparecem, ainda aparentemente iguais mas sutilmente distintos.

A epígrafe do catálogo é uma frase do artista: "A preocupação dos coloristas com quais cores combinam entre si demonstra não apenas um preconceito, como uma questão equivocada. (...) Acredito que qualquer cor 'funcione' com qualquer outra... e que a harmonização de cores seja apenas mais uma possibilidade de reuní-las, e não a única desejável."
Perfeito. Na série Homenagem ao Quadrado, ao meu ver, Albers vai muito além dos estudos de cor, de uma demonstração para esta tese, e avança pela pintura: há o painterly, mesmo em zonas de cor aparentemente chapadas, algumas cores brilham com textura de esmalte, em outras a tinta é mais rala, outras bem opacas, as ranhuras da tela (no caso o compensado, masonite, o que me acende uma precocupação com a durabilidade do suporte)...
Albers avança também por outras formas de fazer arte que foram desenvolvidas bem depois. Como os artistas conceituais que hoje estão redescobrindo a pintura (ver meu post de 23/02/09), Albers parte de um conceito simples, estabelecido, bem claro, para criar, não uma, dez, mil pinturas separadas, mas toda uma série, a obra é o conceito e o conjunto (embora os quadros estejam dispersos, claro, e provavelmente nunca foram vistos juntos). A visão de uma sequencia de quadros com pequenas variações de cor (na exposição, os amarelos, os verdes, os vermelhos) me remete também ao minimalismo, a Donald Judd... As obras de Homenagem ao Quadrado são muito exibidas na versões em serigrafia, e a serigrafia oferece talvez a rapidez no processo que permita ao artista experimentar milhares de vezes mais opções que as telas; porém vê-las em pintura tem um sabor especial, cada quadro tem uma presença, uma aura, inegável; e o conjunto pulsa de vida.

A exposição da Pinacoteca é mais documental, se volta para a vivência do casal de artistas no México, e a influência do país e sua arte sobre eles. Apresenta fotos, milhares de cópias em contato e dezenas de ampliações, todas preto&branco, tiradas pelos artistas naquele país: pirâmides, cerâmicas, paisagens; a arte primitiva mexicana colecionada pelos artistas; e estudos, desenhos, pinturas feitas pelos Albers, onde se vê claramente como foi forte aquela influência. Bem didática, bem montada, a exposição também apresenta uma boa cronologia, através do recurso de linha do tempo, e tem um catálogo muito completo e bem editado. O material documental é muito forte, em vitrines no espaço expositivo: cartas, recortes, publicações, anotações, esboços, fotos... e está bem representado no catálogo, que é um livro de referência para o assunto.

Os traços dos degraus das pirâmides marcados pela forte sombra do sol mexicano, vista em muitas das fotos, se transforma em traços que delimitam estudos de cor de Josef; e os tecidos mexicanos, com suas tramas, nós e padrões repetidos, aparece nos trabalhos de Anni, não só nos tecidos feitos pela artista, como em murais e pinturas. Os estudos de cor e de padrões repetidos com pequenos triângulos, em aquarela, tem a beleza de uma música de câmara; e nos estudos de nós, provavelmente iniciados a partir do ofício de tecer mas evoluindo para estudos de linha e cor, a artista transcende o tema chegando a resultados que ultrapassam em muito a proposta inicial.

Muito interessante uma série de pinturas de Albers que precedeu a Homenagem ao Quadrado: Variants/Adobe, pinturas com estrutura básica de fachadas de casas mexicanas em adobe (uma porta e uma janela, duas janelas, duas portas...), e as muitas variações de cores que depois o artista vai explorar, dentro da estrutura mais concisa e precisa dos quadrados. Os Adobe me fazem pensar em outros artistas, que partiram de fachadas abstraídas para estudos de cor, espaço, volume: os nossos Volpi e Ione Saldanha; e mesmo do contemporâneo Paulo Pasta, com sutilezas em cor e discussão de outras questões, como a escala e a pintura em si. Ao final da exposição, cinco quadrados são o aperitivo, o link da Pinacoteca para o ITO.
Imagino que algum dia uma crítica de arte ferozmente feminista irá discutir o trabalho do casal Albers para revalorizar a obra da Anni, talvez (como as que revalorizam Zelda, a verdadeira escritora, explorada por Scott) como a verdadeira artista do casal.
A minha impressão é que o trabalho dos dois era bem equivalente; a utilização por Anni de técnicas "femeninas" talvez tenha colocado seu trabalho como "inferior" ao do marido, dentro do modelo dos anos 1950; mas na perspectiva atual, até mesmo quando artistas homens incorporam técnicas como bordado (Leonilson, Walter Goldfarb...), não consigo ver uma supremacia entre os estudos de cor de Josef e os tecidos de Anni. Acho que o verdadeiro salto, que elevou Josef Albers à categoria de grande nome, indispensável, da arte ocidental, colocando-a acima da produção da mulher e também dos demais professores da Bauhaus, foi a série Homenagem ao Quadrado. Com esta série, Josef Albers garantiu seu lugar no cânon; e eu garanti bons momentos de fruição estética e intelectual ao navegar entre as salas do ITO e da Pinacoteca.

Ver também The Josef and Anni Albers Foundation

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Um email do Gonçalo Ivo

Por estes dias, recebi um email, de Paris, do pintor Gonçalo Ivo, meu amigo de longa data:
(...) Adorei ler seu texto, fluido como o Rio de Janeiro da minha juventude, em que os amigos se reuniam, viam as novidades no cinema, vc se lembra? The Police, chopp, Ipanema...
Li ontem e o contraste com a neve e a rigidez parisiense era enorme...
morri de saudades (...)

Esta Rio que o Gonçalo rememora era nos anos 1980, íamos ver umas sessões especiais de meia-noite no cinema do Centro Cultural Cândido Mendes, que passavam em primeira mão vídeos (VHS mesmo) de conjuntos que estavam aparecendo na cena musical, foi aí que vimos e ouvimos pela primeira vez o The Police... Depois voltávamos a pé até meu apartamento na Vinícius de Moraes, onde Gonçalo havia deixado o carro estacionado, tomávamos uma saideira no Nelson ou em um pé sujo, e ele voltava para seu apartamento em Santa Teresa, tudo tranquilo, sem violência, bonde, arrastão... e muitas discussões sobre arte, música, cinema, pintura, aquarelas (Gonçalo dava aulas de aquarela no MAM, um dia me chamou para mostrar meu trabalho para os alunos e depois me deu um presente, uma linda aquarela da série das bandeiras).
Farei um post especial sobre esta amizade.

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

"Atelier de desenho"

Meu novo espaço para desenhos, aquarelas e também pequenas telas. Posted by Hello

sexta-feira, 30 de julho de 2004

Macacos Longevos, uma aquarela Posted by Hello

quarta-feira, 14 de julho de 2004

Os Macacos Longevos

O conceito original é do evolucionista Julian Huxley, irmão do escritor Adous Huxley, e foi retomado por outros autores como Richard Dawkins. Em defesa do conceito de que a vida poderia surgir por acaso, Huxley argumentava que, desde que dispondo de tempo suficiente, um grupo de macacos datilografando aleatóriamente poderia eventualmente produzir como resultado as obras completas de Shakespeare.
Um conceito semelhante está em Borges: a Biblioteca de Babel, infinita, com volumes onde as letras se dispõem aleatóriamente. Por ser infinita, esta Biblioteca contém livros com todas as combinações possíveis de letras e, portanto, contém todos os livros que foram ou que podem vir a ser escritos.
(A Biblioteca de Borges me remete diretamente a trabalhos da pintora Maria Helena Vieira da Silva e também a uma tela de Miguel Barceló. E hoje este conceito é visto como uma "premonição" de Borges sobre a Internet, que seria a verdadeira Biblioteca-infinita).
E o tema dos "macacos longevos" ficou em minha cabeça até que apareceu em uma série de desenhos que estou fazendo, em técnica mista (pastel oleoso, nanquim e aquarela), em meus caderninhos: escritas, garatujas, cores em interação e formas aleatórias se combinam e neste caos se vê sugestões de uma ordem.

quinta-feira, 8 de julho de 2004

Revendo "Cantando na Chuva"

A Festa (Do bolo saiu uma dançarina) Posted by Hello

Do bolo saiu uma dançarina

Sábado passado revi, em DVD, "Cantando na Chuva". Uma cena, a da Debbie Reynolds em uma festa na casa do produtor de cinema saindo de dentro de um bolo, dançando e cantando "All I Do is Dream of You" à frente de um grupo de coristas me prendeu visualmente, pela combinação de rosa e dourado em movimento, pelas fitas esvoaçantes, pelo kitsch suave e alegre. Mais tarde fiz algumas aquarelas sobre o tema, abstratas, bem coloridas com rosas, lilazes e ouro. Os títulos das aquarelas fazem referência à cena do filme. Estou também estou desenvolvendo o tema em uma pequena tela, e o desafio do abstrato está me fazendo deixar um pouco a figura de lado.
(veja mais fotos das demais aquarelas em meu Fotolog )

domingo, 20 de junho de 2004

Aquarelas sobre convites

Quatro aquarelas feitas sobre papel reciclado (convites de desgustação para vinhos argentinos) Posted by Hello

quinta-feira, 17 de junho de 2004

"Seis Profanos Corações"

Mais uma aquarela da série "Seis Profanos Corações". Posted by Hello

domingo, 6 de junho de 2004

Ainda na estante

Jabuti (em cerâmica) na estante do corredor, entre uma aquarela do Gonçalo Ivo, uma caixa do Eduardo Barreto e uma gravura ("Casal") do Gregório Gruber Posted by Hello
Mesa do atelier, com algumas das aquarelas de ontem à noite Posted by Hello

terça-feira, 25 de maio de 2004

Aquarela da série "Profanos Corações" Posted by Hello
Aquarela da série "Profanos Corações" Posted by Hello
Aquarela da série "Profanos Corações" Posted by Hello
Aquarela da série "Profanos Corações" Posted by Hello

Aquarelas: "Profanos Corações"

Domingo à noite me dediquei à aquarela, fiz algumas sobre papel reciclado impresso (convites de degustações) e também iniciei uma série, dentro da temática do Sagrado Coração. São corações enfileirados, quase "Profanos Corações", com muita cor e toques em ouro. Ficaram bonitas. Nas aquarelas estou conseguindo resultados bem superiores às aquarelas de antigamente. As recentes são muito mais soltas e tem aquela "qualidade de aquarela" que nas antigas eu muitas vezes perdia, ficando ilustrativo, por muito preso ao conceitual. Já nas pinturas ainda estou tateando. Vou fotografar as aquarelas, se conseguir boas fotos coloco aqui.