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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sábado no Centro do Rio

Uma coisa que sempre achei o máximo de NYC (e também da Europa, claro) é como os países de primeiro mundo tratam bem seus centros históricos.
Bem no início dos anos 1980 fui umas vezes a NYC, encontrei meu amigo o artista Emil Forman, morando na Thompson St., no Village, vindo de uma temporada em Paris, e com ele conheci o SoHo, que estava começando a se firmar não mais como uma extensão mais pobre do Village, e sim como um bairro de artistas, ateliês, antiquarios especializados em anos 1950 e onde as melhores Galerias de Arte estavam se instalando, em prédios velhos com espaços amplos.
Fomos a ateliês onde se faziam performances, exposições de vanguarda, se encenavam peças e espetáculos de dança, nos ateliês/casas dos artistas, descobria-se a programação em cartazetes improvisados nos bares ou nos jornais antenados, dentro se sentava no chão ou em cadeiras dobráveis e no espaço-cozinha se comprava uma cerveja ou uma taça de vinho simples por 1 dolar.
Eram ruas vazias, escuras, uma aparência de indústrias falidas; prédios de 4 ou 5 andares, com as indefctíveis escadas de incêndio de ferro (me remetiam a West Side Story). Aperta-se um interfone, a porta se abre, sobe-se pelas escadas ou por um elevador de carga e se chega a espaços amplos, remodelados, os verdadeiros lofts (palavra que no Brasil agora nomeia conjugados "espertos"), misto de atelie e moradia de artistas uns já famosos ou meio famosos, outros iniciantes.

Eu comparava com o Rio e pensava como era tudo tão diferente, o Centro da Cidade do Rio de Janeiro tinha prédios tão lindos quanto, e no entanto era um lugar ao qual se ia apenas de dia, para trabalhar ou fazer compras na Rua da Alfândega ou, à noite, para um traçado antes de entrar em um hotel suspeito. E pensava, como seria bom se o Rio visualizasse o seu Centro não como um quadro-negro a ser apagado, na mentalidade Haussmann que no Rio gerou coisas horríveis como a Esplanada do Castelo e a Av.Chile, e sim como algo a preservar, remodelar, incentivar ocupações alternativas, criação de corredores artísticos, culturais, de diversões.
Hoje, outubro de 2009, vejo que não estou muito longe do meu desejo de tanto tempo.
Um sábado, o tempo meio estranho mas com praia para os fiéis, onda para os surfistas em Saquarema... e vou ao Centro do Rio para uma programação muito intensa, que se desenvolve em locais que são antigos sobrados reformados.
E há movimento de rua, animação, taxis, se pode circular como eu circulava, já nos anos 1990, nos sábados a tarde, pela Prince St., pela  Spring St., West Broadway, visitando excelentes Galerias de Arte (Gagosian, Mary Broome, Annina Nosei Gallery, OK Harris, o Guggenheim do SoHo... (hoje o SoHo se transformou em uma Disney, os aluguéis caros explusaram os artistas para o Brooklin e outros novos lugares, as boas galerias foram para Chelsea, mas a ideia permanece a mesma).
No Centro do Rio em 2009 faltam coisas, sim, claro, muitas, mas está muito interessante, e pelo que entendo é um movimento que surgiu meio à margem do institucional, do governamental, a partir de artistas que usaram espaços como ateliês e residências e resolveram ir além, usar os espaços como alternativas para veicular seus trabalhos, somando-se ao renascimento da Lapa, enfim, o Centro do Rio se transmuda e é bom acompanhar esta mudança.
1- Gentil Carioca - Rua Gonçalves Ledo, 17 -  Parte do Projeto Ocupação, produzido pela Belvedere, que "ocupou" o evento Casa Cor com exposições de arte de ótima qualidade. No sábado foi o debate dos artistas cuja exposição esteve durante a semana na galeria da Casa Cor: BobN, Pedro Varela e Bernardo Ramalho, mediados pelo crítico Felipe Scovino. Muito interessante o debate, são artistas com percursos diferentes e muita coisa para contar. De quebra, a bela exposição da artista Maria Nepomuceno, "Esfera Dalva".
2- Largo das Artes - Rua Luiz de Camões, 2 - Desenhos de Francisco Farias, com uma técnica impecável, inclusive em grandes dimensões. O espaço monumental do Largo das Artes é, para mim, dos melhores do Rio, e representa um desafio para os artistas; a exposição soube ocupar bem este espaço, unindo aos desenhos, poemas de Josely Vianna Baptista. Curadoria de Regina Pinho de Almeida.
3- Durex Arte Contemporânea, na Praça Tiradentes, 85 - Exposição individual de Clarisse Tarran, "Homem Botânico",  com desenhos, colagens, bordados, uma instalação e um vídeo. Uma exposição bem interessante, belos trabalhos, gostei em especial dos bordados, onde o desenho e o jogo de transparências se somam à delicadeza da execução.
4- Barracão Maravilha - Rua Gomes Freire, 242 - Um espaço muito bonito, em um sobrado do início do século XX. Uma coletiva de fotógrafos.
5- Inauguração do Espaço C.A.V.E., na Rua do Senado 338, esquina de Rua do Riachuelo. É o Coletivo Apis de Visualidade Experimental, um sobrado antigo com a proposta de ser "uma espécie de híbrido entre Galeria, Atelier e Escritório de Arte, mantido pelos seus participantes.", que são Antonio BokelAlê SoutoLeonardo EteroJoanna BarrosMaria Helena BastosPeu Mello e Patrícia Bowles. Na abertura, além da exposição de obras dos artistas, o coletivo Filé de Peixe  fez projeções de videos selecionados de seu projeto “Piratão” e Bernardo Ramalho instalou seus brinquedos interativos na praça Frei Orlando, em frente ao casarão. No debate na Gentil o Bernardo falou sobre a sua proposta dos brinquedos interativos, apresentando imagens da inauguração, em 27/setembro (dia de São Cosme & Damião), de uma praça em uma comunidade carente de São Gonçalo, Niterói, e do trabalho voluntário que ele faz com as crianças da comunidade; a instalação na praça Frei Orlando foi logo cercada de crianças, e esta interação do espaço de arte com a comunidade é uma coisa muito importante. Ah sim, e além do som (DJs), um bar com deliciosas caipirinhas transformaram o final de sábado em uma noite deliciosa!

sábado, 13 de junho de 2009

Sábado no Rio

Chego no Rio na 6a.feira a noite, cansado, muito frio e chuva. Mas o sábado (dia de Santo Antonio, antigamente os solteiros estariam fazendo promessas para encontrar suas caras-metade...) amanhece com um sol que tenta se impor às nuvens e ao frio; é a cara do Rio, bermudão e casaco... e vou às exposições, no circuito da Zona Sul:
1- Amarelonegro, Co.Labor, um mix da produção de artistas contemporâneos e estilistas, exposição bem resolvida com os trabalhos de Efraim Almeida, James Kudo, Raul Leal e Rafael Alonso; e de Isabela Capeto, Kylza Ribas, Marcella Virzi e Marc Greiner. O diálogo entre obra e roupa se faz desde a partir de elementos mais formais (cores, motivos), até chegar a uma verdadeira interação de propostas, no caso da parceria Efraim Almeida e Marc Greiner (o estilista utilizou no vestido elementos feitos pelo artista, e em sua estranheza é um contraponto à estranheza do casaquinho de peles segurado por mãos de madeira como em prece, do artista).

2- Na Laura Marsiaj, Marcus Vinícius, artista paulista. São "quadros", construções feitas de módulos pintados, vidros, cartolinas, em cores vivas, que remetem às pintura e especificamente ao construtivismo. O colorido é muito bonito e às vezes aparece em brincadeiras ópticas; em algumas obras, os quadros se transformam em "Livros", objetos manuseáveis. No Anexo, uma mini-retorspectiva do artista mostra um caminho com coerência e crescimento.
3- No Instituto Moreira Salles, "Olhar Direto: Fotografias de Paul Strand" e "Volpi, dimesnsões da cor", bons trabalhos do artista, com curadoria de Vanda Klabin. O fotógrafo e cineasta americano é um clássico, algumas de suas imagens estão para sempre na memória cultural do Ocidente, e é muito importante uma exposição tão completa sobre o artista. Quanto ao Volpi, uma boa seleção de obras, com obras pouco vistas mesmo entre as tão mostradas bandeirinhas, e um catálogo que parece bem interessante (comprei mas ainda não li, transcreve um debate sobre a arte de Volpi, entre 6 artistas/críticos, mediado pela curadora), mas infelizmente a exposição fica marcada (é o que aparece na midia) pelo altíssimo valor de direitos de imagens cobrado pelos herdeiros do artista para ter seus trabalhos reproduzidos no catálogo e folder da exposição, e que inviabilizou a reprodução. Assim, temos um catálogo onde "o de que se fala", que são obras de artes visuais, é visto apenas por palavras, sem imagens; as imagens do catálogo são fotos dos debatedores; o que no mínimo é curioso; ou anacrônico, quando se pensa que estamos no terceiro milênio, na época da internet e do CreativeCommons. Bom, e o friozinho da Mata Atlântica remanescente nos jardins da antiga casa do Embaixador (um paraíso modernista) é uma maravilha, saio de lá sem nem ver a favela que hoje domina todo o entorno daquele antigo bairro nobre do Rio.
4- Na Anita Schwartz, Abraham Palatnik. Bonitos quadros, com o característico tratamento preciso de tirinhas deslocadas que constrem uma pintura dinâmica, como um op-art feito não só na retina e sim na superfície do suporte. E os objetos cinéticos que vem de um Tatlin, um Gabo, e são uma das caras do modernismo brasileiro, são utópicos em sua mecânica engenhosa, apontam para um futuro como este que era previsto nos anos 1950 e 1960, são uma imagem de futuro que ficou datada (como a visão de Kubrick em 2001 com o voo espacial de uma PanAm que não chegou ao milênio...) e por isso mesmo se transformou em perene. Hoje, um clássico. E é bom que ele esteja vivo, produzindo, e expondo no lindo espaço da Galeria, que acolhe bem tanto um gigantismo de um Nuno Ramos como os discretos e obsessivos movimentos mecânicos do Palatinik.

5- Nas Cavalariças do Parque Lage, reabrindo o espaço tão bonito para propostas artísticas, "Nudez e Território", uma instalação de Cristina Salgado ("Grande nua na Poltrona Vermelha") e uma videoistalação de Regina de Paulo ("O Cubo Paisagem"). As curadoras: Luísa Interlenghi e Sheila Cabo Gerardo. Cristina mostra uma instalação impactante, onde dezenas, centenas, de perfis de mulheres cortados em carpete/feltro (são 900 m2 de tapete), caindo do teto, se espalhando pelo chão, como que deitadas, saindo de, explodindo, em uma poltrona vermelha... Já o vídeo de Regina é quase um caseiro, uma cena de uma praia de Copacabana, crianças brincando no mar; mas a onipresença de um cubo geométrico sobre a imagem tudo transforma, como se a cena quotidiana, atemporal, atingisse uma transcendência da matemática, da construção de uma realidade além.
Depois disso tudo, um almoço tardio em outro monumento modernista, o Parque Guinle, num apartamento dos prédios projetados pelo M.M.M.Roberto. Um luxo. O Embaixador gostaria.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Co.Labor, in Amarelonegro Gallery


In Ipanema, Rio de Janeiro, Amarelonegro Arte Contemporanea Gallery is showing Co.Labor, a an exhibition of works by artists Efrain Almeida, James Kudo, Rafael Alonso and Raul Leal, and stylists Isabela Capeto, Kylza Ribas, Marcella Virzi and Mark Greiner. The show goes on until June, 20.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

São São Paulo

Neste final de semana que passou, finalmente fui a São Paulo para ver a 26ª. Bienal.
O que destaco: de longe a melhor coisa da Bienal, o ateliê do Paulo Bruscky.
Em pintura: Beatriz Milhazes, Neo Rauch, Albert Oehlen (Alemanha), o belga Luc Tuymans, a dupla austríaca "climática" Muntean e Rosenblum. O pós-comunista Pavel Pepperstein é interessante mas como pintura deixa a desejar. Os retratos duplos (pintor pinta camponês, camponês pinta pintor) do chinês Chen Shaofeng são interessantes (alguns trabalhos de camponeses são "melhores" como pintura que os realistas trabalhos do pintor). Alguma coisa de um trio de artistas da República Eslováquia que pintam em conjunto ("Three of a nice pair" – Ivan Csudai, Stanislav Diviš e Laco Teren).
Uma vídeoinstalação apenas me prendeu a atenção, do francês Melik Ohanian, uma sucessão de desastres impressionantes, em nove projeções simultâneas.
A performance/instalação dos portugueses Rui Chafes e Vera Mantero (em vídeo pois a performance mesmo aconteceu apenas nos primerios dias da Bienal).
A proposta do norte-americano Mark Dion, revendo a viagem do Thomas Ender pelo Brasil, as fotos do alemão Thomas Struth e as instalações de Ieda de Oliveira, Laura Vinci e Ivens Machado, além do Chelpa Ferro que eu já havia visto no MAM do Rio.
Em São Paulo vi também a exposição Fashion Passion, na OCA, uma exposição linda, bem montada, com um clima realmente fantástico. Uma oportunidade única de ver de perto, reais, vestidos de Paul Poiret, Coco Chanel, Dior, Pucci, John Galliano, Christian Lacroix, Viktor & Rolf (destaque para o smoking-esqueleto), Elsa Schiaparelli (o manteau Arlequim e os vidros de perfumes são algo que eu queria muito ver ao vivo), Yves Saint Laurent, Balenciaga, Courrèges, Vivienne Westwood, Jean Paul Gaultier (lindíssimo o vestido que se inicia no decote como uma simples malha listrada de marinheiro, na cintura começa a receber pequenas plumas listradas e se encerra na barra com a profusão de plumas)... além de um final com uma parada de criadores brasileiros... O site é interessante, clicando em "Veja o Hot Site" há uma viagem pela exposição.