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quarta-feira, 10 de março de 2010

Trabalhando em desenho

Em fevereiro fiz um workshop no Parque Lage, com a artista e professora Malu Fatorelli, cujo foco era trabalhar em auto-retratos utilizando desenho como ferramenta.
Há algum tempo eu não desenhava; usando desenho para anotações (principalmente nos inúmeros Moleskines) ou como esboço ou "aquecimento" para pinturas; mas o workshop - e as limitações de espaço pelas quais estou passando antes de me acomodar direito em ateliê no Rio - me levaram a trabalhar intensamente em desenho, neste início de março.
Os temas são os que frequentam minhas pinturas: as vanitas, os auto-retratos, os losangos que já foram colunas do Palácio da Alvorada e que agora são naipes de ouros... e o resultado, e o espírito, dos desenhos tem muito das pinturas, mas sinto que eles tem existência autônoma, e que vou continuar com estas séries.

Coloco aqui alguns deles, a série toda está no Facebook (clique aqui para ver a série toda) e no Flickr.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Viciado em Ópera


O que faz um viciado em ópera quando as duas cidades onde mora nos últimos tempos estão a zero em termos de programação operística? Dizem que a "opera-addiction" traz síndrome de abstinência com efeitos quase tão pesados como os da "heroin-addiction".
Brasília, além das eventuais "óperas para o povo", grátis, na Esplanada, tem uma sessão semanal de DVDs de ópera tradicionais do Met, em um dos cinemas da Academia de Tenis; é pouco, para uma capital que talvez tenha um público potencial, pelo menos nas Embaixadas. E o Rio, mesmo antes do Theatro Municipal entrar nesta reforma em ritmo de obra de igreja, já estava sem programação ou com uma programação raquítica. É pouco. Muito pouco.
O que fazer? Sonhar com Callas e acordar ouvindo Claudia Netto no rádio da vizinha? (quem é Claudia Netto?)
Uma coisa que tenho feito é matar meu vício a conta-gotas: ver trechos de óperas pelo Youtube. Internet é o máximo, e o Youtube tem tudo, ou quase tudo. E a partir destes meus prazeres solitários, trechos de máximo de 10 minutos na tela do notebok, sonho com a grandiosidade, a transcendência, o prazer sinestésico que somente a montagem ao vivo de uma ópera consegue me dar (sem drogas proibidas, claro).
Assim, me fixei em 3 óperas, das quais vejo pedaços, à exaustão. Esqueci Verdi, Mozart, Rossini. Ouço  Philip Glass ( Akhnaten e Satyagraha) e John Adams (Nixon in China). As duas primeiras fazem parte da Trilogia de óperas do compositor americano Philip Glass que abordam homens que mudaram o  mundo em que viveram a partir do poder de suas ideias (a terceira ópera da Trilogia é Einstein on the Beach, igualmente linda, mas que por algum motivo subjetivo não entrou em minha compulsão neste período).


Nixon in China, ópera de 1987, também fala sobre algo que mudou o mundo, a visita do Presidente dos USA Richard Nixon à China, em 1972 (descrita pelo próprio Nixon como "uma semana que mudou o mundo"), que marcou o processo de entrada daquele país na comunidade (e no comércio) internacional, possibilitando que, com a queda do Muro de Berlin e da URSS, a polarização USA x URSS dos anos de Guerra Fria tenha se deslocado para USA x China. A ópera do compositor John Adams, também americano, tem foco nos personagens do Presidente e da Primeira Dama Pat Nixon, do Comandante Mao e sua esposa Jiang Qing (líder da Gang dos Quatro, que detinham o poder e posteriormente seriam derrubados e condenados)e os dois assessores, Henry Kissinger e Chou En-lai. Nas primeiras cenas, a chegada da comitiva de Nixon (com um avião Air Force 1 no cenário), seguida pela visita a lugares da China rural, uma apresentação de uma peça de propaganda política (é a época do livro vermelho de Mao e da Revolução Cultural chinesa, de triste memória) com uma aparição espetacular de Jiang Qing cantando o que acho o ponto alto da ópera, a ária I am the Wife of Mao Zedong; uma aparição surpresa do próprio Mao; e a última noite na China, quando os personagens dançam um foxtrot enquanto avaliam a semana, seus passados e futuros políticos. A música é minimalista e ao mesmo tempo espetacular, e mesmo o que seriam temas "chineses" não caem no folclórico; o cenário na maior parte do tempo dominado por um gigantesco retrato de Mao que remete ao pop e ao Warhol; e a ópera toda tem um clima pop e irônico.


O Faraó Akhnaten foi o primeiro monoteísta da história, e a substituição, durante seu reinado no Egito, da religião politeísta pelo monoteísmo, foi uma das causas de sua violenta deposição. A ópera, escrita por Philip Glass em 1983, descreve a ascenção, o reinado e a queda do Faraó; e os duetos deste com sua esposa, a rainha Nefertiti, são os momentos altos da partitura, que abandona um pouco o "minimalismo pesado" de outras obras do compositor (inclusive das outras óperas da Trilogia) para chegar a harmonias que, embora sem deixar o minimalismo, são mais acessíveis.







Em Satyagraha (1980), o assunto é Mahatma Ghandi e o desenvolvimento de sua prática de protestos não-violentos como arma política; o título da ópera é uma palavra em sânscrito que significa "força verdadeira". Cada um dos atos é dominado por uma figura histórica, que não canta, mas desempenha papel de catalisador da ação: o poeta indiano Rabindranath Tagore, o escritor russo Leon Tolstoy e o líder americano Martin Luther King Jr. A ação é monumental, o tempo é lento, repetitivo; e a música minimalista, e lindíssima, envolve e domina o espectador como um mantra.







Com estes pedaços de óperas comecei, nos últimos meses de 2009, uma nova série de pinturas. Algumas delas estão aqui, "auto-retratos como Akhnaten"; nestas últimas aparecem, no cenário, outros elementos que utilizo em minhas pinturas: a vanitas do Philippe de Champaigne, as carpas. Não procuro nestas pequenas pinturas a monumentalidade da ópera, e sim um clima de fantástico, lisérgico, a musicalidade das cores, um certo kitsch, um tom nostálgico de um mundo perdido, pois o Akhnaten da ópera poderia muito bem ser eu, vestido de egípcio nos bailes do Theatro Municipal de um Carnaval onde eu ainda era uma criança.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

As bandeiras, uma série de pinturas, os perigos


Eu estava indo de São Paulo para São José dos Campos, uma manhã de outubro do ano passado, por uma das auto-estradas cheias de postos de pedágio, quando uma imagem me entrou pelos olhos e ficou gravada em meu cérebro.
Tudo muito rápido, o carro na velocidade máxima, meus companheiros de viagem conversando sobre a reunião que teríamos logo mais em São José, eu ainda meio sonado... quando, talvez sobre a porteira de uma daquelas fazendas, vi, muito rapidamente, uma bandeira. Simples. Branca, com dois retângulos vermelhos desalinhados.
Aquela imagem me perseguiu, e alguns dias depois, já de volta a Brasília, comecei uma série de pequenas telas (pequenas mesmo, 15x20cm) com estudos sobre o que me lembrava da bandeira, mesmo sem saber seu significado. 
Como que querendo, precisando, recapturar aquela imagem (que provavelmente nunca mais verei), para me libertar dela, extraí-la de minha retina, de minha memória, apagá-la para sempre daquela paisagem verde de uma calma fazenda na beira de uma auto-estrada.
Por trás da bandeira, nas minhas telinhas, aos poucos aparecem os crânios, os esqueletos, as vanitas, e assim se fez uma pequena série de pinturas, como sempre o tema apenas um pretexto para brincar com cores, com as formas, experimentar contrastes, texturas, escorridos, transparências... enfim, com a pintura, desta vez em um mínimo universo de apenas 15x20cm.
Depois, pesquisando na internet, cheguei a uma bandeira semelhante.
Não uma bandeira de um país, nem pavilhão de uma família nobre, de um clã ou de um time de futebol, e sim uma das bandeiras de sinais náuticos.
A Wikipedia, onisciente como sempre, define: "As Bandeiras de Sinais distinam-se à transmissão de mensagens à distência. Em meados do século XIX foi estabelecido um código internacional de sinais, em que existe uma bandeira específica para cada letra ou número, algumas das bandeiras significando letras podem também transmitir, por si, uma mensagem específica." 
As cores de uma das bandeiras de sinal náutico são as mesmas da minha bandeira apenas percebida na manhã de um outubro, o branco e o vermelho, mas os retângulos se transformaram em quadrados, e o fundo branco diminui (ou os quadrados vermelhos se expandem), e a bandeira passa a ser quatro quadrados com cores alternadas. Diferente da "minha" bandeira, mas com alguma semelhança. No alfabeto de sinais , ela representa a letra "U", identificada como "U-niform". E o mais incrível é o significado oculto na letra U, a mensagem específica deste sinal náutico, que poderia ser, ou não, o significado da bandeira guardiã de uma porteira de fazenda na beira de uma estrada no Estado de SP:

UniformVocê está indo em direção a um perigo
..-

Se eu tivesse um país ou um clã, esta seria a minha bandeira.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Os últimos auto-retratos


Eu ainda não me pareço com todos os auto-retratos desta minha serie de pinturas, mas um dia estarei extremamente parecido com cada um deles.
Um pouco como Picasso disse sobre Gertrude Stein e seu retrato: "Everybody says that she does not look like it but that does not make any difference, she will..."
Yes, Mr.Pablo, I will!.

Clarisse Terran mandou, pelo Facebook, uma história: "Lembrei de Mario Carneiro depois de 1h imóvel, dizendo pra Iberê que já estava bom o seu retrato. Iberê retrucou: Bom nada chê.. vc ainda está com 18 anos. Tenho que chegar aos 60. Fica quieto..."
Como neste diálogo, fantástico, eu (modelo) diria a mim mesmo (pintor): "eu rumo célere, desde os 18, para os 60".
Eu, na verdade, ao completar 17 anos, escrevi um poema onde dizia que tinha vivido (fiz as contas todas) 1/5, 1/4, 1/3, metade de uma vida, ou uma vida inteira; e hoje, tanto tempo depois, ainda nem cheguei aos tais 4/4 dos quais os 17 anos seriam o pedacinho de 1/4, e vivendo tanta coisa...

Ou, ainda, os auto-retratos são um pouco como Oscar W., o amigo do Bosie , contou sobre um certo Dorian G.; de uma certa forma é o que acontece.
Durante o dia eu, solar, planáltico, objetivo, pragmático, profissional, amigo, colaborador, realizador; mas os retratos estão lá, não mais em um sotão mas em um loft ou um apart-hotel; as pequenas telas em branco magicamente se multiplicam durante o dia, como coelhos ou lesmas, e à noite elas se recobrem de tinta, por si sós, umas às outras, enquanto eu respondo meus emails ou teclo no msn ou durmo; e na manhã seguinte, mais pequenos auto-retratos estão aí, espalhados por todo o espaço; antes de sair tenho que esconde-los da faxineira; eles abarrotam as gavetas, os armários, o freezer; e eles me dizem apenas: "pulvis es, tu in pulverem reverteris".
Sim, é isso: "és pó"
Obrigado por me lembrar disso, meus queridos auto-retratos...

Sermão de Quarta-Feira de Cinzas do Padre Antonio Vieira

Para ver toda a serie de auto-retratos no Facebook

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pinturas, uma nova série




A imagem invadiu minha cabeça ao primeiro olhar, do meio de uma pilha de jornais velhos que eu examinava para separar alguma coisa interessante antes de jogar fora. Uma foto, como as várias que eu escolho para usar como material para meus desenhos no caderno de capa de couro vermelho, meu Caderno de Retratos #1. Uma foto, um ícone de um cantor brasileiro, em seu show de 50 anos de carreira, acho eu, o texto não me importou, e sim a imagem, em tons de azul. Icônica sim, impossível deixar de lembrar do altar feito em 1966 pelo Nelson Leirner entronizando outra icônica foto do cantor, jovem, em seu início de carreira, emoldurado em neón. Mas na verdade não é isso que me interessa, o ídolo, a imagem pública construída com cuidado e veiculada incessantemente na mídia. Algo mais me interessa nesta imagem específica, nesta foto, algo transcendente e ao mesmo tempo algo pictórico. Que só pintando eu posso atingir, desvendar.
Não mais a foto de um cantor, não mais uma piada sobre a imagem do cantor, uma crítica ao sucesso, nada disso. E a minha trilha sonora mental ao inciar a pintar esta nova série é o "Sympathy for the Devil", dos Rolling Stones, naturalmente. Nesta nova série, ainda sem nome - que interrompe momentâneamente os estudos sobre as vanitas , mas ao mesmo tempo é outra maneira de dizer a mesma coisa que as vanitas - comecei usando telas pequenas (41x33cm), e me atenho mais à estrutura e paleta da foto original (até nem tanto, faço variações, mas não as invenções ilimitadas dos estudos sobre as vanitas). Do cantor, o que restou é o terno e a pose, pois substituo seu rosto por uma máscara mortuária, um ser mutante ou um crânio (onde aparecem traços de minha admiração por, entre outros, Bacon, Ensor, Giacometti e Basquiat). Aqui, algumas das 5 telas já terminadas.

domingo, 31 de maio de 2009

Novas telas (série das vanitas)






Pintei ontem, um sábado tranquilo em Brasília, estas cinco novas telas(50x60cm), da série dos estudos sobre a vanitas do pintor Philippe de Champaigne. São as de numeros XLII e XLIII, XLIV, XLV e XLVI. Este mês de maio, com a sequência de muitas viagens, passei um bom tempo sem pintar, e assim retomo a pintura com prazer renovado; hoje, domingo, já estou trabalhando em mais telas da série, que postarei ao terminar.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Detalhes









São apenas detalhes, de algumas das pinturas que fiz neste final de semana, e que já postei na íntegra neste blog, da série das vanitas. Nos detalhes, pinturas abstratas, sobreposições, escorridos, monotipias, tinta espessa ou aguada, dourados, os traços gestuais- o painterly que é tão gostoso de fazer na medida em que os exercícios, os estudos, me fazem gostar mais do meio utilizado, a pinta acrílica e o carvão.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Novas pequenas pinturas






Cinco novas pinturas, pequenas telas (30x40cm), da série dos estudos sobre a vanitas do pintor Philippe de Champaigne. Pintei estas ontem, um domingo tranquilo, de um só fôlego. São as de numeros XXXVII, XXXVIII, XXXIX, XL e XLI. É interessante fazer estas variações em escala: as telas 50x60cm, 70x100cm e agora estas menores apresentam questões diferentes, são novos desafios. E a série, chegando às casa das quarenta telas, está longe de se esgotar, do trabalho surgem as novas ideias, que geram outras...

domingo, 3 de maio de 2009

Novas pinturas






Continuando os estudos sobre a vanitas de Philippe de Champaigne, as minhas cinco últimas pinturas da série, feitas ontem. São as de número XXXII, XXXIII, XXXIV, XXXV e XXXVI, todas no tamanho 50x60cm. Ainda não coloquei no blog a imagem da XXXI, pintada em minha última ida ao atelier do Rio, que ainda não foi fotografada.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Novos estudos (Philippe de Champaigne)




Agora em Brasília, nos estudos sobre a vanitas , volto ao tamanho de 50x60cm, e termino estas 3 telas, iniciadas antes de minha última ida ao Rio, são as de número XXVIII, XXIX e XXX. Mais telas me esperam, muitas ideias. A cada nova tela, ao repetir a mesma estrutura da tela do Philippe de Champaigne não me sinto repetindo, não me sinto preso, pelo contrário; me sinto como o agricultor que traça no solo uma estrutura ancestral para sobre ela ver brotar o inesperado de novas vidas.

domingo, 29 de março de 2009

Mais 2 Estudos sobre vanitas



No Rio, no atelier no prédio art-decô da Praia do Russell, tenho mais (um pouco de) espaço, e posso fazer os estudos da vanitas de Philippe de Champaigne em tamanho maior: 1m x 80cm. A proporção entre altura e largura da tela também é mais favorável, e os objetos sobre a mesa de espalham mais. Há uns bons 6 meses que eu não ia a este atelier, e olhando as últimas telas inacabadas tenho vontade de queimá-las; realmente a pintura é uma coisa que se conquista no trabalho, a cada dia; e nestes últimos meses eu pintei muito, em Brasília, nas telas 50x60cm e, em 2009, nos estudos das vanitas; assim as últimas telas meio mal paradas do atelier do Rio ficaram lá atrás em uma estrada onde eu tanto caminhei. Não seja por isso, duas inacabadas (ou apenas iniciadas) são a base para os dois novos estudos, os de número XXVI e XXVII.

sexta-feira, 27 de março de 2009

As vanitas (mais Philippe de Champaigne)





Continuo nos estudos sobre aquela vanitas clássica do pintor Philippe de Champaigne, as ideias novas aparecem, a partir da pintura, a partir do conceito, e é facil ver as duas vertentes; minhas ideias me trazem ao formato dos quadrinhos, do cineminha de tantos desenhos; parti para anotar as ideias, antes em papeis soltos, em telas em branco, sobre elas pinto, enfim (essa vertente aparece nesta ultima tela que mostro aqui, e aparecerá em outras que ainda estão inacabadas). Por outro lado, a pintura, em si, me leva a outros desenrolares. É como o Ivan Serpa, ao dizer que sentiu o gosto do azul, eu sinto o gosto do magenta ao lado do vermelho, do azul ao lodo do verde com uma separação em laranja, enfim... O resultado são pinturas, que se acumulam em meu pequeno apartamento de Brasilia, que breve poderão estar ocupando todos os espaços deste apartamento e que não me deixarão descansar até tentar tudo, seguir pelo pictórico e/ou pelo racional, enfim, "para isso fomos feitos: para lembrar e ser lembrados, para chorar e fazer chorar, para enterrar os nossos mortos" como escreveu Vinícius de Moraes no Poema de Natal.
Estas então são as XXII, XXIII, XIV, XV, da sequencia... e muitas mais virão...

domingo, 22 de março de 2009

Mais vanitas (sobre Philippe de Champaigne)




Três novas telas (XIX, XX e XXI), estou continuando os estudos a partir da vanitas do pintor Philippe de Champaigne; continuo no tamanho básico 50x60cm, ainda não enfrentei o aumento na escala que estou planejanto, o que terá que ser feito no meu atelier na Glória, Rio de Janeiro, pois em Brasília o espaço é pequeno e alguma coisa muito maior que o tamanho básico vai exigir contorcionismos; talvez contorne esta restrição fazendo dípticos, usando as 50x60cm como módulos, como o David Hockney está fazendo... enfim, mãos à obra...