sábado, 6 de dezembro de 2008

No Aeroporto JK


“Senhor, o seu vôo foi cancelado, os passageiros estão sendo acomodados no vôo das 8:30h.” OK, o que fazer? Dezembro, apagão aéreo.
O Aeroporto de Brasília é esquisito. Os militares fizeram de tudo para impedir que o Niemeyer fosse o autor do projeto do aeroporto da capital, então construíram um galpão, hoje renovado, e com planos de expansão. É amplo, bom estacionamento, limpo, mas não deixa de ser weird.
São 6 e meia da manhã de um sábado, meu vôo para o Rio foi cancelado, estou sonado e com fome, e do terceiro andar do Aeroporto, onde ficam os cinemas, praça de alimentação, até barzinhos com som ao vivo, um barulho de festa: uma música ao longe, gargalhadas, vozes jovens que conversam quase gritando...
E pelas escadas rolantes vão descendo do terceiro andar e se espalhando pelo Aeroporto inteiro, aos poucos, como num final de festa, dezenas e dezenas de jovens. Aos poucos minha mente sonolenta identifica o evento como uma festa de formatura, pela idade dos jovens, pelos vestidos a rigor das moças (provavelmente o primeiro vestido a rigor que muitas usam), pelo rigor não tão rigoroso dos rapazes: blazers, camisas sociais, ternos pretos sem gravatas, muitos combinam os ternos com tênis, alguns abriram a camisa para mostrar o peito malhado. Alguns descem no fluxo inverso da escada rolante, outros se equilibram perigosamente na borda do espelho d’áagua do térreo, um é empurrado até o estacionamento dentro de um carrinho de bagagens. Algumas meninas descem a escada rolante em duplas ternamente abraçadas. Não é ainda o final de festa, pois o movimento é intermitente, me pergunto até que horas esta festa vai durar, se é que é mesmo uma festa de formatura, num Aeroporto?
Me lembro de minha festa de formatura, me vejo também me equilibrando na borda de um laguinho, andando por uma contra-mão, tirando os sapatos com o primeiro terno, bebendo até vomitar em uma sarjeta daquela São Luiz do Maranhão de tantos anos atrás, do século passado... Na verdade minha festa de formatura foi a formatura do primeiro grau (na época era o ginásio), pois minha formatura da faculdade foi na época de contestações, pós-1968, e nossa turma votou por não fazer uma festa de formatura, minha avó queria me dar o anel de grau e eu pedi o dinheiro do anel para me ajudar na entrada de um fusquinha.
Entro para os portões de embarque, o detector de metais apita, tenho muito tempo, penso, e rio comigo mesmo. Eu não tenho mais muito tempo assim, eles têm, e têm também a consciência de ter todo o tempo do mundo pela frente, que eu já perdi nesta estrada.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A Morte e a Donzela



Duas pinturas de novembro (50x60cm), ambas chamadas "A Morte e a Donzela". Para as mulheres expressionistas me lembrei do de Kooning e da série Mulher e Bicho do Ivan Serpa. "Death and the Maiden" é o filme do Polanski mas é sobretudo o quarteto de Schubert, e também as xilogravuras da Dança da Morte de Holbein.
Da Wikipedia:
La Danse Macabre, também chamada Dança Macabra, Dança da Morte, La Danza Macabra, ou Totentanz, é uma alegoria do final do período medieval sobre a universalidade da morte: não importa o estatuto de uma pessoa em vida, a dança da morte une a todos. La Danse Macabre consiste na representação de uma Morte personificada conduzindo um fileira de figuras de todos os estratos sociais dançando em direcção aos seus túmulos— tipicamente com um imperador, rei, papa, monge, adolescente e bela mulher, todos numa forma esqueletal. Estas representações foram produzidas sob o impacto da Peste Negra, que lembrou as pessoas de quão frágeis eram suas vidas e quão vãs eram as glórias da vida terrena.
O exemplo artístico mais antigo é o cemitério pintado a fresco da Église des St. Innocents (Igreja dos Santos Inocentes, em francês) em Paris (1424). Há também trabalhos por Konrad Witz na Basiléia (1440), Bernt Notke em Lübeck (1463) e xilogravuras por Hans Holbein, o Moço (1538).
As cenas finais do filme O Sétimo Selo por Ingmar Bergman retratam um tipo de Danse Macabre.
Israil Bercovici afirma que a Danse Macabre originou-se entre os judeus sefardins no século XIV na Espanha. [Bercovici, 1992, 27].

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

...e em 2007 o Frank Stella no Roof Garden...




Em 2007, a exposição no Roof Garden do Met era do Frank Stella, maquetes de projetos arquitetônicos, e as esculturas feitas a partir das maquetes. Não tinha o colorido e a alegria da celebração do Jeff Koons, era uma exposição mais pesada, ligada à temática do Moby Dick explorada pelo Stella. Mesmo assim, como se vê em minha foto, o Roof Garden se transforma em uma explêndida happy hour...

Ainda Jeff Koons no Roof Garden do Met...




Três ângulos da escultura de um coração embrulhado para presente, do Jeff Koons, que esteve no Roof Garden do Met em NYC até outubro. Uma resenha creditada ao NYTimes (recebi por email) bem interessante (abaixo) mostra alguns senões à mostra, porém focados na localização ingrata para as obras:
"NOVA YORK - Com uma vista de tirar o fôlego, traçando um panorama do Central Park e do horizonte de Manhattan, o jardim no telhado do Metropolitan de Nova York, denominado Cantor Roof Garden, poderá surpreender o visitante como um excelente lugar para abrigar uma exposição de esculturas ao ar livre, como acontece todos os anos. Na verdade, trata-se de um lugar inóspito para esculturas, como demonstrado pela exposição de 2008, aberta nesta terça-feira, 22: três belos e inéditos trabalhos do conceituado artista pop Jeff Koons.
"Cada uma das esculturas é uma representação ampliada de algo menor em aço inoxidável, polido e laqueado - um cão de brinquedo feito de balões, um coração do dia dos namorados embalado numa folha metálica e a silhueta do 'leitão', de um livro de colorir do 'Ursinho Puff', como se estivesse pintado ao acaso por uma criança pequena.
"São trabalhos expressivamente travessos. Com suas partes pneumáticas, em forma de salsicha, Balloon Dog (amarelo) é um astuto cavalo de tróia: parece inocente, mas é carregado de estética e perversidade erótica. Sacred Heart (vermelho/dourado) comenta de maneira incisiva a mudança comercial no significado de uma experiência emocional e religiosa. Coloring Book reflete a obsessão jovem e a infantilidade da cultura e sociedade moderna.
"Mas localizados num pátio sem definição arquitetônica, onde também se vêem áreas ocultadas pelos proprietários do Roof Garden Cafe, as esculturas se tornam acessórios decorativos. O maior problema é a escala. Visto numa galeria interna, o brilhante Balloon Dog metálico, que atinge cerca de 3 metros de altura em seu ponto mais alto, poderia ter uma imposição diferente. No teto, parece ter seu crescimento impedido pelo céu; no aberto, poderia se expandir para o espaço, no sul e oeste do museu.
"A intimidade das esculturas de Koons também é diminuída. A atenção perfeccionista aos detalhes é um dos aspectos mais convincentes de seus trabalhos: note o exato laço que serve como nariz para o cachorro em forma de balão, ou as marcas de dobras e pregas no coração embalado.
"O ambiente que causa distração, porém, impede um olhar mais cuidadoso.
"Devido ao fato de ser a maior e mais simples escultura, Coloring Book é o trabalho que menos sofre com a inferência do ambiente. Mas também é o menos interessante do ponto de vista formal, contornado irregularmente com cores transparentes e aquosas.
"Local à parte, as esculturas de Koons permanecem como objetos intelectualmente excitantes, que aguçam os sentidos - Balloon Dog é a obra-prima - e valem uma visita sob qualquer circunstância."

Mesmo reconhecendo a pertinência das críticas, eu continuo achando que foi uma exposição maravilhosa... e uma ótima happy-hour...

Cantareira


Da série "Thesouro da Juventude", foto de uma proposta de instalação para o evento do Grupo Pyrata nas Barcas Rio-Niterói em 2005. Até a realização do evento mudei muito a proposta, a instalação finalmente realizada se ampliou até se tornar uma "sala de leitura" no 2º andar da Barca, assim este trabalho que publico aqui ainda permanecia inédito.

A Difficuldade do Barqueiro (série “Thesouro da Juventude”)
Três livros, com interferências em desenho, de uma velha edição do Thesouro da Juventude, abertos em páginas com imagens das “Bellezas Architectonicas do Rio” e da “Praia de Icarahy (Bellas Praias perto das Grandes Cidades)”, mediadas por uma fábula sobre “A difficuldade do barqueiro”.
Os 3 livros são apresentados abertos, em seqüência, da esquerda para a direita:
a) Volume 17, pág. 5358-5359 - “Bellezas Architectonicas do Rio”
b) Volume 16, pág. 5210-5211 - “A difficuldade do barqueiro”.
c) Volume 14, pág. 4488-4489 – “Praia de Icarahy (Bellas Praias perto das Grandes Cidades)”
A única exigência em relação à montagem é que esta seqüência na posição horizontal seja obedecida, dependendo do espaço disponível será definida a melhor opção para a montagem final. Dimensões do trabalho: 90 cm x 24 cm (l x a)

Pelo amor de Deus...




Três imagens de "For The Love of God", escultura produzida pelo Damien Hirst em 2007, e que é talvez o "memento mori" mais famoso deste milênio. É um crânio de um homem europeu que viveu entre 1720 e 1810, inteiramente recoberto de platina (exceto os dentes, que são os originais) incrustado com 8.601 diamantes perfeitos, incluindo um diamante rosa em forma de pera que fica no fronte do crânio, no total de 1.106,18 quilates. É a obra de arte mais cara jamais criada, com um custo de produção de cerca de 14 milhões de libras esterlinas, e teria sido vendida, para um consórcio de compradores anônimos, por 50 milhões de libras (embora haja comentários de que esta venda nunca teria sido realizada, seria uma forma de aumentar os preços de todos os trabalhos do artista, com quem a obra permaneceria).
O título da obra teria sido inspirado em um comentário da mãe do artista: "Pelo amor de Deus, o que você vai fazer agora?"
E o crítico Richard Dorment, do Daily Telegraph, escreveu: "Se qualquer um exceto Hirst tivesse feito este curioso objeto, estaríamos atônitos ante sua vulgaridade. Parece o tipo de coisa que Asprey ou Harrods poderiam vender para crédulos visitantes vindo dos países produtores de petróleo, com ilimitadas quantias de dinheiro para gastar, pouco gosto e nenhum conhecimento de arte. Posso imaginá-lo enfeitando a sala de estar de algum ditador africano ou barão do tráfico de drogas colombiano. Mas não foi feito por qualquer um - Hirst o fez. Sabendo disso, olhamos para ele de uma maneira diferente, e compreendemos, na forma mais direta e brutal possível, que "For the Love of God" questiona alguma coisa sobre a moralidade da arte e do dinheiro." (clique aqui para a crítica completa, é bem interessante)

7 Habsburgos e Braganças


Pintura feita em novembro, 50x60cm. Parti dos losangos, e do verde-amarelo. O verde dos Bragança e o amarelo dos Habsburgo, que se juntaram na bandeira do Império Brasileiro e foram mantidos na bandeira positivista da República Brasileira.
Mesmo aqui, na Brasília modernista, o verde dos Bragança e o amarelo dos Habsburgo foram incluídos por Lucio Costa e Niemeyer na Praça dos Três Poderes, com o jardim de palmeiras imperiais e o jardim de ipês amarelos flaqueando o Congresso Nacional (ao que consta a partir de sugestão do Le Corbusier).
As 7 caveiras vieram das "vanitas".
O título, "Os sete Habsburgos e Braganças", surgiu depois da pintura terminada. Tive curiosidade de pesquisar sobre quem seriam os personagens que eu tinha retratado de forma meio inconsciente, e vi que o matrimônio imperial de D.Pedro I com a Arquiduquesa Leopoldina da Áustria gerou exatamente 7 filhos:
1) D. Maria II, rainha de Portugal (1819-1853), casada por procuração com seu tio, D. Miguel I, rei de Portugal, em primeiras núpcias com Augusto de Beauharnais, duque de Leuchtenberg, e em segundas núpcias com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, rei consorte de Portugal;
2) Infante D. Miguel de Bragança (1820), príncipe da Beira;
3) Infante D. João Carlos de Bragança (1821-1822), príncipe da Beira;
4) D. Januária Maria (1822-1901), princesa imperial do Brasil, casada com o príncipe Luís de Bourbon e Duas Sicílias, conde de Áquila;
5) D. Paula Mariana (1823-1833);
6) D. Francisca (1824-1898), princesa do Brasil, casada com o Francisco Fernando de Orléans, príncipe de Joinville;
7) D. Pedro II (1825-1891), imperador do Brasil, casado com D. Teresa Cristina de Bourbon e Duas Sicílias, princesa de Duas Sicílias.
...embora eu não tenha planejado, estes são, portanto, os 7 Habsburgos e Braganças...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Da série "A cidade modernista"






São 4 pequenas telas (20x20 e 30x30), de 2006, pintadas logo que cheguei em Brasília. Na época eu estava estudando sobre o modernismo, como movimento artístico e na arquitetura, e especificamente sobre o projeto de Brasília, uma Utopia modernista. As pinturas refletem isso, e o clima soturno o momento de solidão e recomeço de minha vida. Hoje, as telas da série (que continua) são mais coloridas, com tintas metálicas, e a atmosfera já é outra.

Um trabalho apenas iniciado


Parece pronto, por isso eu deixei de lado há algumas semanas a tela de 50x60. Bonito, as cores falam entre si. Olho para a tela, e sei que isso é apenas o começo: os retângulos traçados, a carvão, com informalidade; as cores; as manchas, pingos e escorridos de tinta... Vou retomar a tela, e quem sabe quando eu poderia dizer "está pronto..." ? Ou não, e o trabalho apenas iniciado já está pronto mesmo.

Um quarteto (e um dois de ouros)


Pintura de novembro/2008, o quarteto podem ser os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, a Gang of Four, os Beatles, ou os 4 Seasons... tela 50x60, e os naipes aparecem comedidos, como um dois de ouros invertido, apenas um pretexto para aparecerem os ubíquos losangos...

Os trigêmeos Habsburgos


São trigêmeos, ou apenas três irmãos mesmo. A linhagem está explícita no losango amarelo, a cor dos Habsburgos que continua na bandeira da república brasileira. Meu analista talvez dissesse que há algo meio óbvio, já que eu sou um de três irmãos (tenho duas irmãs). O tamanho é o básico 50x60, e é de outubro/novembro/2008.

Outra foto de NYC


A data é setembro/2008. O local, uma das galerias novas e poderosas no Chelsea, NYC. O trabalho é de um artista chinês (todos para mim com os nomes muito parecidos). Devo ter tudo anotado, acho eu, e fico devendo: nome da Galeria e do artista, e o outro dever de casa meu é ver se este artista esteve nas duas exposições de artistas contemporâneos chineses no Brasil (CCBB e MASP, veja post abaixo). Provavelmente não. Minha suspeita é que o mercado internacional de arte descobriu na China um estoque imenso de artistas que produz a preços relativamente baratos e que, com divulgação, podem estourar nos leilões internacionais, algo muito semelhante à produção chinesa de camisas, brinquedos ou outros produtos que, usando insumos baratos, um pouco de trabalho escravo, fraco controle de qualidade etc. etc. etc. inundam as lojas de 1.99 do mundo globalizado inteiro. O pulo do gato do mercado de arte é que os produtos artísticos chineses, a partir da apropriação por este circuito de arte, deixam as lojas de 1.99 e caem na Sotheby's ou na Christie's, se transformam em "luxury goods", com lucros exponencialmente maiores do que as pobres camisas e brinquedos. Bom, mas de qualquer forma o resultado que se é muito melhor que a arte do camarada Mao (não o Mao do Andy Warhol, claro, o do livrinho vermelho).

Jeff Koons e eu...


Meu reflexo em umas das esculturas monumentais do Jeff Koons, no rooftop do Met, em NYC, no setembro passado. Uma tarde de sol, a bolsa caíndo na maior recessão desde 1929, um setembro negro, mas NYC ferve, como sempre, e as esculturas do Jeff Koons parecem dominar a cidade.
Melhor que esta "pequena" exposição, só o Jeff Koons em Versailles, que eu adoraria ir ver, é meu sonho de consumo mas... acaba dia 4 de janeiro de 2009... então só vendo no site... O catálogo ainda não saiu, a previsão é março 2009, mas eu já encomendei na Amazon (US$ 53.55 em pré-venda). Jeff Koons e Versailles são a combinação perfeita, um casamento "made in heaven" como o de Jeff K. e Cicciolina...

Uma pintura recente


Uma tela no meu atual tamanho básico (50x60), de novembro. O título é "Tu (pisavas os astros distraído)". Os losangos cedem a cena para as esferas douradas, que são planetas, com direito aos anéis de um pequeno Saturno. As caveiras das vanitas se alinham como os quatro pontos que marcam uma cruz (ou como a marcaçao original do Lúcio Costa ao criar o Plano Piloto). E o "personagem oculto" (o "Tu") é masculino mesmo, o "distraído" não é um erro de digitação.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Antonio, expondo em São Paulo


Meu amigo de São Paulo, Antonio Sobral, artista visual e cineasta e uma pessoa fantástica, está abrindo uma exposição esta semana. O trabalho dele é muito bonito, não conheço estes últimos mas certamente vale à pena ver. Boa sorte, Antonio.

Exposições em São Paulo

Em 21 e 22 de novembro fui a São Paulo, para a maratona de exposições.

O MASP, cuja programação raramente compensa os R$15,00 da entrada, desta vez estava valendo: além de outra exposição temática sobre o acervo (desta vez auto-retratos) - sempre é bom rever e sonhar com um tempo em que o mecenato brasileiro podia comprar Van Gogh, Rembrandt, Rafael, Gauguin, Monet, diga um nome... Mas o que valeu a entrada é uma exposição sobre arte contemporânea chinesa (China: Construção – Desconstrução), com um bom catálogo. Um dever de casa que ainda não fiz é uma comparação entre os nomes desta exposição (16 artistas) e os da exposição de alguns anos atrás no CCBB. Os artistas desta exposição são: Wang Qingsong, Yin Zhaoyang, Chen Bo, Wang Chengyun, Ma Jawei, Qiu Xiaofei, Ai Weiwei, Yin Xiuzhen, Xiong Yu, Zhou Wenzhong, Mao Yan e Liu Ding.
Na OCA (Parque Ibirapuera), uma exposição comemorativa dos 60 anos de MAM-SP. Excelente exposição, embora o andar térreo esteja com uma distribuição meio confusa, a qualidade das obras expostas é enorme. Muita coisa boa, mais de 500 obras em exposição, além do aspecto documental. Ao meu ver um dos pontos altos da exposição é rever a série trágica, do Flávio de Carvalho (que na verdade não está mais com o MAM e faz parte das obras do MAM doadas pelo Cecílio Matarazzo à USP, na manobra até hoje mal explicada que quase acabou com o Museu, que só a muito custo conseguiu, depois, se reerguer). Destaco também uma sala linda, em volta de vários trabalhos do Leonilson, perto de outra sala com várias Mira Schendel. Como se não bastasse, no subsolo um magistral ambiente do Frans Krajcberg, com várias esculturas enormes de madeira queimada e fotos contra a destruição do meio ambiente.

MAM-SP Depois de ver a exposição dos 60 anos do MAM, o próprio MAM ainda oferece coisas surpreendentes: o Projeto Parede, desta vez um belo mural do Barrio. Uma "exposição de curador" - "Cover = Reencenação + Repetição" (interessante, bom catálogo). E uma retrospectiva, com um bom catálogo, do músico suíço Walter Smetak (1913-1984), que se radicou na Bahia, foi citado por Caetano Veloso, Arto Lindsay (um dos curadores da mostra, com Jasmin Pinho), influenciou vários grupos musicais. Para mim uma surpresa ver que além de importante como músico, ele era um escultor, produzindo instrumentos musicais com sons diferentes e que funcionam como escultura, onde o espaço é conquistado pelo visual e pelo auditivo. Algo na linha do que hoje é feito pelo Chelpa Ferro, Paulo Vivacqua, Paulo Nenflidio e outros. E, na lojinha, uma barganha: "Abdias Pequeno", um múltiplo em resina do Sérgio Romagnolo (pequeno sim, cerca de 20cm de altura), com tiragem de 150 exemplares, por incríveis R$95,00.

28ª Bienal de São Paulo, a Bienal do Vazio. Bom, realmente, a visão do vazio do 2º andar é impressionante. Porém no final da visita fica muito pouco. Para mim, que amo pintura, é pouco ver apenas uma pintura (a pintura do chão da Dora Longo Bahia), bonita, e feita para ser pisada...

No CCBB, uma exposição, "Sobrevivência", de Eduardo Srur, na verdade espalhada por diversos monumentos públicos na cidade (um deles eu vi de perto, no Parque Trianon em frente ao MASP). São vinte e cinco esculturas “vestidas” com coletes e bóias salva-vidas, produzidos em escala proporcional a cada uma delas. E Brasil Brasileiro, que procura "festejar o conceito de brasilidade". Uma instalação do Nelson Leirner, no vão central, mostra uma "praia", com bananas e guardas-sol... Uma trilha sonora agradável, com músicas brasileiras, e é bom ver ou rever os Volpi, Guignard, Leonilson, Bonadei, Gerchman, Tarsila... pena: não tinha (ainda?) catálogo.

Na Pinacoteca de São Paulo uma retrospectiva da Maria Bonomi ("Gravura Peregrina"), muito bonita. Um trabalho forte, monumental. Ainda: instalações da artista espanhola Cristina Iglesias, "Eliseu Visconti: Arte e Design" e uma retrospectiva do (para mim desconhecido) modernista paulista Leopoldo Raimo.

Na Estação Pinacoteca, a razão maior de minha ida a SP, a exposição da Beatriz Milhazes. Um colírio para os olhos, um refrigério para a alma... A instalação nas janelas da sala do meio são vitrais de uma catedral pós-moderna, brasileira, universal. Um excelente catálogo. Além da Beatriz e do bom acervo (coleção José e Paulina Nemirovsky), uma boa exposição sobre artistas mexicanos ("A Era da divergência: Arte e cultura visual no México 1968 – 1997")

Paralela 08 nos galpões do Liceu de Artes e Ofícios, um espaço incrível, correndo em paralelo com a Bienal, com curadoria de Rodrigo Moura e organizada por 11 galerias paulistanas. É a quarta edição do evento e reúne obras de 61 artistas. Batizada pelo curador com o nome “De Perto e de Longe”, título emprestado de um livro de Claude Lévi Strauss, a “Paralela” conta com obras produzidas desde a década de 1970 e investiga o interesse dos artistas pela idéia de “lugar”. Uma excelente exposição, trabalhos com altíssima qualidade, difícil destacar alguns poucos sem cometer injustiças mas vamos lá: a instalação do Nuno Ramos (um trágico Goeldi ampliado - algo para uns 2x3m - cavado no chão e cheio de óleo queimado). O ambiente penetrável do Ernesto Neto. A cascata de garrafas PET da Márcia Xavier (na minha visita, um violento e inesperado temporal, entrando nos galpões em alguns lugares, ecoava a cascata). Um ambiente monumental, imenso vazio, com esculturas do Efraim Almeida. As "vanitas" do Saint Clair Cemin. Os quadros-letreiros do Rodrigo Matheus. Um cisne-escultura da Erika Verzutti. As pipocas de cerâmica espalhadas pelo chão, pisadas, presenças discretas, da Débora Bolsoni. A Paralela, ao contrário da Bienal, mostra como bem preencher um vazio, com trabalhos de qualidade, montagem sobria e uma proposta instigante.

Vanitas


Um dos temas que persigo (ou que me persegue) é o da "Vanitas", as vaidades, as caveiras e outros símbolos a nos lembrar sempre que tudo é vaidade e só a morte é a permanência. Este trabalho é de setembro/2008, 40x50cm, chamado "Vanitas (com um quatro de ouros)", e os naipes de cartas são uma referência ao acaso, que também conduz nossas vidas. Uso muito estes naipes, o losango "em pé" do naipe de ouros. Em diversos trabalhos os losangos se transformam em outros elementos, como: as colunas do Palácio da Alvorada; balões meio Volpi meio Guignard; os losangos dos Habsburgos (que continuam na bandeira da República brasileira); diamantes; os losangos da roupa do Arlequim, que aparecem em Picasso e Bracque, e outros elementos.

domingo, 30 de novembro de 2008

O segundo cigano esbofeteado (o cenário)


Retomando o tema do cigano esbofeteado, agora em uma cenário noturno, com estrelas, uma meia lua e as colunas do Palácio da Alvorada. As referências são (acho) bem claras, ao modernismo, Volpi, Guignard, Athos Bulcão... A tela está assim, pouco mais que iniciada, as cores fortes do iníco já foram rebaixadas com uma velatura de cinzas, as estrelas e as colunas já traçadas em branco bem aguado, à espera do Cigano que hoje, daqui a pouco, começará a habitar seu cenário.

Cancion del Gitano Apaleado


"O Cigano Esbofeteado", 50x60, set-out/2008. Estou trabalhando atualmente em outro cigano esbofeteado, desta vez um noturno. A inspiração para a imagem do cigano esbofeteado é um poema de Federico Garcia Lorca:

Cancion del Gitano Apaleado

Veinticuatro bofetadas.
Veinticinco bofetadas;
después, mi madre, a la noche,
me pondrá en papel de plata.

Guardia civil caminera,
dadme unos sorbitos de agua.
Agua con peces y barcos.
Agua, agua, agua, agua.

!Ay, mandor de los civiles
que estás arriba en tu sala!
!No habrá peñuelos de seda
para limpiarme la cara!

Série Calendário


Uma pintura da série "Calendário", como estava ontem, 29/11. Ainda não pintei o quadrado de hoje. Iniciei este calendário em 13/10, e não há regra para os dias - apenas registro os dias que quero registrar. O plano é acabar em meados de dezembro. O tamanho é 50x60, que é meu tamanho padrão aqui em Brasília - o espaço no Planalto é amplo, mas meu espaço para pintar é bem reduzido...